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Marcelo Fuzinato conhece bem o significado da palavra "recomeçar". Uma decisão resultou numa reviravolta que mudou sua vida...para melhor.
Um destino estava sendo selado no dia 1º de julho de 1971, na capital paulista: nascimento de Marcelo Fuzinato. O engenheiro mecânico, pós-graduado em marketing e educação ambiental, trabalha com a organização de expedições para veículos 4x4, mas nem sempre foi assim.
Viagens sempre fizeram parte de sua vida. Desde pequeno, visitando lugares diferentes com os pais. Férias? Na praia ou no interior de São Paulo, em família. O interesse por Off-Road surgiu quando ele comprou seu primeiro jipe, mas a intenção foi outra:
"Na verdade, só comprei o jipe, porque meu carro, na época, não estava mais agüentando os tipos de lugares em que eu gostava de ir. O jipe, para mim, nunca foi algo só para fazer trilha, sempre foi para viajar mesmo", explica.
Antes de se dedicar a expedições, seguindo a convicção que sentia em relação às viagens, Fuzinato tinha uma carreira estável e segura. A possibilidade de crescimento profissional estava sempre ao lado. Ele trabalhava numa multinacional, na cidade grande, com tudo à disposição.
A paixão falou mais alto. O que fazer? Seguir, ora. A profissão não deve contar apenas com dedicação e competência, mas também com o amor e a satisfação pelo que faz. Fuzinato largou tudo para recomeçar. O primeiro passo foi a fundação da empresa GAIA Expedições:
"Não pensava que a paixão pudesse vir a ser profissão, mas, sempre achei que nossa profissão faz parte do nosso dia-a-dia. A vontade de trabalhar em algo que realmente gostasse e fazer do meu 'hobby', minha profissão, fez-me querer recomeçar", revela.
A decisão que mudou sua vida se concretizou no retorno de uma expedição, de um mês, pelo Peru e pela Bolívia, em 2001. Ao chegar de viagem, após mais de um ano de planejamento, Fuzinato percebeu o quanto gostava daquilo, mais do que podia ter imaginado. Por aí foi, e não parou mais.
Arrependimentos? Com convicção, nenhum. Como tudo na vida, segundo ele, encontrou dificuldades, ainda mais no começo. Acontece. No início então, é mais comum. Até que a direção certa se efetive e tome o rumo ideal, demora. Paciência e perseverança são a chave:
"O caminho é e continua difícil. Eu acabei entrando de cabeça. Não fiquei planejando, fazendo contas. Fazendo uma coisa e continuando a trabalhar em outra. Acredito que nada é conseguido desta maneira. Tem que entrar de cabeça", aconselha, acrescentando que para superar ele seguiu acreditando em seus ideais e na sua filosofia de vida.
Largar tudo para recomeçar. Fuzinato assegura que teve total autonomia em sua decisão. Sem influências externas. No entanto, ressalta que sempre contou e ainda conta o apoio da família:
"Alguns acham que é loucura, mas de louco, todo mundo tem um pouco, não?", brinca.
A fim de recomeçar, o proprietário da empresa Gaia Expedições trocou a agitação da cidade grande pelo sossego de uma das poucas regiões que ainda concilia o ambiente natural com o urbano: Brotas.
Localizada no coração do estado, fica a 239 km de São Paulo. A cidade é conhecida por seu desmedido potencial para o ecoturismo e para o turismo rural. Envolvida por nascentes e rios encachoeirados, que cortam vales e encostas, tornou-se ponto de referência para a prática de esportes de aventura aquáticos como o Rafting (descida de corredeiras, remando a bordo de um bote inflável), o Bóia-Cross (descida em correderias, com bóias individuais), a Canoagem (esporte praticado em canoas, caiaques e wave-skis) e o Canyoning (descida de um "canyon" e suas cacheoiras, através de uma corda).
A família de Fuzinato é da região, de uma cidade próxima a Brotas. Um pouco de conhecimento e uma natureza privilegiada muito próxima chamaram sua atenção. Mínima estrutura urbana. Convívio constante com diferentes pessoas. Atrativos convidativos a quem gosta de uma boa expedição: descobertas. O proprietário da GAIA confessa que o ambiente urbano nunca o fascinou:
"Nunca gostei de morar em cidade grande. Sempre apreciei estar perto da natureza e também não sou apegado ao consumismo urbano. Por essas razões, não preciso, fisicamente, estar num centro urbano, principalmente com a tecnologia hoje, que aproxima demais as pessoas", avalia.
Equipe INEMA
Fonte:
Marcelo Fuzinato - GAIA Expedições Cidade:
Brotas-SP-Brasil Fotos: Marcelo Fuzinato - GAIA Expedições Publicado: Natália Cagnani Date: 24/01/2006
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