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Abraçando o Uruguai - Relato I

Uma motoviagem pelo Uruguai foi o que João Carlos Comin fez por dez dias, de 08 a 18 de outubro de 2004. Uma aventura que o motociclista relata nos mínimos detalhes. Abaixo, os dois primeiros dias desta experiência.

1º dia - 08/10/2004 - Sexta-feira

Distância percorrida: 370,8km
Distância acumulada: 370,8km

Roteiro:
SS - Restaurante das Cucas: 49,9km
Paradouro Grill: 141,1km
Pelotas: 240,9km
Jaguarão: 370,8km

Pernoite:
Hotel Sinuelo - Jaguarão

Abastecimento:
Posto Fortaleza, em Pelotas (RS) - 15,2lts R$ 36,00

Sexta-feira, véspera de feriadão, as autoridades de trânsito através da mídia estavam prometendo diversas blitz, para tentar diminuir o número de acidentes nas estradas (parece que não adiantou).

Saí de Porto Alegre às 10hs e 15min a borde da Falcon 400 rumo a Sans Souci ao encontro da Strom. No dia anterior já havia arrumado meus mijados e abastecido a moto.

Na estrada do Conde a primeira barreira policial com agentes de trânsito local. Solicitaram documentos. Tudo OK.

A saída de Sans Souci ocorreu às 11hs. Quando ingressei na BR 116, para iniciar uma viagem que foi concluída com 2.702km rodados, sozinho, é óbvio que não poderia deixar de ocorrer o famoso "frio na barriga".

A medida que a máquina deslizava na estrada, suavemente, a tensão foi diminuindo, a docilidade da máquina com seu motor forte, compensa a tensão inicial.

O sol estava a pino refletindo seus rádios no painel da moto, prejudicando um pouco a visibilidade. O dia estava ideal para viajar, sol forte e pouco calor. O trânsito estava intenso, com grande movimento de caminhões rumo ao super porto de Rio Grande.

Observei as imprudências cometidas por nossos motoristas neste trecho da estrada até Pelotas, é de arrepiar qualquer um.

Quando o relógio digital acusou 12hs fiz o primeiro "pit stop" no Restaurante das Cucas para almoço, pois também sou filho de Deus. A pedida foi lingüiça da casa com salada mista (me lembrei do amigo Sancho).

Nesta primeira parada já começou o "entrevero" ao redor da moto com muitas perguntas a respeito, este ritual continuou durante toda a viagem.

Às 12hs e 45min reiniciei a viagem rumo a Pelotas. Na retomada da BR 166, fera começou a resmungar, pedindo e implorando por uma maior dose de injeção, pois a velocidade que eu estava imprimindo não estava lhe agradando (100km/h). Talvez o ideal para satisfazer seu extinto seria 150 ou 180km/h.

Não poderia permitir que a fera me dominasse e voltei a impor minhas condições iniciais, mas por outro lado, não poderia negar o prazer que a mesma estava me proporcionando, vez que outra retribuía, aumentando a velocidade.

A segunda parada foi em Cristal, no velho Paradouro Grill, aproveitei para limpar a viseira do capacete que estava tomada de insetos. A terceira parada foi no Posto Fortaleza, em Pelotas, abasteci a moto, tomei um refrigerante e fiquei olhando as bandeiras do posto que se agitavam forte com o vento. Uma boa notícia nesta reta interminável até Jaguará: o vento seria ao meu favor, facilitando a pilotagem e diminuindo o consumo de combustível.

Os 130km desta estrada pedagiada estão em boas condições, com boa visibilidade e sem cruzamentos, aproveitei e andei um pouco mais forte.

A chegada em Jaguarão ocorreu por volta das 16hs e 30min, com 370,8km rodados. Em seguida passei na loja do meu amigo Ricardo e combinamos um jantar para a noite. Me dirigi ao Hotel Sinuelo, tomei um bom banho e dormi.

À noite fomos à Parrillada Al Turista, na cidade de Rio Branco, no outro lado da Ponte Internacional da Amizade, eu, Maria José, mulher do Ricardo e o dito cujo. Encontrei no restaurante a namorada do Kako, um motociclista do Grupo Cruzando o Sul, que estava em viagem de moto pelo Peru.

A janta foi o famoso assado de tiras, chorizo, saldas e papas fritas. Conversamos bastante e voltei ao hotel. Embora estivesse ocorrendo uma grande festa em homenagem ao prefeito eleito de Jaguarão, na Praça Central em frente ao hotem, dormi que nem um anjo.


2º dia - 09/10/2004 - Sábado

Distância percorrida: 132,2km
Distância acumulada: 503,0km

Roteiro:
Jaguarão - Treynta y Três: 132,2km

Pernoite:
Hotel 33

Abastecimento:
Posto Tamer, em Jaguarão (RS) - 5,51lts R$ 13,50
Posto Ancap, 33 - 6,74lts R$ 21,77

Após acertar a conta no hotel, fui direto à loja do Ricardo trocar Reais por Pesos Uruguaios (cotação do dia: R$ 1,00 = 9,20 pesos). Abasteci a moto no posto Texaco e, às 10hs e 15min da manhã, me fui rumo à fronteira via Ponte Internacional até a cidade de Rio Branco. Esta cidade pertence ao Departamento de Cerro Largo, com população de 81.400 habitantes cuja Capital é Melo. Saí do Hotel com uma chuva fraca, deixei pra colocar a roupa de chuva na Aduana.

Quando cheguei estava havendo uma baita confusão entre o chefe da Aduana e alguns turistas. Apresentei meus documentos, não conferiu nada, pediu para que eu mesmo transferisse os dados para a tarjeta do turista. Carimbou o documento e me desejou boa viagem, seguindo na peleia.

Em seguida o símbolo da bandeira Uruguaia apareceu (o sol). Fui até a cidade de Treynta Y Tres com sol. A estrada estava com alguns trechos mal conservados com muitos buracos. À medida que avançava sentia o estresse acumulado em meu corpo e mente evaporar.

Cheguei à cidade com 503km rodados às 11:hs e 53min. Fui direto ao Hotel 33, tomei um bom banho e me fui ao restaurante do próprio hotel. O almoço foi "Pescado a la Plancha" com Purê de Papas, excelente.

Treynta y Três, é a capital do Departamento de mesmo nome, com 63.000 habitantes, os hábitos da população lembram nossa Porto Alegre de 40 anos atrás. À noite, as pessoas saem às ruas, freqüentam as praças, tomam mate sentados à frente das casas. As crianças brincam sem serem importunadas, tudo com total segurança. Inexistem pessoas pedindo esmolas, flanelinhas e achacadores, parece que estamos em um paraíso. Polícia? Não os vi.

À noite, a rua principal Juan Antônio Lavalleja, fica repleta de pessoas caminhando pelas calçadas admirando as vitrines das lojas. Imediatamente, ao assistir esta cena, voltei ao passado lembrando que quando criança, em companhia de minha mãe e irmãs o programa de fins de semana era justamente este: olhar as vitrines de lojas na Rua da Praia, Av. Eduardo, Cristóvão Colombo, Azenha, etc. Que tempo bom!

Após a janta no hotel, fiz o mesmo. Aproveitei, entrei na Catedral e fiz a "Oracion para Pedidos Especialies". Que, no meu caso, foi dedicada à minha viagem que estava iniciando.

Visitei o monumento aos 33 Orientales, heróis sepultados que lutaram pela Independência do País (daí o nome da cidade). Após esta caminhada, me fui ao hotel e dormi um sono profundo.

Fonte: João Carlos Comin
Cidade: Uruguai-EX-Uruguay
Fotos: João Carlos Comin
Publicado: Karine Viana
Date: 07/04/2005 <%insert_data_here%>

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  Event 2550 - Abraçando o Uruguai

   Albuns e Fotos



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