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O 1º Raid Vespaonline da Terra do Fogo, foi organizado e promovido pela comunidade italiana chamada Vespaonline. Este, foi o segundo grande raid internacional promovido pela comunidade, o primeiro foi em outubro de 2004 nos Estados Unidos.
O roteiro inicial desta viagem previa percorrer somente os cerca de 4000 km até Ushuaia, sem o retorno, ou seja, em Ushuaia se embarcaria novamente as Vespas do pessoal da Itália no mesmo container que as trouxe para América, mas devido as condições burocráticas de importação de veículos usados, o governo argentino não permitiu que o porto de embarque fosse diferente do porto de desembarque. Isto se deu apenas dois meses do início do Raid, criando uma grande manobra por parte de muitos participantes para que pudessem contemplar o retorno em vespa de Ushuaia a Buenos Aires.
Vários participantes (14 vespeiros mais dois participantes nos carros de apoio) não puderam fazer a viagem de retorno, devido a compromissos profissionais, o que obrigou o embarque das motos de caminhão fretado para Buenos Aires, enquanto a outra parte do grupo (10 vespeiros mais dois Land Rover de apoio) se deliciava mais alguns dias pela costa argentina.
O meu contato com este Raid, se deu em função de que estou cadastrado nesta comunidade trocando informações técnicas, mecânicas, dicas... E as pessoas cadastradas, recebem convites para participar de raids por toda a Europa. Num destes convites, o Luca (pai da comunidade Vespaonline) confirmou o que já tinha me adiantado, o raid sairia na Patagônia argentina em dezembro de 2005.
Fui o único representante das Américas a participar deste evento de aventura em Vespa. Todo o contato, que iniciou de forma mais intensa a partir de maio de 2005, se deu por email, onde se discutiam vários itens, como seguro de viagem, roteiros, possíveis dificuldades, câmbio, estrutura necessária... Além do que cada um se encarregaria durante a aventura.
Os italianos foram muito receptivos a participação de um estranho no meio deles, visto que a equipe de italianos participantes já era conhecida de longa data, pois participaram de vários raids pela Itália e Europa. Devido aos contatos preparativos, foi possível criar um certo grau de aproximação e afinidade com eles, o que é comum num grupo grande, com 24 vespeiros. Tal afinidade permitiu que eles mandassem alguns itens necessários para a Vespa, que não eram encontrados no Brasil, como pneus off-road para o rípio. As motocicletas utilizadas para esta aventura eram exclusivamente da Marca Piaggio, modelo Vespa.
A Vespa mais antiga que participou era do ano de 1968, com motor de 170cc, e apresentou em todo o percurso somente a necessidade de troca de platinado. O modelo mais novo era uma Vespa do ano 2005, de 150cc, que foi comprada poucos dias antes do embarque das Vespas no container, tendo sido 'amaciada' durante o percurso do Raid.
A minha Vespa, era a única participante de fabricação brasileira, ano 1986, de 200cc, com partida no pedal. A minha motocicleta, como as outras em geral, sofreram poucas adaptações para o raid. Como a reconstrução de um banco com uma espécie de bandeja no lugar do caroneiro, onde eram levados 2 galões metálicos de 5 litros cada com combustível e o saco de dormir, que ao mesmo tempo me permitia um conforto, parecendo-se com um encosto. No porta pacotes dianteiro, transportava a barraca modelo Iglu para 4 pessoas, (um exagero que trouxe muito conforto para mim e para o André), além de cinco litros de água potável. Além das duas rodas montadas com pneus off-road eslovênios e um kit básico de ferramentas.
Como a Vespa possui a frente muito leve, já que o motor está localizado no lado direito traseiro da Vespa, o porta pacotes dianteiro e o peso das bagagens davam uma maior estabilidade na estrada, sem dar a sensação de levantar vôo mesmo em velocidade maiores ou com o vento forte (que foi constante). O peso estava muito bem distribuído e não se mostrava incômodo para a dirigibilidade.
O Raid contou ao todo com três carros de apoio, sendo uma Land Rover 110, ano 2001 com 4 portas, uma Land Rover 110, ano 1986 com 2 portas e mais um Suzuki Gran Vitara 2005 alugado em Buenos Aires. As duas camionetes Land Rover, foram embarcadas em containeres da Itália para a Argentina e transportadas em navio. O embarque, das Land Rovers e das Vespas, se deu cerca de um mês antes do início do Raid.
O carro de apoio número 1, chamada de 'cardaia', que remete a Caldeira, era conduzida pelo brasileiro André Costantin. O André era responsável por estar atrás da última Vespa do comboio, e estava com toda a bagagem dos participantes, inúmeras peças de reposição e vários galões para combustível. Era praticamente uma oficina completa, com máquina de solda, gerador de energia, chuveiro desmontável a gás e um reboque para socorro em caso de necessidade.
O carro de apoio núumero 2, pilotada pelo italiano Pino, sempre vinha logo atrás da 'Cardaia', dando apoio via rádio para todos os participantes, além de transportar toda a logística gastronômica, como alimentos, muito queijo Gran Padano, vinho para o descanso nas noites da Patagônia e panelas.A média de quilometragem diária variava muito, dependendo principalmente das condições de estrada que tínhamos para enfrentar e dos pontos de camping que tínhamos pré-estabelecidos. A quilometragem mais longa feita num dia foi de 780km e a mais curta foi de 260km, mas a média ficava entre 350 a 450km diários.
A viagem para Ushuaia se mostra como um marco para minhas aventuras em Vespa. Antes desta viagem os meus encontros em Vespa eram curtos, com passeios pela serra gaúcha. O fato de ter chegado em Ushuaia e poder fazer o retorno, totalizando ao todo mais de 8700km, foi um momento mágico e único na minha vida, a solidão daquelas estradas, mesmo que na companhia de outros admirados de Vespas, permitiu pensar e 'viajar' muito.
O fato de ter saída de Caxias do Sul no dia 30 de Novembro, tendo minha filha Valentina apenas 20 dias de vida, foi com toda a certeza o momento mais difícil de toda a viagem, mas ao mesmo tempo, com o apoio da família, em especial da minha esposa, tornaram isto uma alavanca durante todo o percurso. Agradeço de coração pela confiança e apoio dado.
Também tenho que agradecer a todos os participantes do raid, na pessoa do Luca Barzelogna, pela confiança e apoio para participar. Agradeço ao André Costantin, que me acompanhou como piloto do carro de apoio número 1, que apoiou desde sempre a idéia de participar do raid, e nos momentos difíceis durante a viagem dava o seu apoio fundamental. Graças a ele teremos um documentário em vídeo de todo o Raid. Também agradeço ao meu apoiador, Video Top Produções, ao jornal Pioneiro de Caxias do Sul, na pessoa do Daniel Corrêa, pelo apoio na divulgação deste evento. A todos que com palavras, gestos, dicas e incentivos formaram uma corrente para que pudesse completar o Raid com sucesso.
Um fato muito interessante que pude perceber desde a preparação para a aventura, durante e após, foi a forma como as pessoas reagiam ao saber ou ver aquele nostálgico veículo vencer e superar condições difíceis e distâncias pouco antes pensadas em Vespa. Enfim, me coloco a disposição para ajudar quem se interessar por fazer esta viagem.
Email: masia@brtubo.com.br
Telefone: (54) 3212.9000 ou (54) 9971.7164
Fonte:
Daniel F. Masiá Herrera Cidade:
Ushuaia-Argentina-EX-Argentina Fotos: Daniel F. Masiá Herrera Publicado: Renata Machado Date: 13/06/2006
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