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Pedro Criscuolo na Califórnia I

Pedro Oliva Criscuolo, de São José dos Campos/SP, está na Califórnia. Trabalhando de fotógrafo, ele aguarda o Green River Race, campeonato de caiaque. Seu retorno está previsto para o dia 22 de novembro de 2006. Confira o seu relato.

Cada vez que saio de minha casa para uma viagem me pergunto: Por quê?Para onde estou indo? Por que vou? E a resposta vem logo em seguida.

Tenho fortes lembranças de minha infância, quando passava as tardes vendo tv,assistindo a ''secão da tarde''. Na tela, filmes que se passavam no verão da Califórnia, imagens de ondas, surf, rios, lindos carros conversíveis e pessoas, muitas pessoas desfrutando a vida.

Realmente, assim é a Califórnia, como nos filmes, um lugar onde você pode aprender como ficar velho, ou melhor, como envelhecer de forma descontraída. É comum encontrar homens e mulheres com mais de 60 anos desfilando de óculos escuro, camisa semi aberta, chinelo e tatuagens, incrivelmente felizes e descontraídos.

Rumo à Califórnia

Minha empreitada para chegar aqui iniciou-se há 3 anos, quando tentei pela primeira vez tirar o visto para chegar a tão sonhada Califórnia. Na primeira tentativa tive uma grande barreira, um belo de um carimbo negro que carrego com orgulho no meu passaporte, no carimbo o símbolo que representava que eu não poderia entrar nos Estados Unidos da América.

Após três anos, em uma nova empreitada entre burocracias, muitos documentos e claro, contando com o auxílio de várias pessoas e empresas, fui ao consulado e obtive a tão sonhada autorização para pisar em terras Americanas.

Identificação

-Nome da Trip: Por Que Califórnia

-Objetivos: Trabalhar como fotógrafo de rio, tirando fotos em rios com corredeiras e participar do Green River Race (maior e mais importante corrida de Kayak em Classe V do mundo)

-Patrocinadores: Red Nose Shoes e Uniamerica

-Tempo total de permanência nos Estados Unidos: 4 meses e 10 dias

-Material Digital produzido: produção do vídeo documentário e registro de fotos.

Fotos

Estou no fim de uma jornada de três meses que trabalhei como fotógrafo. Foram 85 dias de trabalho, sendo que durante algumas semanas entrei no rio sete vezes. Remávamos em caiaques durante 1,5 hora para chegar ao ponto onde passaríamos mais de 6 horas.

Sob uma lage de pedra, tirávamos fotos das mais de 600 embarcações que desciam o rio, entre elas, botes de rafting, caiaques, cata rafting, caiaques inflaves, rafting oars, body board, bóias e canoas.

Aos sábados chegávamos a tirar mais de 4000 fotos durante um período de 6 horas. Cheguei a passar mais de 4 horas em pé sem parar de tirar fotos durante um só minuto. Realmente incrível, tudo que sempre sonhei trabalhar no rio onde nosso meio de transporte era o caiaque e o escritório uma corredeira! Assim me senti no primeiro mês.

Mas toda história tem dois lados, depois que passou a sensação de ''tudo novo'', em alguns momentos chegávamos a pensar: O que estou fazendo aqui?! A resposta para essa pergunta é a razão na qual mais uma vez vou nomear uma de minhas trips de ''Por que'', podendo ser estendida como pergunta ou resposta!

O que mais me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas que vêem para o rio ''American River'' em busca de lazer. Milhares americanos, mexicanos, indianos, japoneses, chineses e europeus vêem para o rio sabendo que o verão dura apenas 4 meses, o sol e a água são contemplados em um único período.

O verão da Califórnia

Encontrar aqui grandes grupos de caiaqueiros ou rafteiros de final de semana é comum. Uma das imagens que mais marcaram foi quando me deparei com um grupo de aproximadamente 30 pessoas, juntas desciam o rio de caiaque. Eram jovens, coroas, crianças, homens, mulheres, pessoas especiais, com caiaques grandes, pequenos, das mais diversas formas e cores.

A sensação de ver isso foi como se estivesse em um churrasco com 30 pessoas e todos discutiam e contavam causos sobre futebol, diferente do futebol o jogo aqui era o caiaque e o assunto era qual o caminho que cada um teria feito durante a descida das corredeiras do American River.

No mínimo curioso: a quantidade de empresas de rafting que atuam simultaneamente na região entre Lotus e Coloma, cidades tão pequenas que você pode percorrer a distância entre uma e outra caminhando cerca de 20 minutos.

São mais de 40 empresas operadoras de rafting devidamente registradas que operam com no máximo 7 botes por descida. Atuando de forma simultânea uma única empresa coordena em um dia descidas em diferentes partes do rio, totalizando as vezes até 5 grupos de 7 botes.

Em algumas ocasiões, uma única empresa leva para descer o rio cerca de 140 pessoas. Empresas super tradicionais como a clássica Oars, Adventure Conection, Mariah, WWC e muitas outras fazem desse lugar um centro para a prática do rafting e de muitas outras formas de descer o rio. Descer o rio aqui e tão popular que nos mês de julho é normal ter mais pessoas com seus próprios equipamentos do que pessoas que descem o rio através de empresas especializadas.

Toda essa festa acontece de forma organizada, existem xerifes do rio, policiais que descem o rio em viaturas flutuantes, e os excepcionais Rivers Patrols, que são pessoas treinadas e pagas pelo governo para trabalhar no rio, conscientizando as pessoas sobre a importância de usar equipamentos apropriados. A mensagem passada por eles é de diversão com segurança! Existem áreas públicas com banheiros, estacionamentos e segurança nas entradas e saídas do rio, uma organização de chamar a atenção!

Devemos tirar como lição um episódio no qual gostaria de nunca mais me deparar, porém acredito que fatos como estes são inerentes a inadimplência. Após um longo dia tirando fotos, ao final da tarde, observo um bote com 7 pessoas vindo no meio de um dos últimos grupos, um bote da cor cinza passa pela minha frente a menos de dois metros dos meus pés e no meio da corredeira vira, como de costume, dei um alto e forte grito bem goood fleeeeping (boa virada) e continuo sacando fotos dos que vêem em seguida.

Após 20 minutos da suposta boa virada comum nesta corredeira, entrei no meu caiaque e segui remando para mais um final de dia no rio. Ao virar à primeira curva, me deparo com um grande grupo no alto das pedras, e logo vi que estavam tentando reanimar uma pessoa que naquele momento já estava morta.

O grupo coordenado por um river patrol, atuava de forma consciente e profissional, acreditando que a vítima poderia viver. Além de auxiliar o resgate ainda tive a oportunidade de tirar fotos da ocasião, observei toda a estrutura americana atuando no resgate. Telefones via satélite, dois helicópteros, três carros de resgate chegaram no local em um piscar de olhos, mais já era tarde.

Ali se foi um pai de família, que teria filhas, esposa e estava no rio com um grupo de amigos de trabalho. Ele usava um colete salva vidas que não era adequado para seu peso e já teria tomado mais de nove cervejas em lata. Uma tragédia, que sirva de licão para os praticantes e futuros praticantes de atividades outdoor!

Acredito que relatando esse fato poderemos compartilhar de conhecimento e informação, auxiliando o crescimento dos esportes de aventura de forma segura e preventiva. Presenciar uma morte é muito marcante, porém, tenho milhares de boas lembranças deste maravilhoso paraíso:

-Clima-seco

-Temperatura-nos dias mais quentes os termômetros registravam mais de 41 graus

-Durante 85 dias não caiu uma só gota de chuva e apenas dois dias ficaram nublados, os demais foram com céu azul, muito azul!

Cultura O que faz desse lugar um grande pólo turístico é principalmente sua história Coloma-CA, assim denominada a pequena cidade que hoje abriga 420 moradores permanentes, e que no passado residiam 200 mil pessoas que chegavam de diferentes partes do país e do mundo em busca de ouro.

Uma imensa quantidade de ouro foi encontrada nesta região por volta de 1900, e por isso se usa atá hoje o termo Mather Lode (mãe do ouro). Atualmente, pessoas buscam por ouro no fundo do rio Americano (American River), porém, utilizam técnicas mais modernas e que causam um impacto muito pequeno, preservando o rio.

Um grande parque foi criado para preservar essa área, que são muito bem demarcadas, limpas, sinalizadas e protegem este patrimônio americano. Visitar a escola, a antiga cadeia e bar, estilo faroeste, são paradas obrigatórias.

Continua...

Fonte: Pedro Oliva
Cidade: São José dos Campos-SP-Brasil
Fotos: Pedro Oliva
Publicado: Fabiane Castro
Date: 11/10/2006 <%insert_data_here%>

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