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Ricardo Goiano: do futsal ao ciclismo

O jovem ciclista Ricardo Goiano é um exemplo de fibra e determinação. Mesmo sem patrocínio com os equipamentos e as demais dificuldades do esporte, não se deixa abater e vai em busca de seu sonho.

Natural de Goiás, Ricardo dos Santos Batista, mais conhecido por Ricardo Goiano, 22 anos, estudante de Educação Física, professor de spinning e ciclista confessa que sempre pedalou enquanto morou lá, mas sem competir. Quando completou 14, mudou-se para Belo Horizonte / MG para estudar e jogar futsal, na época o esporte foi levado tão a sério, a ponto de contar participação em campeonatos.

Na medida em que permaneceu em BH, foi proibido, pelos pais, de andar de bike devido ao trânsito pesado. O ciclista passou a treinar futsal apenas, chegando a jogar no time principal (profissional) de clubes como o Atlético Mineiro e Minas Tênis Clube. Entretanto, a decepção com o esporte o levou novamente ao ciclismo. Com 19 anos, montou sua 1ª bike em BH e pedalando pela cidade, conheceu uma turma que fazia trilhas e aí não parou mais, "caiu na terra". O atleta afirma que no início foi difícil:

"Fui sozinho mesmo. A única que me ajudou foi minha ex-namorada, Renata. Nem ela agüentou a rotina de treinos e o novo estilo de vida". Risos. "Hoje, meu patrocinador me apóia no que pode e meus pais começam a me dar uma ajuda moral maior. No Brasil, diferente de futebol, e apesar do Mountain Bike estar crescendo muito, é "sub-esporte". A desvalorização é alta", revelou.

O estudante diz que teve de trabalhar muito para comprar sua bike, que ainda não está completamente montada. Os pais ajudaram um pouco na aquisição de equipamento, e o patrocínio, grande ajuda no pagamento das inscrições, veio só depois de um ano. Conforme Ricardo Goiano, a situação atual está melhor, mas a bike de treino, uma speed, não tem câmbio dianteiro, a marcha é passada com o pé:

"Ciclismo é um esporte caro. Cada viagem é uma caixinha de surpresas, pois não sei se vou ter condições financeiras para ir competir", explicou o atleta que dá aulas de spinning e tenta conciliar os treinos e os estudos.

Os estudos, segundo ele, são um pouco prejudicados, mas nada que um bom planejamento não resolva. Como diz o ditado, para tudo tem um jeito. No entanto, a vida pessoal, como namoro, diversão, fica em segundo plano, às vezes, nem existe, para consolo "objetivos são objetivos".

Sua motivação e entusiasmo são movidos pela dedicação e empenho no esporte: "Costumo dizer que atleta é opção, ciclismo é paixão! Mas sempre penso que ser atleta está no sangue e não se explica. Hoje, é simplesmente tudo! Não ganho dinheiro com isso, na verdade, gasto quase tudo que ganho, mas tenho um objetivo, tentar ser o melhor", orgulha-se.

Desde 2003, há dois anos e quatro meses, Ricardo Goiano vem competindo. Já foram 25 participações até agora, com destaque para a Copa Ametur, a Copa Internacional Powerbar Reebok, o Desafio Estrada Real e duas edições do MTB 12h.

O atleta conta que quando andava com o pessoal da trilha, sempre passava muito "perrengue". Contudo, ele costumava treinar por conta própria, até que conseguiu ser o melhor da "galera". Um dia, seu amigo Paulinho falou sobre uma competição que se aproximava e aconselhou-o a participar:

"Nossa! Competição está na "veia". O problema é que não era uma disputa qualquer, era uma etapa da antiga Copa Ametur. Foi divertido, parei na primeira volta, mas foi o marco inicial, quando coloquei na cabeça que iria treinar para conseguir andar junto com os grandes", confessa Ricardo.

Antes de cada competição, o ciclista segue um roteiro de treinos árduos, como a preparação para o MTB 12h, cujo treinamento chegou a percursos de 2 mil km por mês, mais de 5 h de bike por dia e não menos que 90 km diários. O maior desafio para ele, analisado como objeto de estudo, foi a adaptação do lado psicológico voltado ao ciclismo, visto que Ricardo Goiano seguia o que aprendeu com o futsal:

"Os treinos são, em geral, desgastantes para provas curtas e desumanos para provas longas, como o 12h, mas meu maior desafio é a superação psicológica; principalmente em provas longas", argumentou.

Além da falta de patrocínio para fornecer equipamentos, o ciclista também se preocupa com o material para evitar problemas mecânicos, a estratégia e as eventuais dores de cabeça causadas pelo esforço contínuo. Apesar das inevitáveis dificuldades que fazem parte da vida dos melhores atletas, Rodrigo Goiano acredita estar na melhor fase de sua carreira. O atleta se sente forte e saudável, sem apresentar doença ou machucado há tempos, resultando em uma boa seqüência de treinos:

"Estou no meu melhor momento! Consciente de que tenho que melhorar muito, ainda estou longe dos dez mais, porém, minha meta é ser o melhor. Não sei se vou conseguir, mas vou treinar para isso", fala entusiasmado.

Equipe INEMA

Fonte: Ricardo Goiano
Cidade: Goiânia-GO
Fotos: Ricardo Goiano
Publicado: Natália Cagnani
DATA: 29/11/2005 <%insert_data_here%>

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