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Diário da viagem de bicicleta realizada por Varlei Marra e Valdez Campos, de Itaúna , MG, no período de 21 a 29 de julho de 2006, entre Paraty/RJ e Ouro Preto/MG percorrendo o caminho velho da Estrada Real. Veja a parte I do relato!
21/07/06 -1º dia:
Chegamos a Paraty às 8:45 da manhã após 14 horas de viagem de ônibus a partir de Itaúna MG, lanchamos e rapidamente fomos montar as bikes, que foram transportadas em caixa de papelão. Estávamos super ansiosos para pedalar. Montamos elas dentro da rodoviária mesmo. Depois das magrelas prontas fomos tirar foto na frente da igreja de Santa Rita, o cartão postal da cidade e marco inicial de nossa pedalada. Pedalamos pelas ruazinhas estreitas do centro histórico da cidade, tiramos fotos em frente ao mar e tomamos rumo para a saída da cidade.
Passamos em uma padaria, lanchamos compramos bastante água e ao meio dia em ponto do dia 21 saímos de frente do marco da entrada da cidade. Pedalamos em uma ciclovia e até o pé da serra foram 7 Km. Começamos a subir a temível e maravilhosa Serra da Bocaina. No início achamos que não ia conseguir nem começar a aventura, a bicicleta parecia que tava travada. Resolvemos parar e ajustar a carga, distribuímos melhor o peso e isso melhorou bastante o desempenho da bike. Sentimos bastante o peso da carga, também era a primeira vez que pedalávamos carregando carga. No caso da bike do Varlei a bagagem pesava 10 kg + 11kg da bike e + 69 kg de seu peso perfaziam um total de 90 kg; é muito peso para um par de pernas carregar por 9 dias.
A subida da serra é extremamente forte, mas também muito prazerosa, a estrada é um espetáculo, cheia de flores, matas fechadas, bromélias e orquídeas. No início parávamos toda hora para tirar fotos e tomar água nas bicas d'água que descem da serra. O desgaste físico nosso apesar das 14 horas de viagem, sem dormir nada estava nos surpreendendo, estávamos como duas máquinas de pedalar. Pegamos 11 Km de terra com muita pedra solta e alguns trechos com lama. Quanto mais pedalávamos mais íngreme a estrada ficava, a cada curva achávamos que era a última e nada de fim. O movimento de carro era até grande para uma estrada tão arcaica. O pessoal passava de carro e nos olhavam sempre curiosos, teve um cara que parou o carro, olhou para nós e disse que não estava acreditando no que estava vendo, que era muita loucura subir aquela serra pedalando. Comentários como este só davam mais energia pra gente pedalar cada vez mais forte.
Depois de 4:20 de pedal e 23 Km chegamos ao topo da Serra onde tem uma placa indicando a divisa dos estados do Rio de Janeiro com São Paulo. Foram 16 Km de subida forte, usando somente a coroa pequena, com média de 7 Km/h. Passado a ''pedreira'' ainda faltavam 23 Km até Cunha nossa cidade dormitório no primeiro dia. Intercalando subidas e descidas fortes em uma estrada com asfalto muito bom, continuamos sentido Cunha. Ainda não era 5:00 da tarde e nas descidas onde não batia sol fazia um frio lascado, chegávamos a tremer em cima da bike. Também pudera, estávamos próximos a 1500 m de altitude, lembrando que apenas algumas horas antes estávamos no nível do mar.
Para acabar de arrebentar com a gente os 3 últimos km até a entrada de Cunha eram subida extremamente forte. Não agüentamos e subimos empurrando nossos veículos, as pernas já estavam travando. Chegamos em Cunha ás 6:00, já no início da noite e tivemos um pouco de dificuldade em arranjar pousada, fomos em duas e além de muito caras ($50,00 por pessoa) estavam lotadas. Conseguimos uma pousada (Estalagem Primavera) por $20,00 cada. Que coisa maravilhosa encontrar uma cama macia e um banho quente, é tudo de bom.
Saldo do primeiro dia: 47 Km percorrido, média de 9.5 Km/h.
22/07/06 -2º dia:
Levantamos as 7:00 e tomamos café na pousada em companhia do casal de proprietários, o Cláudio e Paola, que nos forneceram preciosas informações sobre o roteiro daquele dia, a partir dessas informações resolvemos mudar o percurso priorizando estradas mais tranqüilas e de terra. Saímos as 8:20 com destino a Campos Novos de Cunha. A estrada é de asfalto e com pouco movimento. As 11:00 chegamos ao primeiro destino, foram 28 Km. Almoçamos frango assado com pão e queijo, em um botequim sem a mínima higiene (faz parte da aventura). Ficamos uma hora no lugarejo, abastecemos os reservatórios de água e caímos na estrada novamente, agora em estrada de terra, porém bem sinalizada, com placas indicando as localidades, direção e Km. Já era aproximadamente 1:00 da tarde e o sol castigava quando tivemos uma surpresa muito agradável e refrescante, topamos com uma belíssima cachoeira, a Paraitinga, o Cateye marcava 47 km desde Cunha.
Não resistimos e fomos dar uma refrescada na água, mas difícil foi criar coragem para enfrentar o gelo. Chegamos até a colocar as garrafinhas para esfriar na água e em 15 minutos estavam completamente geladas (não é brincadeira, é sério). Apesar do espetáculo da cachoeira, tivemos uma grande decepção ao dar o primeiro passo dentro d'água, achamos um caco de vidro de garrafa de cerveja. É incrível como existe gente capaz de uma barbárie dessa, ter coragem de poluir e colocar em risco outras pessoas. Saímos da água e preferimos entrar nas pedras pois um acidente nessa altura do campeonato seria o final precoce de nossa viagem.
Depois de recarregada as baterias continuamos a pedalada subindo e descendo morros e alguns quilômetro adiante encontramos com uma galera de 26 ciclistas de Belo Horizonte que faziam o percurso no sentido contrário ao nosso ou seja Ouro Preto - Paraty, eles já estavam no penúltimo dia. Foi uma alegria enorme encontrar com um pessoal com a mesmo propósito que a gente, eles ficaram surpresos em saber que nós dois estávamos sem equipe de apoio ( eles tinham dois carros). Trocamos algumas informações, tiramos umas fotos e seguimos viagem, cada grupo para seu lado.
Chegamos em Cruzeiro (SP) no início da noite.
Percorremos 90 Km com média de 15 Km/h .
23/07/06 - 3º dia:
Levantamos as 6:00 e saímos as 7:00. O início da pedalada foi muito tenso pois estávamos apreensivos com a subida da Serra da Mantiqueira. Pedalamos 16 Km até o pé da Serra em asfalto bom, porém sem nenhuma sinalização. A subida da serra é quase toda sem acostamento e os carros passam raspando a gente. Apesar de ser domingo o trânsito era bastante intenso. Mas para nossa surpresa a serra acabou rapidinho, afinal ela não era temível como imaginávamos. Foram 8 Km de subida que fizemos em menos de uma hora e meia praticamente sem cansar.
Descemos a serra em direção a Passa Quatro onde encontramos a placa de divisa de estados Minas Gerais e São Paulo, em poucos minutos estávamos lá, chegamos as 11:00 e fomos procurar um lugar para comer alguma coisa. A cidade estava em festa com a Expô Passa Quatro. Cavalos, cavaleiros e amazonas estavam por toda parte. Seguimos viagem rumo a Itanhandu por uma estradinha margeando os trilhos abandonados da via férrea, foi uma maravilha, tudo plano, intercalando pedaços de asfalto e terra e até uma parte em trilha. O tempo todo encontrávamos com pessoas a cavalo indo para a festa na cidade. Depois de 11 Km chegamos em Itanhandu, era 1:30 e o Valdez teve uma indisposição e resolvemos pernoitar ali mesmo. Conseguimos um hotel filé por $20,00 (Terras do Sul). Como chegamos cedo aproveitamos a tarde para descansar e lavar a roupa suja.
Hoje rodamos apenas 49 Km, com média de 12,3 Km/h
Fonte:
Valdez Antônio Campos Cidade:
Paraty-RJ-Brasil Fotos: Valdez Antônio Campos Publicado: Élen de Cássia Pereira Date: 14/09/2006
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