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5.400km, de moto, em 5 dias - Viagem

A aventura de Leandro Valim enfim realizou-se. De 7 a 11 de novembro de 2005, cruzou com sua moto, três países, Argentina, Uruguai e Chile. Em cinco dias percorreu mais de 5 mil quilômetros e voltou com muitas histórias para contar.

Sair de Porto Alegre, RS, para conhecer outros países, muitas pessoas o fazem, mas passar cinco dias em cima de uma moto e rodar 5.400 km são poucos que se aventuram a fazer. Leandro Antônio Valim de Oliveira, 34 anos é uma dessas pessoas corajosas, que prezam a liberdade e o praza de andar de moto, por isso, quando decidiu conhecer Uruguai, Argentina e Chile, não podia ser outro o veículo a lhe levar ao desconhecido.

Fazia já algum tempo que a vontade de protagonizar uma aventura de moto crescia em Leandro. Ficava curioso ao ouvir os amigos motociclistas comentarem suas viagens, contarem histórias das alegrias e dificuldades que passaram cheios de emoção e saudade. Então, de férias do trabalho, onde atua como contador, resolveu que era a hora de enfim ele próprio fazer sua viagem e contá-la depois.

Marinheiro de primeira viagem, Leandro não cuidou muito da preparação da roteiro. Companhia, não conseguiu nenhuma e por isso resolveu que seu passeio seria sozinho mesmo. Mandou a moto para revisão e nos dias anteriores tratou de estudar um roteiro básico e os mapas da região. Fez ainda planos sobre a quilometragem a ser percorrida a cada dia e de como seria sua rotina na viagem, mas como achava que um planejamento mais elaborado não funcionaria, parou por ai.

A escolha do roteiro foi simples, um lugar próximo que correspondesse a sua disponibilidade para o passeio e que ao mesmo tempo fosse desconhecido a ele. O motociclista já conhecia a capital argentina, Bueno Aires, mas só a tinha visitado em ocasiões de trabalho e sempre de avião. Chegava enfim a oportunidade de conhecê-la pela estrada e ver outras regiões.

Roteiro definido, moto revisada, faltava-lhe apenas organizar os documentos necessários, o dinheiro e a bagagem. Leandro levou alguns dólares no bolso, duas "tarjetas de crédito", carta-verde (espécie de seguro internacional), celular habilitado para roaming internacional, algumas ferramentas e spray para tapar furo nos pneus, idéias sobre roteiros alternativos para caso algum imprevisto acontecesse e muita disposição para encarar o desafio.

O único detalhe que lhe escapou, foi providenciar pneus adequados para viagens longas. - Não fiz quaisquer mudanças na moto. Mas, deveria ter colocado um pneu mais adequado para o longo percurso. No final isso foi uma preocupação e realmente tive muita sorte de conseguir chegar em casa sem nenhum furo, o pneu gastou até a lona. - comenta Leandro.

Como a preparação da viagem foi rápida e não envolveu muitos cuidados a cerca das rodovias, Leandro acabou passando por algumas dificuldades no território argentino. Quando quis fazer a travessia de barco até Buenos Aires, descobriu que os horários eram limitados. As embarcações saem de Montevidéo ou Colônia muito cedo, ou no final da tarde. Ocorre que o tempo de Leandro era curto, então foi preciso fizesse a travessia pela ponte internacional em Fray Bento. Não passou por Buenos Aires e ainda acrescentou alguns quilômetros no roteiro.

Ainda na Argentina, na Ruta 7, havia um trecho de rodovia inundado e foi preciso percorrer um desvio de aproximados 30 km de chão batido. Sem moto e pneus adequados para este tipo de terreno, Leandro precisou contar com a sorte que lhe acompanhava. Felizmente o terreno estava seco. - Se eu tivesse investigado antes sobre as condições das rodovias que pretendia passar, isso seria evitado, eu facilmente saberia sobre esse desvio, que parece ser já muito antigo.

Os países por que passou, impressionaram Leandro. No Uruguai, foram as excelentes estradas, os grandes edifícios e as belezas de Punta lhe chamaram a atenção. Segundo ele, a cidade de Montevidéu, lembrou muito Porto Alegre, pelas pessoas bebendo "mate" nas ruas no fim de tarde. A Argentina, marcou suas lembranças pelo relevo. Primeiro, com a longa planície e depois com as montanhas na região de Córdoba. Já no Chile, onde ficou menos tempo, grande recordação é da Cordilheira, ainda que a cidade de Uspallata, a última do lado Argentino também seja uma ótima alternativa de destino.

Tantos lugares bonitos por que passou, nenhum deixou o motociclista tão encantado quanto a visão das Cordilheiras. - Em vários momentos naquele trecho, eu me senti feliz e recompensado por ter conseguido chegar lá, ter tido a oportunidade de ver essa grande obra da natureza. Fiquei tentado a voltar com mais tempo para explorar melhor aquele lugar.

A comunicação nos países, para quem havia a pouco feito um curso básico de espanhol parecia que seria fácil. Mas, a viagem mostrou a Leandro, com algumas situações engraçadas, o quanto a pronúncia pode ser complicada e trazer bloqueios.

Não só a língua proporcionou fatos curiosos, policiais "engraçadinhos" também tentaram mostrar "seu bom humor". - Teve um oficial da aduana Argentina na ponte internacional, que buscando divertir-se as minhas custas com os colegas, perguntou qual era o "coche" que eu andava. Imagine a cena, botas de motociclismo, macacão de couro, luvas e capacete na mão, com a moto estacionada do outro lado da vidraça e ele todo sério querendo saber qual era o meu carro! Limitei-me a dizer que estava de moto, ainda que ele merecesse uma resposta mais divertida a altura da perguntinha safada.

Leandro contornou a brincadeira com bom humor, afinal, não seria na sua vigem que iria se incomodar com a piada. Ter feito os mais de 5 mil quilômetros foi para ele uma conquista, viu ser capaz de percorrer uma longa distância sozinho e sem sobressaltos. Realizou um antigo projeto que lhe impulsionou a fazer mais planos nesta direção, mesmo que sua moto não fosse a mais adequada. Uma Super Trail, acredita, seria melhor, tem maior autonomia, encara estradas de chão sem problemas e além de ser confortável.

O aventureiro rodou em média 12 horas por dia, com diversas paradas para abastecimento, alimentação e algumas fotos. Somente no último dia, é que reduziu as paradas e andou cerca de 15 horas para conseguir chegar em casa. A alimentação foi feita principalmente com lanches, só consegui tomar café no hotel após a primeira noite e como isso perdeu o horário dos barcos de Montevidéu para Buenos Aires. Não repetiu mais o feito, passou a sair cedo dos hotéis e comia nos postos. Ele brinca, que na próxima viagem a Argentina fará uma lista dos melhores alfajores.

Equipe INEMA

Fonte: Leandro Valim
Cidade: Porto Alegre-RS-Brasil
Fotos: Leandro Valim
Publicado: Michele Wesner Fernandes
Date: 21/11/2005 <%insert_data_here%>


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