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De Floripa à Argentina sobre rodas - Parte I

A aventura de Hugo Jais e seu filho Kaê foi realizada de 12 a 19 de julho de 2004. Para Kaê esta viagem foi impressionante e inesquecível, pois foi a sua primeira Moto Viagem. Ele relata os detalhes desta fascinante aventura.

Desde que me conheço por gente presencio meu pai, Hugo, um comerciante de 44 anos, apaixonado por motos e viagens, sonhar em ter uma V-Max. Anos se passaram até que dia 15 de março de 2004, dia de seu aniversário, o sonho se realizou. Foi até São Paulo buscar sua V-Max 1200 ano 97 num dia chuvoso. Sua reação primeira foi de espanto, pois nunca pilotara uma moto tão "nervosa".

Enfim, nada como uma pequena viagem de estréia para testar a sua "machina". Para acompanhante, ninguém melhor que seu filho, no caso, eu, Kaê. Tenho 16 anos e fui escolhido também para fazer o relato desta viagem que jamais esquecerei. A moto sofreu praticamente um desmanche antes de partirmos, foi toda desmontada para uma boa revisão: troca de velas, pneu, troca de todos os óleos e principalmente o do eixo carda, limpeza e regulagem dos carburadores. E, em um mês a moto estava pronta esperando os 2500 km de Florianópolis-SC para Posadas - Argentina.

O roteiro no mapa estava pronto, as malas já estavam compradas e arrumadas com tudo que precisaríamos como: ferramentas, panos, velas, bomba para encher pneu, reparador de furos e, principalmente, o que mais usamos roupas de chuva. Após meses esperando, dia 12 de julho de 2004 chegou, e nós demos um tchau para minha mãe e minha irmã e partimos também num dia chuvoso.

Nosso trajeto até Posadas seria de dois dias, faríamos um caminho maior, de Florianópolis pegamos um pequeno trecho da BR-101, pois havia muito trânsito, carros e caminhões praticamente não nos viam. Pegamos uma estrada mais curta até Lages SC, trecho este com muitos postos bons, porém muito esburacada, às vezes tínhamos que ir à contramão pra desviar. Como nunca havíamos viajado assim, começaram as lições para uma viagem melhor.

Saímos em Julho, o mês mais frio, por isso pegamos até 6º graus na estrada e com chuva. Para esquentar, coloquei minhas mãos com a luva no bolso da jaqueta de meu pai e apoiei nele em vez de apoiar no encosto traseiro, impedindo assim que o vento batesse em meu peito, pois ele estava com roupa própria de moto, e eu apenas com uma roupa normal de frio por baixo da roupa de borracha para chuva. Nunca deixe de usar uma balaclava, uma luva impermeável de preferência e roupas de lã, ou roupas próprias.

Antes de chegar a Lages, aproveitamos a linda paisagem do planalto catarinense e seguindo conselhos de pessoas que conhecem, resolvemos subir o Morro da Igreja, o ponto mais alto de Santa Catarina, onde se localiza um radar da força aérea, a pedra furada e também um mirante que é possível avistar o mar num dia claro. De Lages descemos para Vacaria-RS, este segundo trecho estava pior, estava em obras e a pesada V-Max derrapava nas pedras soltas da estrada, alem de já estar escuro e com serração, coisa muito comum naquela região, pois é muito alta e bem mais fria.

Pelas condições decidimos dormir por lá mesmo, a cidade é linda, tem muitos lugares bons para dormir e um ótimo posto BR na estrada principal. Parece que chegamos na hora certa, pois foi só estacionar a moto na garagem do hotel que a serração desceu e a visibilidade era de aproximadamente 70 metros. No dia seguinte saímos às 6h 30min, pois teríamos que chegar em Posadas - Argentina naquele dia.

De Vacaria partimos para a fronteira de Panambí, aproximadamente 400 KM, era mais um dia frio e chuvoso, mas a paisagem compensava, o planalto gaúcho e catarinense que cruzamos era maravilhoso, e as estradas do RS davam uma vontade enorme de acelerar, bem melhores que de Santa Catarina, o asfalto gaúcho era um tapete preto. Nossa maior preocupação era a mesma de todos os V-maqueiros, onde é o próximo posto? Pois a autonomia da moto é de apenas 200 km.

Chegando a Passo Fundo-RS, senti o único momento ruim da viagem, chovia e fazia 4º graus, minha luva molhou e minha mão congelou, após implorar para o meu pai parar, ele parou num posto na cidade, quando tirei a luva minha mão estava roxa, não podia mexer; esquecendo do frio do resto do corpo pois a roupa de chuva era boa, e estava totalmente seco por dentro. Lá tomamos um café muito quente e veio uma idéia, colocamos luvas cirúrgicas por baixo das normais, foi a melhor coisa que fizemos, após isso, não senti mais frio.

De Passo Fundo fomos até Santo Ângelo-RS, cidade pequena, porém bem acolhedora, e lá, num posto, um homem vendo nosso mapa nos ajudou a encontrar um melhor caminho, ensinou a atravessarmos pela fronteira de Porto Xavier. Esta fronteira além de mais perto era mais rápida. Após a parada de Santo Ângelo, percebemos que foi só elogiar que tudo mudou, o asfalto era uma porcaria em certo trecho, com muitos remendos desnivelados, mas conseguimos chegar a Porto Xavier-RS.

Lá a fronteira era pequena e nem pediram muitas coisas, sequer olharam as bagagens, e lá também não tem transito para passar e as balsas saem de 40 em 40 minutos. Já do lado Argentino em San Xavier, tudo era mais difícil, pois olharam todas as nossas malas, e assim perdemos uns 30 minutos, enquanto do lado brasileiro foram apenas 7 minutos. Na Argentina, se você não estiver com tudo certo, dificilmente passa.

Passados todos os procedimentos a fazer, seguimos para Posadas, mais duas horas e meia de viagem. A melhor rede de postos lá é a YPF, além da gasolina de lá já ser naturalmente melhor que a brasileira, a moto ficou limpa e andava bem mais. As estradas são ótimas, lisas, e não há perigo, as pessoas são simpáticas e ajudam a encontrar o melhor caminho. Chegamos a Posadas já escuro e meu corpo pedia para descer daquela moto, pois já não sentia mais minhas pernas! Afinal, era minha primeira viagem!


Segue...


Fonte: Kaê Jais
Cidade: Florianópolis-SC-Brasil
Fotos: Hugo Alberto Jais
Publicado: Bruna de Oliveira Quadros
Date: 25/10/2005 <%insert_data_here%>

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  Evento 3362 - MotoViagem de Florianópolis a Argentina

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