|
Com um quadriciclo e uma máquina fotográfica na mão, Nei Maldaner acampanhou a VI Cavalgada da Serra, realizada de 16 a 23 de julho de 2006. Aqui, relata as aventuras e descobertas que fez e viveu a bordo do veículo.
A idéia
Por já ter participado outras vezes e gostar muito, eu queria de todo jeito estar na VI Cavalgada da Serra. No entanto, em função de estar com um joelho ''mal curado'' precisava encontrar outra maneira de acompanhar o trajeto, que não fosse de carro, ou a cavalo, já que ambas as maneiras acabariam por me prejudicar.
Então, quando estava no Tur Europa, acompanhando as primeiras etapas do Campeonato Mundial de Jet Waves, tive uma grande idéia. Vi por lá, que muitas pessoas usavam quadriciclos e fiquei bastante impressionado e curioso com o veículo, com vontade de usar aquela novidade. Voltei ao Brasil, ainda com ele em mente e em conversa com amigos resolvi procurar em revendas de motos e carros se o encontrava.
Acabei por chegar na Motoryama, do amigo Rogério, que me emprestou um quadriciclo para que eu fizesse uma espécie de Test Drive, durante um final de semana. Daí sim, me apaixonei. Fiquei realmente empolgado e comprei um 350cc, 4x4 automático. Assim que chegou, fui logo fazer uma cobertura, estava ansioso por estreá-lo. Fui a Santa Catarina, onda na cidade de Braço do Norte ocorria o Enduro das Neves, uma prova de moto.
Estava percorrendo as mesmas trilhas que os competidores, afinal o quadriciclo me permite que chegue aos locais onde só eles passam e assim posso fotografar todo o evento. Em alta velocidade para não atrapalhar os pilotos que viessem atrás, me deparei com um buraco. Julguei melhor frear, mas quando fiz isso acabei por acionar os freios dianteiros o quadriciculo parou mas eu voei ao chão. Assim acabei machucando o dedo e com o indicador inchado e talvez quebrado retornei a Porto Alegre.
Persistência
Machucado ou não, estava decidido a participar da cavalgada da Serra com meu quadriciclo e não seria um dedo que me faria desistir. Tive ainda uma viagem de trabalho a Boston, EUA, fui participar de um evento da Microsoft uma semana antes da cavalgada, mas assim que retornei me dirigi a Bom Jardim da Serra, SC. A Ayumi já havia se encarregado de preparar todos os equipamentos, logística para minha cobertura. Enquanto eu iria acompanhado do Beto meu apoio para a cavalgada, enquanto a Ayumi ficou no Salão de Motociclismo.
Mesmo com o dedo imobilizado e doendo a qualquer batida, minha empolgação só aumentava! Saímos de casa no sábado - eu, o Beto e dois amigos que fariam sua primeira cavalgada, o Carlos Rios e o Sergio - as 19h, abaixo de chuva e chegamos as 4h da manhã em Bom Jardim da Serra em SC. Como não encontramos ninguém acordado naquele horário, arrumamos ''um chão'' em um dos galpões e cochilamos até o amanhecer.
Começa a cavalgada
Seguimos junto com a cavalgada, passando pela cidade de Bom Jardim e depois por um dos morros. Decidi ir ao mirante, para me organizar pois com a chuva que voltava seria melhor ter cuidado. O nevoeiro aumentava e dificultou um pouco a visão. Naquela hora fiquei triste, pois mais uma vez o tempo me impedia de fotografar a região. São tantos canions, paisagens lindíssimas e nem a Serra do Rio do Rastro se podia ver!
Fotografei apenas a chegada e saída do almoço no Mirante e seguimos para o acampamento. Por causa da chuva, os caminhões não conseguiram se aproximar do local e se espalharam por quilômetros na beira da estrada e eu com o quadriciclo, fiquei de cima pra baixo levando recados, informações e pessoas. Isso foi muito legal, peguei um pouco mias de prática com ele.
Quando passamos por perto do cânion, o tempo começou a melhorar e a previsão era de dias bem melhores. De fato foi o que aconteceu, a manhã estava limpa, com algumas nuvens e sol. Fui logo equipar o quadriciclo para acompanhar o trajeto. Eu estava bastante apreensivo, pois a última vez que passara por lá foi há quatro anos, não me garantia naquele local. Entretanto, gosto de encarar aventuras e me saber na companhia de amigos me deixou mais seguro.
Nos campos me posicionei em lugares interessantes, após muito treino eu já estava ágil com o veículo e tinha ainda a vantagem de não precisar me preocupar com a quantidade de carga, para não sobrecarregar o cavalo. Peguei até uma corrida de mulas no meio da cavalgada. O que tive a oportunidade de ver foi deslumbrante! Acho que ficaria ali para sempre, a contemplar o pasto dourado, o verde forte e multicor das matas de araucária, os rios de águas azuis, límpidas correndo por entre pedras.
Os campos é que sofriam. Este ano, devido a seca, já começava a ser queimado e avistávamos ao longe as clareiras de fogo. Por outro lado os pinos estão cada vez mais abundantes. Uma pena para quem gosta , pois os campos somem e os pinos aparecem para tirar a maravilhosa vista que se tem de lá.
Durante a cavalgada foram muitas as dificuldades. Tive que atravessar rios, descer, subir morros. Mas por onde passava era cumprimentado e isso é recompensador. Me sentia feliz, como se o tempo tivesse parado, porque ali a felicidade era plena e a paz absoluta. Esqueci dos problemas do mundo, das guerras, misérias, corrupções, egoísmo, intolerância. As pessoas com quem convivi gostam da natureza e a respeitam. São compreensivas, se ajudam quando é necessário, são simples e amáveis. Se tratam de maneira igual, independente do animal que estejam montados ou a roupa que usam.
No caminho, após uma longa descida encontrei meu primeiro obstáculo, superar as pedras de trabalho, grandes e irregulares. O mais surpreendente foi que não tive tempo nem de me preocupar, em poucos minutos já havia algumas pessoas ao meu lado, prontas para me ajudar a empurrar, segurar ou o que fosse preciso. Foi maravilhoso, me senti seguro, como se nada pudesse me atingir pois sabia que teria sempre alguém em meu auxilio. Quando finalmente consegui sair das pedras, vi que ao meu lado estavam o dono da fazenda ou capataz, e meus amigos Zoreia, Sergio além de outros.
Chegamos, após percorrer parte da cavalgada, a uma fazenda linda, antiga e original. Todos os seus muros eram de pedra (taipa como chamam no lugar). Resolvi seguir em frente e subi um morro íngreme para ver a vista lá de cima. Passei por campos, canions e paramos para o almoço num local sem apoio. É um lugar lindo, no qual já estive várias vezes, mas a cada nova visita fico impressionado. O vale, o rio lá embaixo. Eu e Sérgio fomos admirar o vale e nisso perdi a chave. Por sorte, ela estava amarrada em um fita laranja e a um chaveiro que flutua, justamente para ficar mais fácil de localizá-la. Com essa combinação não a perco nem na grama nem na água.
A cavalgada seguiu. Mais cânions, alguns, novos para mim, mais pinos e chegamos a outra pousada por onde já tínhamos passado antes. Desviamos dos locais já conhecidos, passamos por mais campos, tudo isso sob um sol que iluminava o caminho. As casas das fazendas, feitas em madeira, sem pintura, originais, era o êxtase. Com meu quadriciclo, eu saia apressado, não queria deixar de fotografar nenhuma das cenas que vi. Procurei diferentes ângulos na tentativa de mostrar a amplitude de tudo aquilo.
Sei que pequei em não ter estado perto dos cavalarianos para fotografá-los, no entanto percebi que muitos levam máquinas digitais e então fiquei tranqüilo. Pois eles mesmos poderiam se encarregar de mandar ao INEMA as imagens em que aparecem. De minha parte, tentei ter outra perspectiva.
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
Cambará do Sul-RS-Brasil Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Michele Wesner Fernandes Date: 27/06/2006
<%insert_data_here%>
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
Sergio
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
Zoreia, Sergio e Carlos
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
|