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De 29 de Janeiro a 05 de Fevereiro de 2006 aconteceu o Desafio de los Volcanes 2006 com largada em Valdivia no Chile. Confira o relato da equipe Paradofobia!
Domingo, 29 de janeiro de 2006 - o início
Ao meio dia lá estávamos nós, Erli, Rafa, Telmo, e eu, 4 paradofóbicos de mochilas pronta s e adrenalina no sangue, prontos para iniciar a aventura de nossas vidas. A largada foi em uma praia no Oceano Pacífico, perto de Valdívia no Chile. Os dois caiaques não eram dos mais rápidos, escolhemos os de casco reto pela estabilidade maior. Este trecho de remo que iniciou a prova era de 60 km rio acima, terminamos em 40 lugar, foi frustrante ver quase todos os times passarem na nossa frente. O trecho seguinte era de 130 km de mountain bike, pedalamos a noite inteira e usamos todas as forças para tentar melhorar nossa colocação, o que nos colocou em 28th lugar quando chegamos ao PC 4.
Segunda, 30 de janeiro de 2006 - dormindo juntos
Sem tempo para comemoração, largamos a bike na transição e partimos para mais um trecho de 31 km de caiaque, eram 5 horas da manhã. As noites no Chile são assustadoramente frias, e os dias insuportavelmente quentes, o que desafiava nossa preparação física e castigava o corredor despreparado. Ao final do trecho de remo, chegamos no PC 6, primeira parada obrigatória de 5 horas para descanso.
Partimos para o próximo trecho de bike a tardezinha. Pensamos que seria um trecho fácil de 61 km, mas acabamos gastando a noite toda e tendo que empurrar a bike pela maior parte do caminho, fizemos a tiroleza em uma caichoeira linda, mas por ser a noite nao pudemos ver muita coisa. até que as 3 da manhã resolvemos dormir um pouco. Foi nossa primeira numa barraca de 1 metro e 30 cm. de largura e 2 de comprimento... para 4 pessoas e seus respectivos sacos de dormir... foi muito romântico .
Terça, 31 de janeiro de 2006 - a tortura começa
Passamos pela próxima transição (PC 9) as 8 da manhã, e em 39º lugar partimos para a parte mais dolorosa e longa da corrida: 100 quilômetros de treking subindo o vulcão Peyehue. No começo da jornada encontramos um cachorro que nos fez companhia pelos próximos dois dias e só parou quando o dono veio buscá-lo. Aqui começaram os nossos problemas na prova. O calor era grande na subida, e ainda tentamos estabelecer um rítimo mais forte porque queríamos buscar o tempo perdido na noite anterior. Graças a navegação perfeita fomos nos aproximando dos times que estavam mais à frente.
Quando estávamos em uma das subidas mais íngrimes o rítimos do Rafa começou a baixar, eu não conseguia entender porque, pois ele era considerado o membro mais forte da equipe. Com o passar do tempo ele foi piorando até que atingiu um ponto de desidratação que nos impediu de prosseguir. Isso era por volta de umas 6 e meia, ele vomitou duas vezes e como não tínhamos mais água, corri até o topo do vulcão para ver se conseguia água. Depois de correr por 25 minutos, encontrei outro time que me cedeu um pouco da água deles. Quando voltei, o estado do Rafa tinha se agravado tanto que ele ja estava começando a ter hipotermia e início de febre.
Sabíamos que aquele momento era crucial para o time e para a saúde dele, e como desistir estava fora de consideração, o Telmo e eu decidimos carregá-lo por mais ou menos 2 km e acampar ate que o Rafa melhorasse. Acampamos por 12 horas e o membro canino do time, apelidado a essas alturas de Volcanes, resolveu acompanhar uma equipe da Venezuela e subir em direção ao topo do vulcão.
Quarta, 1º de fevereiro de 2006 - os obstáculos aumentam
O Rafa amanhece bem melhor e decidimos continuar a subida. O terreno da subida parecia um deserto mas felizmente encontramos água pelo caminho para manter o Rafa hidratado. Quando atingimos a base cruzamos com a mesma equipe da Venezuela e o nosso mascote Volcanes voltou a nos acompanhar voltando ao topo do vulcão conosco. Atingimos o cume e a vista lá de cima valeu todo o esforço, mas sem tempo para ficar parado admirando o visual, logo saimos em direçãoo ao PC.
A mais ou menos 2 km do PC 13 o Rafa começou a desidratar novamente e tivemos que parar e embrulhá-lo com o cobertor de emergência e saco de dormir pois ele estava tremendo de frio. Ao invés de abrirmos o rádio e chamarmos o resgate, o Telmo e eu corremos até o PC 13 para procurar ajuda, para nossa sorte (e do Rafa tambem!) uma das médicas da corrida estava neste PC. Ela disse que se ela fosse até o Rafa estaríamos desclassificados, mas se conseguíssemos trazer o Rafa até ela, ela faria o diagnóstico e o trataria. Corremos de volta até onde o Rafa estava com a Erli e arrastamos o Rafa até o PC para ser tratado. Tivemos que passar a noite alí, com o Rafa tomando 3 litros de soro na veia.
Quinta, 2 de fevereiro de 2006 - mais problemas
Pela manhã a médica liberou o Rafa e pudemos sair pra terminar o que faltava do treking. O nosso cão de estimação não pode continuar conosco pois seu dono veio buscá-lo e ele não estava bem. Com mais 27 km até o PC 14 onde seria a próxima parada obrigatória. Mais uma vez tentamos acelerar o passo mas o Rafa logo começou a ter caimbra no corpo inteiro e tivemos que ajudá-lo, carregando a mochila dele, puxando e literalmente carregando-o.
A essa altura, a Erli e o Telmo começaram a temer pela saúde do Rafa e cogitaram a hipótese de desistir ou continuar sem ele, mas felizmente superamos e conseguimos atingir o PC 14 as 6 e meia da noite, onde obrigatóriamente descansamos por 6 horas e o médico avaliou e liberou o Rafa para continuar na prova. O próximo trecho de caiaque era de 24 km e partimos a 1 e meia da manhã chegamos a PC 15 após 4 horas de remo.
Sexta, 3 de fevereiro de 2006 - momento crucial
Partimos de Bike rumo a cordilheira, logo no início cometemos um erro de navegação que custou uma hora e meia, acertamos o caminho e pedalamos forte até chegamos ao PC 17. Pedalamos o dia inteiro e no finalzinho da tarde o Telmo começou a ter sintomas de hipoglicemia, sentir sono e ter náusea e vômitar. Preocupados com a situação dele, paramos por 2 horas na aduana do Chile.
Quando acordamos fomos ate o Pc 18 onde encontramos o diretor da prova que nos deu a notícia de que não poderíamos mais continuar a prova pois não chegaríamos a tempo no último PC que era o de cordas verticais. Ele nos disse que a equipe mais rápida havia levado 8 horas e que nós não faríamos em um tempo melhor que esse. Foi difícil convencê-lo mas finalmente ele nos liberou com a condição de que se não estivéssemos no PC 19 a tempo, teríamos que voltar os 27 km até o PC 18 porque o acesso naquela área era difícil e a organizção da corrida ja teria saído.
Naquele momento, a descarga de adrenalina foi tão grande, só a cogitação de ser desclassificado depois de tudo que havíamos passado para chegar até ali nos deu um choque de energia indescritível. No caminho a Erli começou a se sentir fraca então decidi carregar os equipamentos dela e puxá-la com uma cordinha, conseguimos chegar ao PC 19 com 30 min de sobra.
Sábado, 4 de fevereiro de 2006 - a recompensa
Passamos por uma costeira linda e a montanha que subimos tinha uma vista maravilhosa, conseguimos passar mais 3 equipes mas as posições nã o estavam mais valendo. Descemos a montanha direto, em uma angulação de quase 90 graus, parecia mais um escorregador, lá embaixo uma lancha nos esperava, ela nos levou a 400m da linha de chegada. Quando chegamos a emoção foi muito grande. A sensação de ter vencido todos os obstáculos e terminado é indescritível.
Obrigado a todos aqueles que nos apoiaram e torceram por nós, se não fosse por vocês nada teria dado certo, e obrigado aos meus companheiros de aventura: Telmo, Rafa e Erli... até 2007!
Tico
Fonte:
Telmo Carvalho Cidade:
Valdivia -Chile-EX-Chile Fotos: Telmo Carvalho Publicado: Élen de Cássia Pereira Date: 13/02/2006
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