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Com o carro 36, Rodnei Tardivo, juntamente com a Equipe Frigorífico Santo André, conquistou a Fita Azul nas 12 Horas de Tarumã 2005, nos dias 17 e 18 de dezembro, na cidade gaúcha de Viamão.
As 12 Horas de Tarumã tem sua marca no currículo de Tardivo. Esteve na equipe vencedora da categoria Turismo Força Livre, conquistou alguns segundos lugares em outros anos, sem contar a vitória de 2005, com direito à Fita Azul e oitava colocação no ranking:
"A primeira participação foi em 1988 e, a partir deste ano, competi em quase todas, com exceção de 1999, 2000 e 2001", refletiu.
A equipe prodigiosa de 2005, formada há apenas dez dias da prova contou com as participações de três pilotos, além de Tardivo, Nereu Rebechi e Fabiano Baretta, um preparador, Crespo, e seis auxiliares. O treinamento, 12 dias antes.
Quando a última gota de combustível dava sinal de que o tanque estava vazio, a parada era inevitável, mas uma boa estratégia torna um momento de fraqueza, um aliado. Reabastecimento também significou troca de pilotos, a cada 90 min em média. A soma final distribuiu cerca de quatro horas de direção para cada um.
As trocas foram realizadas num clima de muito companheirismo, à medida que um piloto saía, já ajudava o próximo do turno a colocar o cinto:
"A nossa estratégia consistiu em manter um ritmo que não desgastasse pneus e freios, para isso, não usamos um tempo por volta, como padrão, pois com o tanque cheio, andava-se mais devagar para evitar desgaste. O abastecimento era feito com muita calma, pois o tempo de um piloto sair e fixar o cinto do outro era muito maior", revelou.
Segundo Tardivo, o tempo de descanso previsto era de três horas após cada turno. Cada um relaxava como queria. Ele, particularmente, já tinha dormido boa parte da tarde de sábado e preferiu ficar conversando com pilotos de outras equipes, ao mesmo tempo, que também aproveitou para dar uma conferida na corrida, na curva do Tala Larga.
Tardivo admite que não precisou de descanso, mas acrescenta que parte do pessoal de apoio pegou alguns colchões que levaram para o box. Muita água mineral e lanches estiveram à disposição da equipe para driblar qualquer efeito do desgaste, considerado assim, sem importância para o piloto.
Vencer numa competição é sempre gratificante. Esta frase parece clichê? No entanto, ela expressa todos os sentimentos de alguém que realmente gosta do que faz. Ainda mais quando se trata das 12 Horas de Tarumã, uma das corridas mais tradicionais do Rio Grande do Sul:
"Por ser uma corrida tradicional do estado e do país, obviamente nos deixa muito feliz. Ainda mais se considerarmos que, até hoje, foram cerca de trinta edições desta prova e o nosso nome está gravado em uma delas", confessou.
Corridas longas nem sempre são sinônimo de competições acirradas. Para Tardivo, dificilmente há uma disputa direta entre os oponentes, pois o ritmo das primeiras horas costuma ser mais lento. À medida que a prova vai alcançando sua conclusão, as equipes passam a avaliar os competidores mais próximos a fim de decidir se é necessário forçar o movimento ou não.
Por volta das 8h da manhã, a equipe Frigorífico Santo André já estava com duas voltas de vantagem em relação ao segundo colocado e resolveram não forçar o carro, mantendo o mesmo ritmo. Portanto, Tardivo acredita que não houve uma disputa direta.
Equipe experiente. Todos com uma bagagem de corridas anteriores. Cada um ficou incumbido de uma função a fim de cumprir sua tarefa com calma e evitar qualquer erro grave, seja no abastecimento, seja na troca de pneus, que pudesse deixá-los fora da disputa. No quesito alimentação, nada muito especial, apenas um equilíbrio com tendência à pouca carne vermelha e muita salada.
Dificuldades logo no iniciou, antes mesmo da corrida começar. Com a largada marcada para sábado, na quinta, o carro 36 sofreu um problema no freio e bateu forte. Seguindo imediatamente para Taquara, onde fica a oficina do preparador, a equipe depositou a confiança no trabalho de Crespo.
Entre chapeação, troca de peças do motor e suspensão, assim o preparador passou a sexta-feira, véspera da prova, entregando o carro em condições de vencer a corrida e foi o eu ele fez. Esforço recompensado:
"O carro não apresentou nenhuma pane mecânica. A equipe trabalhou de maneira eficiente e a pilotagem em si também foi tranqüila", desabafou.
Embora seja uma prova de grandes desgastes psicológicos, pelo tempo de duração, uma reação mais que natural, Tardivo sentiu-se bastante preparado e com uma bagagem de 12 Horas nas costas. O cansaço pôde ser driblado com mais facilidade baseado nas experiências acumuladas ao longo do tempo:
"Acredito que o cansaço e a alteração psicológica dependem de cada pessoa, pois eu não me abalei. Já meu companheiro Baretta, na sua última tocada, sentiu-se um pouco cansado e tenso, e, por isto, parou um pouco mais cedo", analisou.
Com ou sem imprevistos, os pilotos merecem parabéns pelo bom trabalho, conduzindo o carro como estava programado no roteiro. A preparação arranca elogios dos integrantes da equipe que se dedicou até o fim. Nenhuma peça do carro sofreu trocas ou alterações, segundo Tardivo.
Eficiência pela equipe de apoio. Abastecimento sem erros. Aproveitamento 100%. "Tudo foi perfeito", confessou o piloto orgulhoso. O oposto disso chamou sua atenção. A quantidade de carros com falhas mecânicas que poderiam ter sido evitadas, aos seus olhos, com "uma boa revisão e mais capricho nas equipes".
Para ele, o melhor momento é mais do que óbvio, a chegada em primeiro lugar, quando a coroação de todo esforço e trabalho, dele e de todos que acompanharam a conquista, compensa.
Equipe patrocinada por Frigorífico Santo André, C&S Formulários e Etiquetas, e Calçados Q Sonho e brindada com uma vitória inesquecível, ainda mais nas 12 horas. Para os competidores, um momento memorável, e para o público? Imperdível, mesmo que o foco da atenção seja desviado:
"Geralmente o público das 12 Horas é composto por grupos de amigos, alguns até não são aficionados por automobilismo, mas participam pelo tipo de evento que é, diferente de qualquer outra corrida que temos aqui no sul. É provável que alguns nem tenham assistido a corrida, mas apenas namoraram e beberam a noite toda", pensa Tardivo.
Para o piloto, a pista foi o grande destaque da prova, com asfalto novo e boa área de escape. A organização não ficou muito para trás, ainda por se tratar de um evento de dimensões deste porte, a eficiência predominou até o fim. As instalações deixam um pouco a desejar, de acordo com Tardivo, algumas melhoras nos banheiros, como chuveiros, cabides, água, seriam muito bem-vindas.
O piloto do carro 36 preferiu não falar sobre as regras e o tempo de descanso, porque estes quesitos seguiram a norma obrigatória da FIA (Federação Internacional de Automobilismo). No entanto, ele aconselha novos pilotos a, além de gostar do esporte, procurar aprender o máximo sobre mecânica.
Coragem e uma sólida base econômica são primordiais, uma vez que o patrocínio, quando vem, custa a chegar. O esporte demanda altas despesas e passa por uma fase de amadurecimento. Tardivo aproveita para fazer um agradecimento especial:
"Parabéns ao pessoal do INEMA, pois é um site realmente interessante para o amante do esporte em geral".
Equipe INEMA
Fonte:
Rodnei Tardivo Cidade:
Viãmão-RS-Brasil Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Natália Cagnani Date: 15/02/2006
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