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Mototurismo pela Europa, realizado em setembro de 2006 feito pelo casal Cicero & Lourdes, compreendendo 5.700 km por Portugal, Espanha e França. Parte II.
CAMINHO DE SANTIAGO AO CONTRÁRIO - 28/09
Novamente partimos tarde de Pontevedra, por volta das 10:00h, pois havia ajustado o alarme do celular, menos sua hora que continuava a do Brasil, ou seja, 5 a menos. Uma chuva fina começou cair e senti falta da minhas luvas à prova d'água e do frio. Por sorte, na saída da Cidade avistei uma loja de motos que tinha esse acessório, de excelente qualidade e por preço inferior ao nosso. Claro, tive que adquiri-las! Chegamos, com chuva, em Santiago de Compostela, circulamos por algumas ruas e procuramos um local para estacionar a moto, de forma que pudéssemos percorrer o Centro da Cidade à pé. Sem dúvida, Santiago merece a fama que tem pelo mundo afora, não apenas pelo lado religioso ou esotérico dos peregrinos que fazem o famoso caminho, mas pela cidade em si. Seu centro antigo é uma verdadeira cidade medieval que nos transporta para outros tempos. A famosa catedral é uma beleza arquitetônica mesmo para quem não é ligado à religião, como é o meu caso.
Observamos peregrinos de todas as espécies, com seus cajados, os quais, certamente, sentem-se realizados por atingir esse importante objetivo: o ''Caminho de Santiago'', feito por diversos trajetos, um dos quais com cerca de 800 km. Para ganhar tempo, de Santiago optamos novamente pela auto pista, porém antes de La Coruña tomamos uma estrada secundária em direção a Betanzos, essa sim, uma decisão acertada, pois a rodovia segue margeando o oceano e cruzando pequenas vilas e cidades, em boas curvas e com pouco tráfego, como gostam os motociclistas. Nosso ponto de parada para pernoite foi a cidade de Viveiro.
A COSTA VERDE - 29/09
Começamos a margear o Mar Cantábrico e adentramos o Principado das Astúrias, brindados por um trajeto cada vez mais interessante. Essa região também é denominada Costa Verde e a rodovia segue literalmente margeando o mar. As próximas cidades são Ribadeo e a Olviedo. Nesse trajeto avistamos uma espécie de promontório, e incríveis penhascos, de forma que fomos conferir de perto. O local realmente é de uma beleza surpreendente e o mar faz jus ao nome de ''costa verde''.
Alguns quilômetros adiante vimos indicações do Parque Nacional Picos de Europa, chegamos a sair da rodovia principal no intuito de visitar essa atração, retornamos e chegamos até Ribadesella, uma espécie de balneário, muito belo por sinal, porém resolvemos seguir adiante em direção a Santander e Bilbao, duas grandes cidades que passamos ao longo.
Num posto de abastecimento encontramos um motociclista interessado em saber um pouco sobre nossa viagem, insistindo em falar apenas em inglês, no que pese ser espanhol, para o qual repassei um adesivo e cartão com endereços, recomendando que acessasse meu site.
Começamos a procurar hotel, afinal havíamos percorrido algo como 400 km, porém nada encontramos nos pequenas cidades e vilarejos. Aliás, locais pensávamos se tratar de vilarejos, na verdade eram cidades grandes e com movimento surpreendente, porém o hotel ou era ruim ou caro demais, de forma que seguimos adiante e quando demos por em conta estávamos em San Sebastian (aquela do filme Os Canhões de San Sebastian).
Essa era uma cidade que pretendia melhor explocar, porém coincidiu que nessa data ocorria um festival de cinema, de forma que estava um tumulto só e hotéis e pensões estavam superlotados. De qualquer forma observei se tratar de uma bela cidade, com um rio cortando sua extensão, belas e antigas pontes e um centro ''antigo'' aparentemente interessante. A opção foi seguir adiante, em direção à França, parando na primeira cidade após San Sebastian onde encontramos um pensão bastante modesta, porém que nessas alturas nos pareceu a melhor do mundo, afinal estávamos exaustos a procura de uma. Foi nessa que ficamos, mesmo que a moto, novamente, tivesse que pernoitar na rua. Após acomodações saímos para jantar, tomar um vinho, como de costume e cair na cama.
NA FRANÇA - 30/09
O sábado amanheceu chuviscando e, como sempre, acordamos tarde, por volta das 09:00 horas. Em poucos minutos estávamos adentrando a França e começa a briga com os pedágios automatizados. No primeiro sequer observei que havia uma espécie de funil para que fossem colocadas as moedas de Euros. Apertei o botão de ''Help'', pois já se formava fila atrás da moto. Com a ajuda da funcionária, tudo resolvido, porém percorremos pouco mais de 50 quilômetros e novo posto de pedágio. Dessa vez sabia sobre como colocar as moedas, porém, onde estavam ? Tinha somente cédulas, de forma que novamente apertei a tecla Help e, dessa vez, a solução foi o Cartão de Crédito, pois os impacientes atrás já começavam a ''chiar''. Sorte que, no geral, os motoristas até que são bem educados !
Seguimos pela auto pista em direção a Bordeuax, não sem antes algumas confusões para tomar o acesso de La Rochelle, uma cidade que estava em nosso roteiro (na verdade nem sabíamos bem o por quê - certamente já lemos sobre ela !), o que conseguimos solucionar com a ajuda para um motociclista que nos guiou até a saída correta. Aliás, a partir dessa região, notamos um maior número de motos em circulação e, em sua maioria, todos se cumprimentam ao se cruzar, mesmo que com o pé.
Não era exatamente o caminho que havíamos planejado para chegar a La Rochelle, porém são tantas pistas que levam aos mesmos lugares, que não fazia grande diferença, ou melhor, até fez, pois essa rodovia nos levou em direção a Cognac, onde surgiu a famosa bebida, uma bela região com enormes vindimas ao longo da rodovia, pequenas e antigas vilas típicas de paisagens européias e muitas indicações de fábricas de vinhos e conhaques, é claro !
Um detalhe bizarro desse trajeto foi que, ao parar num posto de gasolina para abastecer, não havia ninguém, afinal era sábado, ou seja, teria que abastecer apenas com o cartão de crédito. Como me ''enrolei'' na operação, resolvi pedir ajuda para uma senhora idosa que estava em outra bomba. Ora ! Na Europa todos falam em tom baixo, porém eu, ainda mais querendo ajuda, entoei em alto e bom som: Madame, S'il vous plait. . . etc e, para minha surpresa, a mesma levou as mãos aos ouvidos, certamente incomodada pelo meu tom de voz. Certamente deve ter proferido algo como ''mon Dieu'' ! Para compensar o desgaste do dia anterior em relação a procura por hospedagem, por voltas das 17:30 já estávamos atentos à hotéis e pensões, de forma que ao chegarmos em Saintes, um pouco antes de La Rochelle, resolvemos nos acomodar. Uma pena nessa localidade não conseguir achar um Cyber Café para atualizar os informes do Site, talvez por ser sábado.
O VALE DO RIO LA LOIRE - 01/10
Quando acordamos, novamente por volta das 09:30h, observamos neblina, de forma que não nos apressamos. Tomamos café com calma e ainda fomos ao centro para fazer algumas fotos. Partimos em direção a La Rochelle, cidade que estava em nosso roteiro, umas bela cidade com um incrível centro antigo, ruelas estreitas e construções que são uma verdadeira obra de arte, como tantas dessa região. De La Rochelle seguimos em direção nordeste para Cholet e dessa para Saumur, localizada às margens do Rio Loire, nosso principal objetivo na França, ou seja, ver os castelos situados às margens desse rio, região conhecida como Vale do Loire.
No decorrer do percurso avistávamos seguidas placas indicando castelos famosos da região, porém, aparentemente, para serem conhecidos requeriam sair da rodovia, porém em Saumur, le Chateau de Saumur está bem no coração da cidade, ou seja, chegávamos ao ponto extremo norte da viagem e éramos brindados com uma visão exata de castelo de contos de fadas, aquilo que pretendíamos. Situado no alto de uma colina, com o Rio La Loire ao fundo, a imagem do castelo realmente é algo majestoso. Fizemos muitas imagens em fotos e vídeos, pois esse momento tinha a mesma importância de outros ocorridos em nossas viagens, como a foto que fizemos no final da Ruta 3, Na Terra do Fogo, ou seja, um ponto extremo (nesse caso, apenas dessa viagem) e mais um objetivo alcançado. Após esse deleite visual, resolvemos procurar um hotel e descansar para iniciar o caminho de volta à Espanha, evidentemente por outro trajeto, como é do nosso costume.
Continua...
Fonte:
Cicero dos Santos Paes Cidade:
Santiago de Compostela-EX-Chile Fotos: Cicero dos Santos Paes Publicado: Élen de Cássia Pereira Date: 27/10/2006
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