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A Experiência da grande aventureira Heloisa Marques!

A viagem de Heloisa Helena Cunha Marques para o Alaska foi feita entre os meses de abril e novembro de 2003. Em entrevista ao INEMA, Heloisa nos contou como foi essa grande aventura, Confira!!

No ano de 2003, o grande desafio de Heloisa foi percorrer, por terra, uma distância de quase 50.000 km entre Fortaleza (Brasil), Anchorage (Alaska-EUA) e Newfoundland (Canadá), ida e volta, dirigindo uma Troller sozinha, enfrentando idiomas diferentes, momentos de solidão, variações de clima, cultura, entre outras tantas situações.

Desde sua juventude ela sonhava em percorrer o Continente Americano por estradas. Este sonho ficou guardado enquanto casava, estudava, trabalhava, criava filhos... Até que, beirando os sessenta anos, ela percebeu que era chegada a hora de realizar sua vontade, antes que ela se transformasse em um sonho impossível.

Foram dois anos planejando e juntando dinheiro para a tão sonhada viagem. A família de Heloisa incentivou sua decisão desde o começo. Segundo ela, a maior parte já sabia que, algum dia, ela partiria para uma aventura do tipo. Ela queria conhecer tudo e tinha muita curiosidade sobre seu próprio comportamento. Mesmo já tendo feito, antes desta, uma viagem à Patagônia, ela sabia que viveria situações bem mais estressantes.

O Roteiro da viagem pelo Continente Americano foi escolhido pela originalidade do caminho percorrido para sair da América do Sul. O normal é ir pelo Chile e embarcar o carro no Equador. Mas para Heloisa, que mora em Fortaleza (CE), a saída lógica era pela Amazônia. Ela garante que foi uma excelente decisão. “Subir o Rio Amazonas, de barco, é uma viagem que todo brasileiro deveria fazer”, diz. O resto do percurso ela fez por caminhos que a maioria faz. Mas ela foi escolhendo belezas naturais, tanto que nem olhou muito para as cidades grandes.

Segundo Heloísa, a Venezuela é um país lindíssimo e a Colômbia não é o bicho papão que todos acham, além do que Cartagena, onde embarcou o Troller para o Panamá, ela diz ser uma cidade maravilhosa. “Dizem que é o colonial mais bem preservado da América do Sul”, comenta.

A decisão de entrar na Colômbia foi difícil, pois até quase a fronteira ela ainda pensava em embarcar o Troller no Porto de La Guairá, na Venezuela, mas tinha uma enorme vontade de conhecer as famosas Muralhas de Cartagena. A América Central, para Heloisa, também foi uma parte difícil, não pelo perigo, mas porque são muitas fronteiras, todas cheias de burocracia, muita gente, muita demora, enfim, muito cansativas. “Teve fronteira que esperamos seis horas pela inspeção do carro. No México a polícia me deixou muito insegura”, lembra ela.

Como o trajeto de sua viagem foi bastante extenso, Heloisa acha difícil dizer qual foi a melhor parte, pois cada trecho tem sua beleza. Mas ela destaca algumas: “Na Venezuela as cachoeiras do Parque Canaima e as estradinhas dos Andes; na Colômbia as muralhas e os fortes da Cartagena; na América Central, a apaixonante Guatemala, seu colorido no mercado de Chichicastenango, o Lago Atitlán, as ruínas maias de Tikal e o Lago Izabal; no México a Península de Yucatán e aquele enorme acervo de ruínas maias; o Grand Canyon nos EUA; no Canadá a histórica Alaska Highway, as deslumbrantes Montanhas Rochosas e, no lado do Atlântico, a Nova Scotia, New Brunswick e Cape Breton me surpreenderam, pois são lugares belíssimos, pouco divulgados entre nós e, no Alaska, a grandiosidade das paisagens, o dia-a-dia das pequenas cidades e a viagem no Ferry da Alaska Marine Highway de Haines até Prince Rupert já no Canadá.

Um fato que surpreendeu Heloisa foi uma dor de dente que lhe acompanhou por um bom tempo durante a viagem. Para que fique melhor entendido, explico aqui que ela é Dentista e saiu de Fortaleza com a boca toda radiografada e checada. “Não dava para acreditar!” Tuto isso terminou com uma ida ao dentista em New Glasgow-Nova Scotia-Canadá e a remoção do seu último terceiro molar que, hoje, jaz naquelas terras longínquas.

O que Heloisa já imaginava, e mais uma vez pôde constatar, é que a “terceira idade”, pode, muito bem, ser a idade da aventura, idade pronta para vencer obstáculos e de olhos mais lentos para captar os matizes de cada cena. “Acho que, após a aposentadoria, a aventura vai começar. Qualquer que seja a proposta que quebre os hábitos antigos”. Ela ainda acrescenta dizendo que “este é um novo tempo e nada melhor para definir ele do que uma estrada na sua frente com horizontes de amanheceres e entardeceres inesperados.”

É por isso que o maior ela dá o maior incentivo para que jovens aproveitem seu tempo e saiam por aí com uma mochila nas costas. Para ela, o planejamento de uma viagem é uma experiência e tanto, pois servirá para toda e qualquer atividade no futuro. “Nas desventuras da aventura há uma espetacular oportunidade de autoconhecimento. Saber como se reage a situações novas e difíceis é uma esplendorosa experiência”. E ela aconselha a todos: Mochila nas costas, uma barraquinha de camping e... O mundo é bem ali!”

Heloisa diz que, para sempre, ficará marcada pelo que viu e sentiu nesta viagem. Existe uma cena que ela não consegue esquecer e que, até hoje, a emociona: “Aconteceu na Guatemala, onde os ritos Maias convivem tranqüilamente com os da Igreja Católica. É comovente presenciar a conversa Maia com os santos nas igrejas, como se eles fossem pessoas vivas a escutar. Eles choram muito, ficam ali com suas roupas coloridas, sentados no chão da igreja, depois se levantam e lá fora acendem seus incensos em mais uma cerimônia Maia. Eu me emocionei muito. Aquelas pessoas me pareceram tão desamparadas, tão esquecidas!” recorda.

Quanto mais os dias passam, ela diz que mais aprende com a viagem. Ela conta que foi muito tempo enfrentando situações muito diferentes de seu dia-a-dia, que exigiam decisões e aprendizado rápido. “Cada dia era um desafio!” Enfrentar dificuldades que ela nunca enfrentara, estar de frente com a possibilidade de fracasso e o espanto diante de suas reações em alguns momentos mais complicados fizeram com que, hoje, ela tenha uma noção muito mais clara dos seus limites. “Talvez, por isso, me sinta bem mais cômoda comigo mesma.”

Para encerrar, fica aqui registrado que Heloisa escreverá um livro sobre suas experiências no exterior. “Não é para já. Tenho muitos planos”, diz. No mês de junho de 2005, ela deve ir ao Pantanal, na seqüência visitar novamente Machu Pichu, no Peru e descer pela Bolívia até o Salar de Uyuni. Em maio de 2006 quer ir pela Transiberiana, uma estrada de ferro que sai de Moscou e vai até Pequim. “Com o tempo terei mais informações para colocar no livro.”



Equipe INEMA

Fonte: Heloisa Helena Cunha Marques
Cidade: Fortaleza-CE-Brasil
Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques
Publicado: Tatiana Lopes
Date: 27/12/2004 <%insert_data_here%>


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