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Nos dias 13, 14, e 15 de janeiro de 2006 Ronésio e seus parceiros de jornada, Saulo e Mauro, realizaram uma viagem que culminou com uma trilha inesquecível. Confira a parte II de como foi esta aventura!
Tivemos que virar as motos no meio da cava, quando desabou um temporal e choveu cerca de duas horas. Subimos com as motos até a bifurcação, indo de encontro à água que descia em cascata pela trilha. Trovões e relâmpagos explodiam sobre nossas cabeças, como se a mãe natureza quisesse mostrar para seus três filhos quem mandava na casa.
Continuamos a descer passando por trechos tão estreitos com um paredão de um lado e um barranco no outro, que um só vacilo e desceríamos barranco abaixo. E tome chuva no lombo. Os riachos, antes pequenos, se tornavam rios caudalosos, tornando sua travessia cada vez mais difícil. O último que conseguimos passar, passamos com a água cobrindo a roda dianteira.
Finalmente a chuva amainou e chegamos em uma outra casa de propriedade do seu Olmiro Brando Francisco que nos deu a informação que faltava só 2 km para sairmos na estrada, passando por dois grotões e três riachos. Agradecemos a informação e seguimos pela trilha. Já eram cerca de 19 horas. Subimos o grotão e chegamos ao primeiro riacho. Eu acho que ele se encheu de razão (e de água) para não nos deixar passar. Era cerca de sete metros de largura com uma corrente muito forte. Amarrando uma corda em uma árvore para não correr o risco de ser levado pela correnteza, o Saulo entrou no riacho para ver se era possível passá-lo. Ledo engano. Tudo o que conseguimos foram fotos que ficarão na nossa história para sempre, mostrando o Saulo com água pelas cochas, lutando contra a correnteza para se manter em pé.
Como não tinha jeito, estávamos nos resignando de passar a noite no mato, quando chegou o Olmiro para nos avisar que o rio estava cheio e seria difícil passar. Foi então que ficamos conhecendo melhor esta pessoa maravilhosa, que se preocupou conosco, vindo até o riacho para nos avisar e nos ofereceu pouso em sua humilde morada. Resolvemos aceitar a oferta, pois não seria nem um pouco interessante dormir no mato e retornamos para a sua casa onde ele nos serviu um café com pão feito por ele e mel. Foi a nossa primeira refeição desde às 8 horas da manhã quando saímos de Riozinho.
Existem pessoas neste mundo que nasceram para fazer o bem. Certamente o Olmiro é uma destas pessoas. Ele nos cativou com a sua conversa e simplicidade, oferecendo a mão amiga a três estranhos que estavam em dificuldades, nos acolhendo como se fôssemos velhos conhecidos. Sua casa simples, no meio do nada, sem luz elétrica, foi um refúgio,para três aventureiros, que passaram a considerá-lo como um verdadeiro amigo. Depois de muita prosa e chimarrão, ele nos serviu um arroz com feijão e ovo frito, que para nós foi como um verdadeiro banquete.
A conversa se estendeu até altas horas, quando fomos dormir. Na casa podíamos escutar o ronco dos bugios assustados no meio da noite. Era uma noite de lua cheia, com o céu estrelado e limpo, destes que só se vê num lugar como aquele e nos faz pensar o quanto a vida pode ser simples.
Pela madrugada, fui acordado pelo bater de asas e canto do galo, que insistiu em cantar às 4, 5 e 6 horas, como a nos dizer: "Levantem seus preguiçosos. Novas aventuras os esperam".
Com efeito, após a terceira cantada levantamos para ver o sol nascendo no meio das montanhas, o que nos proporcionou um lindo visual.
Tomamos um café servido pelo Olmiro e colocamos as roupas molhadas da trilha, para continuar nosso caminho. Nos despedimos do Olmiro com uma certeza. Se antes tínhamos mil amigos, agora temos mil e um. Este é um ditado que ele citou para nós e que ficou na minha mente.
Subimos o grotão e o riacho, antes caudaloso, se transformara num córrego manso e raso. Passamos por ele sem dificuldades, por mais um riacho e pelo rio até chegarmos na Rota do Sol e subirmos em direção a Tainhas.
Abastecemos novamente em Tainhas e voltamos pela estrada da fazenda, agora um verdadeiro barral, com o barro alto, me fazendo lembrar do Curral de Santa Tecla quando chovia, nos bons tempos de DT-180. Fiz este trecho todo em pé, de arame esticado, indo de vez em quando nos barrancos e deslizando para os lados, num verdadeiro balé no meio do barro.
Chegamos na estrada, descemos a serra pelo Chuvisqueiro e voltamos por Rolante e Taquara, sempre rodando em estradas secundárias até nos separarmos em Santa Tecla.
Sem dúvida alguma, esta viagem ficará para sempre na minha lembrança e no meu coração. Aos parceiros Saulo e Mauro, o meu muito obrigado pela aventura e companheirismo, pois em momento algum tivemos qualquer divergência de opiniões, o que mostra a grande parceria que temos para este tipo de aventura.
Ao Olmiro, nosso anjo da guarda, um agradecimento todo especial, pela acolhida e bom coração. E como ele mesmo diz:
" Se antes ele tinha mil amigos, agora ele tem mil e três"
Um grande abraço a todos...
Ronésio
Fonte:
Ronésio da Silva Cascaes Cidade:
Canoas-RS-Brasil Fotos: Ronésio da Silva Cascaes Publicado: Élen de Cássia Pereira Date: 23/01/2006
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