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Nos dias 14 e 15 de outubro de 2006, Nei Maldaner passou um agradável final de semana na cidade de São José dos Ausentes/RS, em companhia da família. Confira o seu relato sobre o último dia desse belo passeio pelos campos de cima da Serra.
A conversa agradável e animada foi até tarde na noite anterior, mas tínhamos de levantar cedo, pois no verão a neblina ou a viração, como eles chamam na região, chega perto do meio dia. Então combinamos de acordar em torno das 7 horas para tomar café todos juntos e seguir para os cânions. Eu e a Ayumi iríamos de carro, pois tínhamos que levar meus pais, os outros iriam fazer o passeio a cavalo para o outro lado.
Na manhã de domingo, me acordei preocupado, eram cerca de 6h 30 min, já tinha claridade e eu não sabia que horas eram. Olhei para fora e já vi a serração, me lembrei que nas cavalgadas que participo sempre tinha esta neblina característica da região pela manhã e depois o sol aparecia.
Quando fui para a sala os biscoitos já estavam colocados na mesa e logo teríamos o café. Aproveitei e sai para fora da pousada para admirar mais uma vez aquele belo cenário, gosto muito de ver a paisagem de manhã. Percebi que havia movimento nos estábulos, as vacas em frente e o Ailton pegando elas. Ele estava lá de toca na cabeça, pois estava frio nesta manhã de outubro, apesar de estarmos quase no verão.
Não resisti e entrei no estábulo, por entre as vacas paradas na porta e observei tudo ali, o Ailton estava tirando leite da vaca, ao mesmo tempo que estava dando leite para os bezerros, tinha uns 10 bezerrinhos ali. Segundo ele este ano nasceram em torno de sessenta. Ailton ainda me ofereceu um Camargo, que é um café com leite de vaca, bastante comum na região da campanha.
Quando voltei para a pousada já vi o pessoal que tinha chegado na noite anterior se arrumando, foram tomar o Camargo também. Tomamos café todos juntos e logo seguimos para o cânion. No caminho, abre e fecha muitas porteiras das invernadas e chegamos ao Cânion Montenegro. Eu fui, novamente, de quadriciclo e neste dia não tinha nevoeiro. O céu ainda estava meio encoberto pelas nuvens então os cânions exibiam aquela cor meio azulada, indefinida entre o verde e o azul.
Chegamos onde tínhamos ido o outro dia e novamente deu para ver a grandiosidade do lugar. Eu nunca tinha visto o cânion deste lado e me impressionei pela vegetação do cânion, muito verde... Bom, eu também nunca tinha visto nesta época, sempre vinha no auge do inverno.
Ficamos ali brincando, admirando o ambiente. Eu estava muito feliz de estar ali, naquele lugar, meus pais também estavam muito alegres e impressionados. É muito bom compartilhar momentos assim. É impossível não querer registrar esses instantes e as belezas naturais, tiramos muitas fotos, depois seguimos com o Eulim, filho do Ailton para outros pontos. A paisagem na parte de traz ou ao lado é um espetáculo maior ainda, as escarpas no fundo iam diminuindo.
Meu pai ficava evidenciando isso a todo o momento, impressionado e encantado. Eu brincava com ele, falando que isso tudo é aqui no Rio Grande do Sul, bem próximo de Porto Alegre, é só vir quando quiser! Fomos observar as cachoeiras, que caiam centenas de metros. Não resisti e dei meu salto tradicional nos lugares muito lindos.
Levei o pai e a mãe de volta até o carro de quadriciclo, também dei umas voltas com o Eulim e seguimos para outro ponto do cânion, tudo ali perto. De carro subimos e descemos aqueles campos para chegar até a parte de frente para o mar, que já estava encoberto pela viração, ou seja, as nuvens vinham subindo lentamente. O que só deixou o cenário ainda impressionante, estava magnífico e com aquela paisagem ficamos ali mais de uma hora.
Sentamos, conversamos, olhamos e principalmente, admiramos. O sol forte fez a gente aliviar os casacos, mas por outro lado, as butucas (moscas que dão ferrão) começaram a aparecer, sem repelente não dava para permanecer muito tempo ali. Parece que no verão é pior ainda...
O Eulim nos mostrou o local onde seu pai prepara o churrasco para os turistas na beira do cânion, falou da trilha que ele está abrindo, junto com um amigo, que já está na metade do cânion. Conseguíamos enxergar as cidades lá em baixo, tentamos identificar quais seriam. Uma delas era Araranguá, já no estado de Santa Catarina, mas não dava para ver devido às nuvens que brincavam de esconder as cidades, só deu para ver com clareza, um pequeno município atrás de um morro.
Passamos quase toda a manhã ali, era quase meio dia quando decidimos voltar. Eu subi em um morro para pegar uma foto da camioneta saindo daquele lugar, fiz sinal para a Ayumi vir, só que eles entenderam que era para subir no morro também. Assim eles puderam ver a vista lá de cima e meus pais adoraram mais ainda.
Voltamos direto para a pousada e eu, como sempre, procurando atalhos no caminho e cruzando por entre o gado. Durante o trajeto encontramos os imponentes cavalos que ficaram nos olhando, deveria ser os cavalos que a gente iria montar. Chegando à pousada, vimos sobre a casa duas lindas curicacas. Aproveitei e tirei algumas fotos deles, o Eulim me falou do ninho e então fomos ver os filhotes, demos um jeito de subir na árvore para ver os filhotes, me impressionei pelo tamanho, acredito que logo estarão voando. No caminho enxerguei uma pata chocando, fui chegando perto e ela ficou uma fera!
A neta do Ailton também estava por lá, brincando com seu guarda-chuva meio aberto, uma gracinha! Brinquei um pouco com ela, jogando-a para cima, logo a timidez dela se foi. A pequena ria as gargalhadas. Enquanto o Eulim mostrava seus dotes musicais, tocando gaita para meus pais, eu fui dar uma volta de cavalo, cheguei até subir no morro da cruzinha com ele, lá de cima avistei o pessoal chegando a cavalo.
Almoçamos todos juntos, cada um contando as aventuras vividas pela manhã. Logo depois do almoço, em torno das 14h começamos a nos preparam para a viagem de volta, pois seriam 100 quilômetros de estrada de chão e mais uns 250 de asfaltos na volta da serra. Desse belo final de semana fica a certeza que levamos amigos novos no coração e vivemos momentos inesquecíveis.
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
São José dos Ausentes-RS-Brasil Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Renata Machado Date: 20/10/2006
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