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Com mais de 36 anos de aeromodelismo, Clair González já montou centenas de miniaturas de aviões. Alguns feitos, foram notáveis, outros nem tanto, mas todos tiveram importância no coração deste apaixonado pelo seu trabalho.
Ele era ainda uma criança quando viu pela primeira vez um avião em miniatura riscar o ar. Um modelo simples e antigo, mais tarde soube, era um VCC, mas serviu para impressionar o garoto que mal sabia o que o futuro lhe guardava. Foi assim o primeiro contato de Clair Ebersol González, 50 anos, com os aeromodelos. Ouviu o barulho dos aviões que voavam presos a uma linha e nunca mais esqueceu seu som.
Tempos depois, o destino o levou, por mero acaso, a conhecer uma pessoa que praticava Rádio-controle(RC). "O rádio ainda era do tipo 'bip-bip" conta, foi o suficiente para lhe mostrar um esporte que lhe traria muitas alegrias. Na ocasião, González foi convidado a ir ao campo de vôo, onde permitiram que pilotasse um pouco um avião sem pintura, entelado com papel. Deu pra sentir "o gostinho" do esporte.
O início efetivo foi ainda mais tarde. Com apenas oito semanas de contato com os aeromodelos, depois de conversar com amigos mais experientes no assunto, ele montou um planador Nordic A-2. "Muitos achavam que eu não teria condições de fazê-lo". Relembra González que não só provou sua capacidade, como acabou por ganhar a medalha de primeiro colocado em uma competição de vôo livre.
Após montar mais alguns Nordic A-2, fez outros planadores ampliando, de revistas antigas, plantas de modelos que voaram bem, como por exemplo, o planador Sperb conseguido em uma edição francesa. Com um pouco mais de experiência adquirida, González mais uma vez impressionou os amigos, quando decidiu montar um Messerschimmitt escala. Alguns modelistas tinham receio quanto ao resultado da empreitada. Felizmente foram contrariados, os VCC foram sucesso. Os aviões eram pintados com esmalte sintético e entelados com organza de nylon.
Hoje, com mais de 36 anos de aeromodelismo, González é Comandante da aviação Comercial, mora em São Leopoldo e dedica seus dias à montagem de diferentes modelos e tamanhos de aviões. Ele não poderia ter encontrado profissão melhor, trabalha com prazer na fabricação de uma paixão sua e do sonho de muitos outros modelistas.
"Acho muito prazeroso o trabalho com aeromodelos. Gosto da engenharia aplicada, dos cálculos e estrutura em geral. Na verdade, minha preferência é construir o modelo e deixá-lo pronto para voar. Gosto do trabalho por encomendas, do desafio da construção, do aroma da madeira."
Estar feliz com seu trabalho faz com que González monte modelos aprimorados e impecáveis, ele tem a tranqüilidade e a paciência necessárias para este tipo de atividade manual. Começar a fazer modelos por encomenda, foi resultado de sua dedicação. Ele conta, os amigos se encantavam com os modelos que o comandante fabricava para seu uso e tanto insistiam que já na bancada de construção, González acabava por vender o avião.
"Sou o tipo de aeromodelista que gosta de testar novas teorias de aerodinâmica," declara. Foi assim com o modelo Elseven Sport 40, capaz de pousar e decolar em 5m. Também, novos projetos são uma atração para ele, que acredita ser fundamental buscar a construção de modelos diferenciados. Isso porque, hoje existem modelos fabricados em série e feitos por equipamentos de alta tecnologia, com corte a laser e fáceis de serem encontrados. O modelo manual então, precisa ser diferente para se destacar dos demais. Deve ter criatividade, teste de vôo e bom-senso antes de vender a um cliente, recomenda González.
A Era dos Gigantes
No ano de 2004, González começou uma nova fase em sua carreira. Passou a construir modelos gingantes. Na sua casa monta, grandes aviões sob encomenda, como foi o caso do F7F TigerCat. Este , foi de difícil montagem, mais um desafio vencido com êxito pelo comandante. Em Julho de 2004 recebeu as plantas do F7F e após estudá-las com atenção, aplicou seu conhecimento de anos de montagem para fazer um avião impecável.
O TigerCat, foi o terceiro feito no Brasil. González também já montou três, um está no Uruguai e outro na Argentina. Por ser um projeto grande e ainda inovador, todo o processo de montagem foi fotografado pelo autor que orgulha-se de dizer. Fez tudo sozinho, sem qualquer auxílio externo. A publicação de tais fotos, em revistas e sites especializados, atraiu a atenção dos pilotos e assim os modelos de González foram parar nos países vizinhos.
"Os novos TigerCat F7F, B-17, B-52, Mosquito e outros, podem bombardear (não são bombas de verdade) e voar por trás de obstáculos sem bater, pois o piloto observa e controla o vôo, através de um monitor LCD, em qualquer situação, com alcance até 500m." Explica o montador sobre a diversidade do modelo.
Gigante ou não, todos os modelos montados por ele levam sua assinatura. Algumas inscrições internas são feitas nos aviões. Estas só podem ser vistas quando o modelo for "lenhado" e ainda existem outras que só autor sabe onde colocou. Isto, como forma de gravar seu empenho e de seis ajudantes, a esposa e o filho. Mesmo tendo uma "equipe familiar" como define, González explica, tem CNPJ válido.
Experiente na montagem tanto de modelos pequenos quanto de gigantes, para ele é difícil definir qual exemplar de avião é mais trabalhoso para confeccionar. Existem os modelos para iniciantes e veterano e cada um possui suas características próprias, tipos de superfícies de comando. Mas, afirma, os modelos de decolagem vertical são os mais técnicos e exigem muito conhecimento do construtor.
Os aviões RPV (Remote-Piloted Vehicle) e os UAV (Unmanned Aerial Vehicle) que fabrica em sua empresa, a "Casa da Balsa Ltda", são os mais difíceis e mais caros de construir, porque são altamente avançados e eletronicamente complexos apesar da aparência externa simples.
Equipe INEMA
Fonte:
Clair Ebersol González Cidade:
São Leopoldo-RS-Brasil Fotos: Clair Ebersol González Publicado: Michele Wesner Fernandes Date: 21/02/2006
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