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Momentos marcantes na motoviagem que começou no dia 05 de abril de 2005, com destino a Viña del Mar. Vanderlei de Souza conta como foram os dias durante a aventura. Confira os relatos da 4ª parte da viagem!
6º dia - 09/04/2005 - A Cordilheira dos Andes
Neste dia acordamos cedo, pois estávamos ansiosos com a partida em direção à Cordilheira. O dia estava ótimo, muito sol e pouco frio. Em Mendoza, 90% dos dias tem sol, por isso é chamada cidade do sol e do vinho.
Pegamos a Ruta 7 e fomos em direção à Cordilheira. No início, a estrada está paralela á montanha, que fica a nossa direita. De repente, a estrada faz uma grande curva e uma grande reta que nos separa da Cordilheira aparece bem a nossa frente. À medida que se avança, a sensação que se tem é que estamos parados e as montanhas é que se movem em nossa direção, dando a impressão que logo seremos engolidos por elas.
O visual é impressionante, nos deixando de queixo caído. Enormes montanhas, com os picos cobertos de neve, que com reflexo dos raios do sol dão um brilho todo especial. A estrada tem milhares de curvas e um fluxo grande de caminhões.
Teve um momento em que grupo parou para tirar alguma fotos e eu segui em frente. Em seguida, fiquei atrás de um caminhão que levantava uma enorme nuvem de poeira. Cada vez que ia ultrapassa-lo vinha um caminhão em sentido contrário e eu ali, comendo poeira. Quando terminaram as curvas, vi uma pequena reta e disse pra mim mesmo - é agora - quando termino a ultrapassagem vejo placas na beira da estrada - reduza a velocidade, 80 km, 60km, 40km - olho à frente: um posto policial.
Tudo bem, fui baixando as marchas e reduzindo a velocidade. Quando estava chegando perto do posto, sai um policial de dentro da guarita. Fez sinal para eu parar. Parei a moto e abri a viseira do capacete. Em espanhol, ele me disse: O senhor ultrapassou um caminhão lá em cima na estrada, com faixa amarela dupla. Eu, com a maior cara de pau, respondi: Me desculpa, mas não estou lhe compreendendo.
O Homem olhou para o céu, deu um grande suspiro e disse novamente - O senhor ultrapassou - nesta altura o caminhão já estava passando por nós - aquele caminhão - apontando com uma das mãos - lá em cima na estrada, com faixa dupla amarela. Eu, achando que estava agradando, repeti que não entendia o que ele dizia.
Ele olho para a bandeira do Brasil que estava na minha bagagem e disse: O senhor é brasileiro? - Sim, sou - respondi. - Bueno, quer dizer que os brasileiros só entendem o que lhe convém. Neste momento entendi que estava enrascado, ainda tentei argumentar que não vi a faixa, que provavelmente estaria apagada, mas não teve jeito, me mandou encostar e desligar a moto.
Nisso, os meus companheiros estavam chegando e a ordem foi à mesma, encostar e desligar a moto. Pediu os nossos documentos e os das motos. Ficamos uma meio hora esperando e eu me preparando para mais um multa.
Quem veio falar conosco foi um outro policial que nos reuniu e disse: Uma das motos ultrapassou um caminhão num lugar proibido, porém eles não iriam nos multar, pois ali era um posto militar de fronteira e que tivéssemos cuidado, pois no Chile os policiais chilenos eram rigorosos no trânsito, que não ultrapassássemos o limite de velocidade e respeitássemos a sinalização. Ufa, desta eu escapei! - Agradecemos, subimos nas motos e seguimos rumo ao Chile.
Em seguida, minha moto começou a ter problemas com altitude. A danada começou a tossir, engasgar e perder potência. O máximo que conseguia era rodar em segunda marcha, a 40 km por hora. Paramos para abastecer em Los Penitentes, onde fica uma estação de esqui muito interessante com vários hotéis e pousadas e uma paisagem de cair o queixo.
Quando chegamos no túnel Cristo Redentor, na divisa da Argentina com o Chile, eu parei para tirar algumas fotos e o grupo seguiu em frente. Esse foi a pior parte da viagem, atravessar o túnel de 3.800 m, sozinho, com a moto falhando foi um sufoco danado. Pensei que a moto não iria ter forças para sair do túnel. Depois de uma eternidade, em 1ª marcha, com acelerador puxado ao máximo e com a incrível velocidade de 20 km/h consegui sair do túnel do terror.
Eram duas horas da tarde quando chegamos no poste de fronteira entre a Argentina e o Chile. O Carlos e o Maurel resolveram voltar a Mendoza. Nos despedimos dos dois companheiros de viagem e fomos para o martírio burocrático que é ingressar em solo Chileno. Depois de muita confusão e informações desencontradas conseguimos passar para o lado chileno.
Agora, começamos a descer a Cordilheira rapidamente e as motos melhoram 100%. Passamos pelos Caracoles, uma seqüência de 28 curvas muito fechadas e íngremes, de deixar qualquer um tonto. Descemos com todo cuidado. Uma breve parada para tirar umas fotos e seguimos viagem ruma a Viña del Mar. Passamos por Los Andes, San Felipe e no final da tarde, depois de um dia cheio de emoções, avistamos o Oceano Pacífico.
Paramos as motos, descemos e com capacete e tudo nos abraçamos e gritávamos - Nós estamos aqui, nós estamos aqui. Foi o apogeu da nossa viagem. O principal objetivo foi atingido, chegar no Oceano Pacífico. Era Domingo, e cidade estava praticamente vazia, com pouco trânsito e ruas praticamente desertas. Nos hospedamos no Magno Hotel, na rua Arlegui 372.
Continua...
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Fonte:
Vanderlei de Souza Cidade:
Porto Alegre-RS-Brasil Fotos: Vanderlei de Souza Publicado: Bruna de Oliveira Quadros Date: 24/06/2005
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