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Elcino e sua esposa Karla realizaram entre maio e junho de 2005, uma viagem aos Lençóis Maranhenses. Confira a I parte do relato de Elcino!
10.05.2005: Finalmente conseguimos sair pra viajar, parando na subida da serra de Teresópolis para um café expresso e foto do dedo de Deus. Seguimos pela BR-116 até Muriaé - parada para ver os parentes - e como resolvemos pernoitar lá, decidi trocar logo o pneu traseiro pra aproveitar a tarde. No borracheiro, indicado pelo meu mecânico Joaquim, achei graça do sistema de frisagem de pneus (o povo quer usar o pneu até chegar na carcaça) e, para minha surpresa e gratidão, o remendo da câmara velha estava quase soltando e poderia nos deixar na mão se resolvesse trocar o pneu só em Governador Valadares ou Teófilo Otoni. Passamos na casa do papai e ninguém atendeu, desistimos e fomos dormir para prosseguirmos a viagem no dia seguinte bem cedo.
11.05.2005: Seguimos pela BR-116 até Vitória da Conquista, num trecho que gosto muito (Minas Gerais até a divisa com a Bahia). Com exceção da multa que levei a 107 km/h numa reta imensa e sem nada em volta (limite 100 km/h) - reclamei uns dez minutos no ouvido do guarda - a viagem prosseguia tranqüila e gostosa. Itaobim e a ponte sobre o rio Jequitinhonha, sempre lindo, estava cheio devido à época de chuvas. Passamos a divisa e tocamos até Vitória da Conquista, onde pernoitamos.
12.05.2005: Passamos Jequié e paramos para almoçar em Milagres.
Tinha um coroa de 80 anos com dois filhos viajando sem destino - pegaram o carro e saíram pelo interior. Me lembrou umas viagens que fiz com meu pai. Milagres é sempre bom de parar pra fotografar - que vista linda.
Seguimos até Feira de Santana, onde nos indicaram uma estrada estadual que sairia do trânsito e dos buracos da BR-324, passando por Serrinha e Valente. Caiu a tarde e resolvemos antecipar a parada em Senhor do Bomfim, onde escolhemos um hotel de boa aparência, porém com mosquitos me perturbando a noite toda e cozinheiras nos acordando com conversa alta às 5:00 horas. Não havia água quente no nosso quarto e tivemos que tomar banho em outro - este foi eleito mais tarde o "Espelunca" da viagem.
À noite saímos para comer e a Karla chamou um casal pra sentar conosco, o que rendeu muitas piadas e casos engraçados e a informação de que havia uma cidade próxima com mina de esmeraldas - Campo Formoso. Foi o que mais valeu ter parado nesta cidade, que segundo o casal falou é a "Pelotas" da Bahia. Depois vimos uma vídeo locadora toda cor de rosa e constatamos um fundo de verdade nisso.
13.05.2005: Acordamos com as cozinheiras falando tão alto, às 5:00 da manhã, que resolvemos arrumar as coisas e sair logo para Campo Formoso. A cidade impressiona com soldados fortemente armados nas esquinas e a praça central é folclórica: há mesas de cimento onde ficam negociantes de esmeraldas e em toda a praça pessoas vendem pedras preciosas - compramos pequenas lembranças (esmeralda, ônix, turmalina, búzio, ametista e quartzo) e seguimos para Juazeiro e Petrolina. Queria ter ido conhecer a mina de cromo, porém sairíamos 120 km de nossa direção e desistimos. Pegamos de novo a BR-407 e seguimos para Juazeiro.
Faltando alguns quilômetros, a Karla sintonizou a música sobre as cidades: - nas margens do São Francisco nasceu a beleza, que a natureza ela conservou, Jesus abençoou com sua mão divina, pra não morrer de saudade vou voltar pra Petrolina; do outro lado do rio tem uma cidade que na minha mocidade visitava todo dia, atravessava a ponte, ai que alegria, chegava em Juazeiro, Juazeiro da Bahia...-, com Alceu Valença, e foi muito gostosa a chegada e travessia da ponte que as une, sobre o "Velho Chico".
O motorista do carro que vinha atrás de nós ficou excitado com o nosso visual e placa de longe, nos parou pra conversar e mais tarde, por coincidência, a Karla iria no salão da esposa dele para fazer unha. Almoçamos num restaurante na margem do Rio São Francisco, comemos um peixe delicioso e tomamos vinho do vale do São Francisco, e depois fomos procurar hotel no centro. Resolvemos tirar este dia em Petrolina para curtir a cidade, dar geral na moto - lavagem e lubrificação, passeios, shopping e internet.
14.05.2005: Trecho: Petrolina-Teresina-São Luis
Saímos cedo pela BR-407 e, de Petrolina a Afrânio (Pernambuco) o asfalto está bom, já entrando no Piauí vai piorando até ficar só cascalho - este trecho de 30 km fizemos em cerca de 1:30 horas. Vimos uma cena estranha: dois rapazes meio escondidos na vegetação do acostamento do outro lado, com um porrete na mão e olhando para a estrada no sentido contrário ao nosso - dizem que este trecho tem muito assalto a ônibus e caminhões.
Depois o asfalto foi aparecendo de novo com buracos espaçados e, como sempre, jegues e bodes soltos e atravessando a pista. A moto (XT600) vem vencendo bravamente todas as dificuldades e só perdeu a porca da seta dianteira e queimou o farol baixo (troquei em Sr. do Bomfim), e mesmo com três malas cheias, mochila de tanque, eu e a Karla, está fazendo cerca de 20 km/litro de consumo.
Algumas cidades no Piauí são tão pobres que ficávamos imaginando do que aquele povo vive, é um deserto a estrada e não vimos indústrias nem muito comércio, com exceção de Picos (terra do mel e água mineral) e algumas mineradoras pelo caminho. As crianças vendem milho assado na brasa na estrada (uma delícia) e não insistem nem pedem esmola. A caatinga nesta época de chuvas está verdinha e toda florida, durante a viagem sentimos cheiros diferentes de ervas, frutas e flores. A cabritada e jegues são como da outra vez, soltos e atravessando lentamente a pista.
Paulistana-PI é um capítulo à parte: há dez anos passamos por lá e nos hospedamos no único hotel da cidade, muito simples porém o mais limpo que já ficamos em toda a nossa vida. Ficamos com vergonha de entrar no quarto, pois estávamos sujos e empoeirados devido às péssimas condições da estrada. O lençol e a colcha estavam passados e engomados sem uma única ruga, dava vontade de deitar no chão (cimento pintado com xadrex) de tão limpo. No banheiro haviam dois chuveiros quase encostados um no outro e perguntamos por que dois: - Um é quente e outro é frio!!! Seguramos para não rir, pois imaginamos como tomar banho com quente e frio caindo lado a lado?
A dona do hotel - D. Eminervina - uma figura! Continua altiva, com muita fé e a mesma simpatia. Sofreu uma injustiça incrível: - o filho mais velho (engenheiro da Embratel em Teresina) teve a coragem de tomar o hotel dela e arrendar, pois está no nome dele, deixando a própria mãe sem lugar pra morar. O prefeito cedeu um quarto no Centro Social, os comerciantes o reformaram e fizeram um banheiro e um sobrinho de Belém deu a mobília. O juiz da cidade determinou que o filho pague um salário pra ela e, apesar desta decepção, ainda mantém a serenidade e alegria de dez anos atrás. Foi demais, nos abraçou muito e disse que ia rezar por nós.
Paramos em Picos para almoçar e a dona do restaurante, quando viu a moto toda carregada e com placa de longe parou pra conversar com muita empolgação. Após o almoço, nos deu mel e própolis produzido em seu sítio - povo muito simpático. Onde passamos ou paramos despertamos curiosidade, tanto pelo tamanho da moto (só vimos 125 por aqui) quanto pelos equipamentos - malas, tanque maior, parabrisa, etc. Em vários trechos, vemos a chuva ao longe e nem colocamos mais as roupas impermeáveis, deixamos molhar e secamos depois com o vento, pois as chuvas são localizadas e depois vem o sol forte.
Segue...
Fonte:
Elcino Del Penho Júnior Cidade:
Vitória da Conquista-MG-Brasil Fotos: Elcino Del Penho Júnior Publicado: Élen de Cássia Pereira Date: 01/12/2005
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