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Uma aventura de 8000 kms onde as belíssimas paisagens foram apenas plano de fundo, diante de tantas aventuras e culturas diferentes num mesmo país. Confira a parte III do relato da Expedição Lençóis Maranhenses, que aconteceu em janeiro de 2002.
Nesse dia entramos na Bahia e seguimos para Avelino Lopes, Arueria e finalmente Santa Rita de Cássia. Em Avelino Lopes o pessoal do bar não acreditava que pudéssemos chegar e diziam outras opções de rotas, desviando cerca de 350 km por asfalto. Mas como tinhamos a informacão que tinha condições de passar, arriscamos e em cerca de 10 horas completamos toda a travessia. Passamos por incrivel que parece pelo polígono da seca completamente embaixo de chuva e quase tudo alagado, realmente um fato bastante pitoresco.
A cidade que chegamos no final do dia é banhada pelo Rio Preto, um sub-afluente do Rio São Francisco, ele deságua no Rio Grande que por sua vex deságua no São Francisco. Conseguimos nos instalar em um pousada bem localizada, pois tinhamos levado um recado de um senhor que estava com o carro quebrado na estrada e era dono da pousada. Finalmente conseguimos esticar os ossos, tomar um belo banho e comer em um lugar bacana. Como em toda a cidade a pergunta se somos do Rally e a hospitalidade continua em todos os lugares que passamos. Amanhã seguimos para a Cachoeira do Acaba Vida, quase divisa com Tocantins a Oeste. Nesses dois dias traçamos no mapa um trecho onde não há indicação que existe estrada, estrada não existe mesmo, mas foram dois dias que nos divertimos bastante e conhecemos uma área bastante inóspita na divisa do Piauí com a Bahia.
Agora partimos de Sta. Rita de Cássia e continuamos seguindo em direção sul cruzando a Bahia pela parte mais a Oeste do estado, finalmente por volta das 21:00hs chegamos a cidade de São Domingos já no estado de Goiás, porta de entrada para o Parque Estadual de Terra Ronca, apesar da distancia não ser grande, nosso deslocamento foi um pouco lento, tivemos que parar em um posto para fazer uma rápida manutenção em um dos Jipes que a essa altura todos apresentavam alguma avaria.
O maior atrativo turístico do parque são, sem dúvidas, as grutas e cavernas, que possue esse nome devido ao "ronco" dos rios dentro de suas cavernas, além de atrair espeleólogos, turistas, aventureiros e curiosos de toda parte do mundo para conhecer as belezas naturais, florísticas e da fauna, os rios de águas cristalinas, que formam lagos subterrâneos, e os enormes salões internos das cavernas, ricos em minerais, e as formações rochosas, formadas pelas belas e expressivas estalactites e estalagmites. A diversidade biológica do parque é enorme, já foram registradas mais de 150 espécies de aves, e quase 50 de mamíferos. A vegetação, formada por cerrado, cerradão, matas de galeria e veredas, se constitui em excelentes habitats para uma enormidade de espécies animais.
A região é ainda muito bem servida por rios, dos quais cinco pertencem à bacia do Paranã e formam um dos mais belos e significativos conjuntos geoespeleológicos do mundo, alguns inclusive sumindo dentro das cavernas. Passamos dois dias inteiros visitando o parque e já completávamos 20 dias de viagem e precisávamos seguir, dessa vez tomaríamos o rumo para sudeste para atravessarmos todo o Parque Nacional Grande Sertão Veredas.Partimos logo cedo, atravessamos o Terra Ronca completo e seguindo por Posse, Sitio d´Badia, Formoso e finalmente adentramos no parque. Vale salientar que esse parque não possue estrutura nenhuma, nem portaria de entrada e de saída.
Como havíamos planejado cruzar todo o parque, navegávamos utilizando o GPS (Global Position System), pois a região é cortada por inúmeras estradinhas de terra que levam a antigas fazendas, portanto, antes de se aventurar por esse parque vale a pena se informar muito bem sobre as condições da travessia e das bifurcações. Finalmente no final de tarde conseguimos arrumar uma área para acampar, ao lado de um belo rio onde duas famílias de sem terra moravam, montamos nosso acampamento, fizemos nosso jantar e pudemos ficar apreciando o belíssimo céu, longe de qualquer iluminação artificial.
Homenagem ao escritor Guimarães Rosa, o Parque Nacional Grande Sertão Veredas preserva parte do planalto denominado Chapadão Central, que divide as bacias dos rios São Francisco e Tocantins. Com topos relativamente planos, sua altitude varia entre 600 e 1.200m, enquanto os vales, limitados por margens bem definidas, têm áreas sujeitas a inundações. A vegetação é dominada pelo Cerrado, com suas diferentes fisionomias, mata de galeria nas margens dos rios Preto e Cariranha, vereda, campo limpo, campo sujo, cerrado propriamente dito e cerradão. Os caminhos passam por estradas que apresentam erosões, trechos de areião, terra batida e mata fechada. Será preciso muita atenção à navegação, pois às vezes as trilhas irão sumir e reaparecer discretamente metros a seguir. Se possível, viaje com mais de um carro. O lugar é um ótima opção para quem quer praticar fora-de-estrada mais pesado, passando por erosões e bancos de areia.
Atravessamos o parque de Oeste a Leste, saindo na cidade de Chapada Gaúcha e seguimos por uma estrada de terra batida e cheia de costela de vaca até Arinos, onde finalmente descansamos. Nossa viagem já estava chegando ao fim, a sensação de estarmos em Minas Gerais já nos dava um coforto de estarmos próximos a nossas casas, exceto Moa e Lori que ainda tinham que retornar ao Rio Grande do Sul, de qualquer maneira o tempo a essa altura voava e nos lembrava do conforto de nossos lares.
Seguimos de Arinos para Paracatú, Coromandel, Araxá e pegamos estrada de terra novamente até São João Batista, entrada Norte do Parque Nacional da Serra da Canastra. Conseguimos no meio da escuridão acampar ao lado de uma bela cachoeira, ainda fora dos limites do parque. O dia amanheceu, desmontamos o acampamento, tomamos um belo e refrescante banho de cachoeira que há dias não víamos e seguimos atravessando a belíssima Serra da Canastra, berço do Rio Sâo Francisco e a belíssima cachoeira Casca D´Anta onde serviu de último abrigo para retornarmos dessa incrível aventura.
Depois de experiência em expedições pela América do Sul tais como (Expedição Pré-Colombiana-2001, Expedição Ano 2000, Expedição ao Fim do Mundo ? Ushuaia-1999, Expedição Atacama-Machupicchu-Titicaca-fev 2000 e Expedição Rumo a Ushuaia-Ilha Chiloé-2001) vividas pelos integrantes dessa viagem, a experiência de viajar em nosso país continua sendo incrível e como diria o velho Gonzagão "Minha vida é andar por esse país, pra ver se um dia descanso feliz..." não saía de nossas cabeças. Meus sinceros agradecimentos aos meus companheiros nessa aventura, Fernando Teubl Ferreira, Daniel Vianna Paglia (Puff), Marco Aurélio De Paoli, Tércia Pilomia De Paoli, Moacir Bergonsi e Loreni Ribeiro. A todos que apoiaram e incentivaram nosso trabalho, a Oficina Especializada TOYOTA (Sr. Carlos), TOYOMAX e PECCIN, fornecedora dos doces que distribuimos a inúmeras crianças. Uma realização da GAIA Expedições (www.gaiaexpedicoes.com).
Marcelo Fuzinato
Fonte:
Marcelo Fuzinato - GAIA Expedições Cidade:
São Domingos-GO-Brasil Fotos: Marcelo Fuzinato - GAIA Expedições Publicado: Élen de Cássia Pereira Date: 25/01/2006
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