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Os jipes de Roberto Guedes

O jornalista Roberto Guedes, 55 anos de Natal/RN comprou seu primeiro jipe em 1970. Trinta e seis anos depois, ele conta à equipe INEMA a sua história com o veículo e a importância nesse segmento no Brasil.

Já adquiri alguns jipes. O primeiro durou pouco em minhas mãos. Era um Willys 1957 azul e seria o primeiro automóvel propriamente meu. Comprei-o de um amigo de infância, na condição de primeiramente submetê-lo à aprovação de João Mouzinho, que era o gerente geral da oficina de Santos & Cia. Ltda, a única revendedora da Willys Overland em Natal. Ele me aconselhou a desfazer o negócio, pois o chassis estava fraturado. Foi péssimo para mim, porque já me havia afeiçoado ao veículo, mas João era um homem muito sério e seu diagnóstico dizia tudo.

O segundo me foi ensejado por um dos piores marginais que já cruzei na vida. Foi em Natal, onde voltei a residir em 1976, depois de alguns anos em São Paulo, atuando em vários veículo de comunicação.

Eu tinha um Karman Ghia e um criminoso, apelidado pela crônica policial como "Paulo Queixada", o roubou, cometeu muitos crimes com ele e depois o destruiu, tanto que, após recuperá-lo, só pude vender o chassis. No dia seguinte ao roubo, comprei o primeiro jipe que encontrei: um Willys 1951 branco, com motor Opala e situação mecânica sofrível, investi muito e fiz muitas coisas boas com ele.

Este jipe foi fundamental para do Jeep Clube do Rio Grande do Norte. Tão logo o comprei, senti dificuldades para adquirir peças e contratar serviços mecânicos, imaginei o sofrimento de outros proprietários de jipe. Então comecei a procurá-los com a proposta de nos unirmos numa associação que nos permitisse minimizar esforços e otimizar resultados, com economia financeira nas aquisições de todas as espécies. Só obtive algum acolhimento para a proposta quando abordei o jornalista Aldemar de Almeida, que hoje é presidente do Jeep Clube Norte-rio-grandense.

Da decisão de criarmos o clube, passei a usar a mídia para atrair outros donos de jipe. Dia sim, dia não, saia nos jornais de Natal alguma informação sobre qualquer assunto ligado a off road, 4x4, estradas, falta de estradas... E divulgaram que os jornalistas Aldemar de Almeida e Roberto Guedes estavam mobilizando interessados em integrar uma entidade, que chamei de Jeep Clube do Rio Grande do Norte em função do exemplo do Jeep Clube do Brasil.

A associação nasceu muito bem, em meados de 2004, numa reunião muito concorrida em uma noite em que a grande maioria dos participantes deveria estar no Estádio João Machado, que sediava um grande jogo, entre um clube local e um famoso time do Rio de Janeiro.

O clube foi um sucesso e meu jipe entrou para o folclore do "jipeirismo" natalense, nordestino e brasileiro, foi mostrado numa revista britânica e estava fadado a fama, mesmo eu nunca ter sido um competidor, mas tive que vendê-lo quando uma filha começou a fazer cursinho noturno.

Voltei por recomendação médica. Tinha me transformado num "workholic", os médicos me recomendaram encontrar uma válvula de escape e nada pareceu mais indicado do que um 4x4. Seguindo a orientação de um amigo, comprei um Vitara vinho que passaria a ser dirigido por minha mulher, Solange.

Adiante, comprei uma picape Mitsubishi L200, que me decepcionou por vários problemas, mas principalmente pela mania de queimar a junta de cabeçote até em temperaturas glaciais. Depois, adquiri um Willys 1954 com motor original e freio de caminhão, que pertenceu ao legendário prefeito Djalma Maranhão, uma das maiores vítimas do golpe militar de 1964.

Nesse meio tempo, um acidente destruiu o automóvel que eu usava no dia-a-dia, um Fiat Pálio Weekend e me vi na obrigação de usar a L200 como veículo urbano comum. Em outubro do ano passado, troquei-a pelo Troller branco 2001, a diesel, que uso hoje em Natal e em algumas trilhas, alternando em relação a todos, os usos com o 54.

Equipe INEMA

Fonte: Roberto Guedes da Fonseca
Cidade: Natal-RN
Fotos: Roberto Guedes da Fonseca
Publicado: Renata Machado
DATA: 14/07/2006 <%insert_data_here%>

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