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Uma V-Strom na trilha!

> MeqMON conta histórias de uma trilha da qual participou no dia 6 de março de 2005. A trilha saiu de Porto Alegre/RS. Confira o relato.

O Beto é um camarada legal e de uma espirituosidade impar. O problema é que até hoje eu não sei quando ele fala a verdade ou quando está pregando uma das suas. Por este motivo, o convite aberto para fazer um "passeio" por estradas de chão, saindo de Porto Alegre em direção ao litoral norte me soou agradável, mas já me colocou uma pulga atrás da orelha, tendo em vista que a V-Strom está para uma trilha pesada como a ovelha está para o mato, ou seja, e continuando no linguajar zoológico, é um peixe fora d´água.

Minha maior preocupação era a areia, tendo em vista que o pneu - original nos seus quase 12.000 km pode combinar com tudo, menos com areia. Some-se a isso uma moto pesada, mais de 40 anos, fora de forma e uma experiência off-road próxima à temperatura dos pólos, já imagina no que pode dar.

Contudo, com o orgulho maior que a destreza, e levando o gosto por pilotar tudo que tenha motor (ainda não pilotei helicóptero, mas chego lá), além da "garantia" do Beto que o "passeio" era leve, descontraído e com o primo dele (Caco - Turbo Moto) garantindo que sua avó de 90 anos já tinha feito o mesmo trajeto de Biz.

No mundo trail podemos dividir as chamadas HT, RT e ST (Hard, Regular e Soft Trail) e os "passeios", que a nenhuma dessas categorias chegam.

Quando cheguei ao local marcado, um maravilhoso domingo de sol (06/03/2005), 9 da matina, e me deparei com o Caco, primo do Beto, com uma Tornado 250 hiper alta e o camarada todo paramentado para qualquer trilha até o inferno, um amigo do Caco de NX150Bross, até com colete de jaspion e aquele pneus que só faltava garras metálicas e eu lá, todo pimpão, com uma V-Strom com assento levantado e que deveria pesar mais que as 3 outras motos juntas, senti que a coisa não ia ser fácil. Por fim Beto, o malvado, com uma TDM 225, que "a rigor" também tava fora do esquema, só que pesava 1/3 da minha.

Saímos por Viamão (RS 040), entrando no cruzamento com a RS 118 em direção a Itapuã. Conheço aquela estrada e passei lá de XT600 umas 200 vezes de de V-Strom umas 10. Claro que não tão rápido, nem com tanta poeira. Os dois malucos, mais experientes e com o equipamento ideal, aceleravam (fatalmente de propósito) para deixar eu e o Beto comendo poeira. Até que nos saímos bem.

Quando na Vila Areia eles pegaram umas "bibocas" á esquerda, onde um Land Rover não passa, senti o drama. Mas como miséria pouca é bobagem, resolvi encarar. E foram desníveis, atoleiros, poças com barro e lama, em uma viela que não tem 1,5m de largura. Eles não deviam acreditar que algum maluco conseguisse fazer aquilo de V-Strom. Nem os engenheiros da Suzuki. E para falar a verdade, nem eu.

Foram 10 Km da Viamão até as bibocas e uns 4 km dentro dela, desembocando na mesma estrada que havíamos desviado (que atalho de grego é esse?). Calma, a tortura não acabou por aí.

Acredito que nem o Caco imaginasse que com essa seca no Rio Grande do Sul haveria tantos bancos de areia nas estradas. E se fomos pela estrada, intercalada por bancos de areia que, com uma Tornado ou Bross até dá, mas com a mastodonte da V-Strom, só fazendo mágica. Mas acompanhei a tocada.

Havia tomado a medida de regular o mais macio possível a suspensão traseira e dianteira da V-Strom, com o intuito que não enterrasse quando entrasse na areia. Não adiantou. A moto é pesada demais para um pneus dianteiro (para esse fim) muito fino. Ao entrar na areia, mesmo com uma tocada a 90/100 km/h, a frente sai debaixo do piloto. Frente para um lado, traseira para o outro..... e "vamo que vamo". Em umas três oportunidades senti que não ia dar e acabaria estatelado no chão. Numa delas corrigi a trajetória dela batendo o joelho direito no chão (ao menos com protetores básicos estava). E foram assim mais uns 20 quilometros.

Quando em uma bifurcação o Caco parou e avisou que "achava que tinha muita areia dali em diante?, senti o drama. Mas vamos nessa. Uns 2 Km adiante tinha uma "duna" no meio da estrada. Não deu outra, - el Ramon se quedió-.... Era tanta areia, que mesmo tendo caído com a perna em embaixo da moto, consegui me arrastar para fora. Agradeço a atenção do Beto nesse sentido, que achando que tinha ficado preso embaixo da moto, jogou a dele no chão e saiu correndo para me ajudar (ou fez isso de fiasquento mesmo, nunca sei).

Não deu nada, nem um arranhão na carenagem, somente o pedal do freio traseiro, de alumínio, que deve ter ficado preso na bota durante a queda e entortou.

Se já estava difícil, sem freio traseiro, então, foram mais 3 longos quilômetros até o asfalto, rabaneando para tudo que é lado. Chegando lá. Refrigerante e pastel e a decisão, também do Beto (que estava com a frente da TDM instável e o filtro entupido), de retornarmos pelo asfalto.

Nossa aventura durou até ali exatos 46 KM.

Mas foi divertido. O Beto tirou boas fotos - ninguém vai acreditar por onde uma V-Strom passou. Cheguei em casa irreconhecível, botas, calça, jaqueta, capacete e luvas - tudo cheio de barro e areia. Definitivamente, vou deixar isso para os mais jovens.


Outra daquele dia....

Sr. ZENILDO....

Diz o ditado popular que o diabo é diabo, não porque é diabo, mas por ser velho ....

Domingo pela manhã em um posto de combustíveis na RS 040 em Viamão estávamos eu, o Beto, Caco e um amigo nos preparando para um passeio com reluzentes motocas por estradas de chão batido. Era um Tornado nova, uma Bross reluzente com pneus hiper off-road, uma TDM e a imponente V-Strom prata, reluzindo ao sol.

Antes da saída as fotos de praxe. Quando lá estávamos chega o Seu Zenildo, matreiro velho, pilotando uma CG azul calcinha da década de 70, até que em perfeitas condições, tendo em vista ter mais idade que muitos dos presentes.

Conversa vai, conversa vem e o Seu Zenildo encafifado e embasbacado com as motos e a vestimenta pra lá de moderna do pessoal. Não contente, começa Seu Zenildo a nos contar seus tempos de juventude, as motos que pilotou, que foi fundador da motovelocidade em Porto Alegre e por aí vai.

Quando estamos nos preparando para sair o Seu Zenildo, chapeuzinho de palha e montado em cima de sua magrinha CG tasca essa, "até tava com vontade de ir junto com ôces, mas não vai dar não...."

Beto, o espirituoso, ainda foi prosear com o dito cujo, dizendo "ô seu Zenildo.... mas a turma aqui vai rápida... e olha nossas motos...."

E Seu Zenildo, bem calmo, encara Beto, o gozador, e ainda tasca essa "é... não vai dar não.... vocês NÃO iam me acompanhar..." heheheheeheh


Relato: > MeqMON

Saudações Mequetrefisticas

Fonte: Mequetrefes
Cidade: Porto Alegre-RS
Fotos: Mequetrefes
Publicado: Priscila Ramos
DATA: 11/03/2005 <%insert_data_here%>

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