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O engenheiro mecânico, Elcino Del Penho Júnior, 48 anos, do Rio de Janeiro-RJ, realizou entre os dias 23 de agosto e 23 de setembro de 2006 uma emocionante viagem rumo à Machu Pichu. Confira o seu relato. Parte I.
O plano inicial era passar pelo deserto de Atacama, porém, uma nevasca no Paso de Jama me fez desviar o trajeto, passando pela Bolívia ao invés do Chile. A vantagem foi conhecer um pouco da Bolívia e do lago Titicaca.
24.08.2006
Ontem, eu e a esposa saímos do Rio, muito tarde, já era 12h40. Rodamos até Jacareí, o pneu dianteiro baixou para 4 psi, enchi e estabilizou em 26psi. Seguimos até Campinas, onde chegamos com o pneu arriado de novo, vi que não tinha prego e apliquei o tyre-pando. Um caminhoneiro no posto, nos deu a dica do melhor caminho para Sorocaba, o cara tinha o sotaque igual ao do Henry Sobel, muito engraçado, e ficamos dando corda para ele falar mais.
Seguimos para Sorocaba, onde encontramos a irmã de Karla, a Fabiana. Jantamos e fomos procurar hotel próximo à nossa saída, acabamos ficando numa espelunca cujos quartos estão no segundo andar de um shopping, com distância de 100 metros entre os quartos e a recepção, mais 200 metros até o café da manhã. Foi muito engraçado ver os hóspedes andando muito até descobrirem qual é o seu quarto. Na manhã desse dia, acordamos e o pneu estava arriado. Apliquei o mini compressor, este já está pago, salvou a situação. Duas horas depois do serviço de borracheiro (o cara mais calado que já vi até hoje), saímos em direção a Ourinhos. A estrada é muito bonita, plantações de trigo, feijão, café e laranja. O cheiro de flor estava bom demais! Passamos por lagos, represas e rios com a água azul como o mar de Alagoas.
Foi muito legal ver as plantações de trigo em vários estágios e cores.
Paramos em Paranapanema, lanchamos no posto antigo com pinturas de como era antigamente. Conversamos muito com as pessoas, a moto carregada chama atenção e todos param para conversar. O rio Paranapanema, divisa SP-PR, é muito azul, parece um braço de mar, lindo. Hoje estamos pernoitando em Mamborê-PR. Depois de rodar cerca de 720 km desgastantes, com vários pedágios, obras de ficar parado, quebra-molas e muitas mudanças de rodovias, trevos toda hora, muito calor e a boca rachando com a secura do ar. Viemos pela Raposo Tavares, talvez pela Castelo Branco tivesse sido melhor.
Uma dica para quem vem do Rio é pegar a Rod. Dom Pedro I em Jacareí até Campinas, daí pegar para Sorocaba e continuar pela Castelo Branco até Ourinhos, assim escapa do trânsito da Dutra na chegada em Sampa. O mapa na mochila de tanque deu uma noção da direção e, acompanhando a posição do sol, rodamos em direção a oeste, noroeste (estranho) e sudoeste. Muito trânsito de caminhões, porém fácil de ultrapassar. Amanhã seguiremos para Foz do Iguaçu para passeios, compras, troca de óleo e fazer o seguro carta verde.
25.08.2006
Saímos cedo e seguimos para Foz do Iguaçu, passando pelas plantações de trigo. A ausência de cercas na beira da estrada dá a impressão de que estamos passeando pelo meio do campo, é lindo! Aliás, como eu não conhecia este caminho, pensava que até Foz seria apenas deslocamento para o início da viagem, engano meu, é muito legal este trecho, curtimos muito. Chegamos em Foz e paramos no Posto Gasparin para tirar o seguro Carta Verde, que custa R$147,00 para 30 dias. A cidade está em pleno evento Cataratas Motorcycle e fomos recepcionados logo na entrada da cidade e um dos organizadores nos escoltou até o hotel Tarobá, R$80. Tem outros mais baratos, mas resolvemos ficar ali mesmo com vários outros motociclistas. Nem almoçamos e arranjamos uma van para nos levar, esperar e trazer de volta das compras em Ciudad del Leste.
Aliás, que brejal!!! Chega a ser engraçado de tanta confusão e triste de ver a luta daquele povo para empurrar tanta ''quinquilharia'' nos turistas. Vaias para a tríplice aliança que arrasou com o Paraguay. Cheguei e fui trocar óleo e filtro da moto num posto BR, daí fomos jantar numa churrascaria com música paraguaia ao vivo: arpa e violão, ótima dupla, que nos fez viajar no tempo com músicas antigas como ''Recuerdos de Ypacaray'', ''Quizas'' e ''Guantanamera''. Amanhã iremos participar do passeio de moto até a usina de Itaipu, junto aos motociclistas, saindo do parque onde está rolando o evento. Domingo começa de fato a viagem ao exterior.
26.08.2006
A chuva atrapalhou o programa de Itaipu, saímos a pé pelo centro. Fiz câmbio e à tarde fomos passear nas cataratas pelo lado da Argentina, é realmente um espetáculo da natureza! Depois fomos à feirinha em Puerto Iguazu, gostei demais, fiquei tomando cerveja e comendo salaminho, azeitona temperada e queijo, bom demais!
27.08.2006
Depois de acompanhar a Karla ao aeroporto, arrumei as coisas, saí do hotel e fui rumo à fronteira. Como marinheiro de primeira viagem fica ansioso, cheguei na Aduana brasileira e conversei, relacionei máquina fotográfica, variometro, binóculo e celular. Depois, na fronteira Argentina falei que estava em trânsito para o Chile e tudo saiu rápido, sem revista na bagagem. Todos muito atenciosos e simpáticos. Tinha uma turma de Corrientes de moto na fila que iríamos encontrar pelo caminho. No km 32, a primeira parada na Gendarmeria Nacional, o guarda se encantou com o meu tapamanos e nem olhou os documentos, nisso a turma de Corrientes chegou e ele me perguntou se era minha turma, claro que sim!!! Resultado: liberou todo mundo.
No km 50, os três que haviam me ultrapassado foram parados e, eu e os outros dois fomos liberados. Em Caraguatay, parei e entrei para conhecer o Memorial Che Guevara, foi uma passagem rápida, mas valeu. Em San Ignácio, passei por dentro da cidade, mas não fui às ruínas, pois iria me atrasar. A província de Missiones é pura história, com diversas ruínas dos jesuítas, com vários sítios, o relevo é um sobe e desce constante, retas e curvas. Entrando na província de Corrientes, passa a ser plano e com retas de 20 a 40 km. Faltando 64 km para chegar em Corrientes, vi um posto Petrobrás e não resisti, parei para abastecer e a turma parou para conversar, e eu já estava contando estórias para os motoristas de carros que estavam lá. É impressionante como pessoas de todas as idades se sentem atraídas por uma moto carregada!
A gasolina BR custa de 1.899 a 2.199 pesos (x 0,77 R$/$), de 85 a 100 octanas. No YPF paguei $1,999 na Fangio (100 oct). Dá raiva de ver a exploracão no Brasil. O pessoal das motos me levou à Corrientes. Passeamos pela margem do Rio Paraná, com um movimento intenso, e me levaram a um hotel com garagem fechada na orla. Muito legais e atenciosos, vou escrever depois para eles. A cidade é muito bonita e o povo animado, fiquei encantado com os carros antigos, principalmente o Fiat 600 e o Citroen 2CV. Amanhã sigo para Salta com a dúvida se vou pelo Chaco, mais perto, porém mais monótono, ou por Santiago Del Esterro, mais longe, porém com estradas melhores.
Continua...
Fonte:
Elcino Del Penho Júnior Cidade:
Rio de Janeiro-RJ-Brasil Fotos: Elcino Del Penho Júnior Publicado: Fabiane Castro Date: 17/10/2006
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