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A Ginástica Olímpica a pouco ganhou visibilidade no Brasil. Mas, antes disso, muitas pessoas se dedicavam, lutavam pelo crescimento da modalidade. O INEMA conversou com Isabela, uma jovem atleta decidida a projetar seu futuro na ginástica.
As práticas esportivas são sempre valorizadas por adultos que buscam uma fuga do dia-a-dia conturbado em que vivem, querem um lazer saudável. Desde cedo as crianças são também incentivadas a ingressar em alguma modalidade de esporte. Isabela Stringari de Borba, 10 anos, escolheu a ginástica, ou, foi escolhida por ela.
Bem nova, Isabela deu seus primeiros passos na Ginástica Olímpica. Tinha três anos quando começou a aprender algumas acrobacias. O início, foi no Clube Círculo Militar, em São Paulo, cidade onde vive. Helga, mãe da garota, é formada em Educação Física e na época havia sido convidada para integrar a Diretoria de Esportes do clube, como Assessora de Ginástica Olímpica. Sua missão era ampliar o departamento.
A garota sempre acompanhava a mãe, já que no clube não havia atividade esportiva para sua idade. Foi inspirada em sua própria situação que Helga resolveu abrir uma turma de ginástica para crianças, a Baby Class. E junto a técnica Cláudia Palhano, estudou, pesquisou e por seis meses fez testes com Isabela, para ver a adaptação de uma criança a esta prática esportiva. Surgiu então a nova turma.
Desde que praticava a ginástica apenas como teste da mãe, já se passaram sete anos. Isabela cresceu e não largou o esporte. Ao contrário, se dedica sempre mais, conquista bons resultados que impulsionam seus sonhos. Com quatro anos já participava de competições recreativas e em 2003, encaminhada pela técnica do Circulo Militar, a atleta passou a treinar na Yashi, onde após um período de adaptação na rotina de treinos tornou-se parte da equipe Pré-Infantil da academia.
Isabela tem agora uma rotina de "gente grande". Acorda às 5:20hs para ir ao treino que começa por volta das 7hs e se estende até as 11:30hs, aos sábados os treinos têm maior duração ou são feitos em dois períodos com intervalo para almoço. De segunda a sexta-feira, espera pela mãe que as 12:15 chega para levá-la ao colégio. Sem muito tempo, almoça dentro do carro. As aulas se dão das 13 as 17:30hs e após, em dias alternados vai para o Kumon (curso de matemática) ou para a aula de teclado.
Chega em casa por volta das 19hs, janta, faz a lição de casa e dorme às 22hs, pois precisa estar descansada para outro dia cheio de compromissos. Todos os horários de Isabela são cronometrados, a rotina é apertada e exige muita disciplina para conciliar as tarefas. Domingo, é o dia que tem para descanso e fazer algo que também gosta muito, ficar em casa, no sofá, dormindo ou assistindo televisão.
Em qualquer esporte, é preciso ser dedicado tanto na aprendizagem quanto na alimentação. Isabela evita comer gorduras, frituras, massas, doces e refrigerantes. Seu prato é composto metade de verduras e legumes, ¼ de carboidratos (arroz, pão, massas) e ¼ de proteína (carnes, queijos e ovos) e frutas de sobremesa. Cereais integrais como arroz selvagem, soja, trigo, são permitidos e Isabela adora. No lanche, frutas, pão integral, queijo branco, ricota, tomatinhos. Pode parecer estranho uma criança não ter compulsão por guloseimas mas Isabela diz estar acostumada a não consumi-las.
"Já acostumei, não sinto falta. Desde que iniciei na ginástica escuto essas recomendações para as atletas. Agora chegou a minha vez de cumpri-las. Não posso engordar, qualquer acréscimo de peso já é sentido nos aparelhos." Isabela tem 1,35 metros e pesa 28,600kg. De acordo com seu biótipo e altura seus técnicos na Yashi monitoram seu peso para melhorar o desempenho.
Nos treinos, as quatro ou cinco horas diárias são divididas em aquecimento, preparação física e flexibilidade. Aparelhos (solo, paralelas, salto, trave) são treinados 3 por dia, sendo que trave e paralelas são diários e salto e solo se alternam. Também, há espaço específico para as acrobacias além de um horário para balet. A Ginástica Olímpica é um esporte onde todas as capacidades físicas são testadas e Isabela está na média em todas.
A atleta tem habilidade nos quatro aparelhos e em algumas competições se destaca na trave, um de seus preferidos junto ao Salto. Já o parelho que considera difícil é o Paralelas Assimétricas, que exige força de braços e abdômen. Hoje ela não tem medo de aprender novas acrobacias, mas confessa que nem sempre foi assim. "Aos 7 anos tinha de medo de fazer ponte para trás na trave alta sem proteção, pois ao lançar as mãos para trás tinha medo de não encontrar apoio e cair de cabeça. Agora dou risada, sei que a cada elemento novo é normal sentir receio."
Tombos, num esporte onde é preciso desafiar limites e buscar a perfeição, ocorrem o tempo todo. O processo de aprendizagem de uma nova acrobacia, leva tempo. São muitos erros até que se chega ao acerto e no caminho claro, as quedas. A atleta já caiu diversas vezes, mas felizmente poucas foram as conseqüências. Já luxou o tornozelo e quebrou um dedo da mão.
Das primeiras competições até as atuais onde os resultados são mais expressivos, Isabela acumula 98 medalhas, 3 troféus e uma série de títulos. Campeã Paulista Infantil 2005 e 4 lugar no Campeonato Brasileiro Infantil 2005, Vitória, ES sendo que em ambas competiu em categoria acima da sua, que é pré-infantil, Vice-Campeã Paulista Pré-Infantil 2004, Vice-Campeã T. Nacional 2004 - Curitiba, PR, 4º lugar no Campeonato Brasileiro Pré-Infantil 2004 - Pomerode, SC e Tetra-Campeã Copa São Paulo.
Mesmo com tantas vitórias ainda resta a Isabela muito espaço para sonhos. A garota quer ser Campeã Brasileira, participar do Panamericano e viajar muito para o exterior competindo. Enquanto seus sonhos não estão realizados, ela admira atletas consagradas, como Oksana Chusovitina, de 30 anos, idade já avançada para os padrões do esporte. "Ela é do Usbequistão e apesar da idade é uma das melhores do mundo. Continua a treinar e competir pois seu patrocinador custeia o tratamento para leucemia de seu filho de 6 anos" explica Isabela porque esta atleta lhe inspira.
Fica então o apelo de Isabela por mais reconhecimento do esporte. "Gostaria que os empresários olhassem um pouco mais para a ginástica olímpica que cresce a cada dia. A dificuldade para bancar despesas de competições (taxas, estadias, transportes e uniformes) é grande e faz com que ginastas de talento abandonam a modalidade. A falta de patrocínio é grande porque os patrocinadores exigem resultados imediatos e a ginástica é um esporte de resultados a longo prazo."
A quem tiver interesse em patrocinar a ginasta Isabela Stringari de Borba , entre em contato através da academia onde ela treina ou de sua página na internet.
Yashi Academia de Ginástica Olímpica - São Paulo
http://www.yashi.com.br - Fone: (011) 3812.3985 ou 3814.7316
Site: http://spaces.msn.com/members/isabelaginasta
Equipe INEMA
Fonte:
Isabela Borba Cidade:
São Paulo-SP Fotos: Isabela Borba Publicado: Michele Wesner Fernandes DATA: 08/11/2005
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