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Na clara imensidão tomada pela branca neve, entre pingüins e aves antárticas, Zelfa consolidou uma incrível aventura pela Antártida. Lagos congelados. Montanhas cobertas pelo gelo. Completos museus. Aventure-se pelo gélido continente.
Neste último dezembro, 2005, tive a oportunidade de voltar novamente à Península da Antártida. Como sempre, foi uma aventura maravilhosa e, desta vez, uma das minhas irmãs me acompanhou.
Chegamos em Ushuaia, a cidade mais Austral do mundo, no sul da Argentina, onde pernoitamos. Aproveitamos para conhecer a Estância Harberton, uma das pioneiras na criação de ovelhas na Terra do Fogo. Hoje tem um museu lindíssimo sobre o estudo dos cetáceos, com um display de vários ossos de baleias.
No outro dia, já com nossos companheiros de viagem, fizemos uma excursão pelo Parque Nacional Tierra del Fuego e depois almoçamos um delicioso churrasco de cordeiro patagônio. Caminhamos um pouco pela cidade, ligamos para o Brasil para dar um alô à família e chegamos ao Porto do Ushuaia para embarcarmos a bordo do Akademik Shokalkskiy, às 16h.
Fomos muito bem recebidos pelo staff da Quark Expeditions que nos assistiram as nossas cabines, onde as malas já estavam, botas de borracha e jaqueta polar para usarmos durante a expedição.
A navegação pelo Canal do Beagle foi ótima, sem vento, e deu para ficar bastante tempo no deck, até que nos chamaram para fazer a apresentação dos barcos de salva-vidas. Quando terminamos de jantar, já estávamos em mar aberto, cruzando a famosa Passagem do Drake.
São 1000 km do Ushuaia às Ilhas Sthetland do Sul, no começo da Península da Antártida. O Drake estava como um lago, e o vento estava a favor, ajudando com que a travessia fosse mais rápida. Enquanto isso, os naturalistas a bordo deram várias palestras relacionadas com os temas antárticos. O staff da expedição era da Austrália, França, Noruega e Estados Unidos.
O Akademik Shokalskiy foi construído na Finlândia, em 1982/83, para o uso dos científicos russos e reformado para o turismo nestes últimos anos. O barco leva 48 passageiros e 32 tripulantes, incluindo o staff. A tripulação russa do Akademik Shokalkskiy vem toda de Vladivostok, e desde o capitão até sua equipe, são todos muito experientes em navegar nas regiões polares.
Nossa primeira descida a terra foi na Half Moon Island, uma baía de 2 km, entre as Ilhas de Greenwich e Livingston. Aproximadamente 3 mil pares de pingüins antárticos fazem seus ninhos, e muitas variedades de pássaros marinhos com seus ninhos no topo das montanhas. No outro lado da ilha está a base argentina Camera. Fomos numa caminhada pela ilha para ver as colônias dos pingüins, escutar seus sons e ruídos.
Depois do café da manhã, descemos em Hannah Point, ao sul da Ilha Livingston. Observamos uma colônia grande de pingüins papua e antárticos, alguns já com filhotinhos. Vimos dois pares de pingüins macaronis, que são subantárticos, mas estão aí, no meio dessa multidão de pingüins antárticos.
Em Hannah Point, encontramos muitos elefantes marinhos que estão lá, no verão, mudando de pele. Nos divertimos vendo os machos juvenis brigando por seu território.
Depois do almoço chegamos à Ilha Decepção. Desembarcamos em Whaler's Bay, a baía onde, no passado, mataram milhares de baleias. Caminhamos pelos antigos tanques onde queimavam o óleo das baleias e pelos restos das estações da Noruega e da Inglaterra. Esta é uma das paradas favoritas dos barcos antárticos, e com a água térmica, os turistas corajosos se banham na Antártida. Os que entram na água, recebem um certificado assinado pelo capitão e pelo líder da expedição por participarem do Hot Tub Club da Antártida!
Depois de um dia de muitas emoções, de volta ao barco, nos encontramos no bar onde o staff fez uma recapitulação do dia e explicou a programação do próximo. Nossa simpática bartender tinha um drink especial chamado 'O sorriso do pingüim antártico', aproveitamos para celebrar junto com nossos companheiros de viagem que, aliás, vinham de várias partes do mundo.
Nosso terceiro dia na Antártida foi tremendo! Começamos bem cedinho com um café e crossants, às 6h da manhã, e em seguida descemos na Ilha Cuverville, no Canal Errera entre a Península Artowskiy e a parte norte da Ilha Ronge, oeste da Terra de Graham. Esta ilha foi descoberta por Gerlache durante a Expedição Belga de 1987-1899 e foi nomeada em honra a um almirante da marinha Francesa. Esta pequena ilha tem uma colônia de 4800 pares de pingüins papua. Cuverville estava coberta de neve, mas, assim mesmo, caminhamos de um lado a outro para ver as diferentes vistas e as colônias de pingüins.
À tarde desembarcamos no Continente Antártico, na Bahia de Neko. O dia estava espetacular com muito sol, o que fez todo o gelo brilhar na Antártida.
Fizemos uma caminhada montanha acima. Fazia tanto calor que ao chegarmos lá em cima, todos tiramos as jaquetas e ficamos só de camisa. Esta pequena baía está ao leste da Bahia Andvord, a qual foi a primeira avistada e marcada pela Expedição Antártica Belga de Gerlache. Esta baía foi nomeada pelo barco "Neko", um antigo baleiro que operava nas Ilhas Shetland do Sul e na Península da Antártida. Neko é a casa de 250 pares de pingüins papua, assim como skuas (aves predadoras) e gaivotas antárticas.
O dia estava tão espetacular que nosso staff do restaurante nos presenteou com um churrasco no deck do Skokalskiy. Foi uma experiência maravilhosa estarmos ancorados na Bahia de Wilhelmia, ver a majestosa vista das montanhas cobertas de gelo, com seus glaciares e o silêncio absoluto nesta parte do planeta, onde faz o ser humano se sentir tão pequeno em comparação com a imensidão da natureza. Nossos cozinheiros se esmeram para nos servirem uma variedade de carnes, e deliciosos pratos que acompanhavam o churrasco. Também tomamos um delicioso quentão austríaco.
À noite escutamos um movimento de barco e zodiac. De manhã, encontramos duas caras novas. Um inglês e uma americana, científicos, que tinham passado o ultimo mês contando os pingüins Adelies na Ilha Petermann. Estavam pegando carona com os barcos de passageiros para poderem chegar ao Ushuaia a tempo de embarcarem de volta para suas casas antes do Natal.
Zelfa
Equipe INEMA
Fonte:
Gunnar & Zelfa Silva Cidade:
Península da Antártida-EX-Antartica Fotos: Gunnar & Zelfa Silva Publicado: Natália Cagnani Date: 19/01/2006
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