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O Engenheiro Civil Eduardo Theisen, de 29 anos, morador de Santa Cruz do Sul, participa de provas de arracanda desde 1999. Em outubro de 2006, ele conversou com a equipe sobre a sua história nesse esporte.
O interesse de Theisen por carros começou quando ele tinha 15 anos: "Via aqueles carros turbo passando na rua e eu sonhava em ter um. Então coloquei na minha cabeça que era isso que queria e comecei a batalha", declara. No início, ele enfrentou várias dificuldades, pois não tinha condições financeiras na época. "Passei muito tempo juntando dinheiro e comprando peças, deixando de sair ou comer algo melhor para poder sobrar um pouquinho de dinheiro. Comecei a correr em 1999", lembra. O número do carro que ele usa atualmente é 99, por causa do ano em que entrou na pista pela primeira vez.
Theisen decidiu participar de arrancadas, em 1997, quando começou a ir aos autódromos acompanhar o piloto Clovis Waechter, o único que corria na época. Depois de participar dos campeonatos gaúchos, em 2001 ele foi para o primeiro festival brasileiro de arrancadas em Curitiba, onde ficou na 9º colocação entre 57 concorrentes.
"Mas tive um período de muitas quebras e muita dor de cabeça até chegar na configuração ideal do carro. Em 2004 fui campeão gaúcho invicto, vencendo todas as etapas. Comecei a participar do campeonato paranaense, que hoje é o mais forte do Brasil e onde andam os melhores carros e, principalmente, para onde a mídia da arrancada no Brasil está voltada." Theisen foi campeão de alguns festivais e vice campeão sul americano de arrancadas.
O piloto já competiu na categoria Força Livre Tração Dianteira e atualmente corre na Street Turbo Tração Dianteira B e na Street Turbo A. Nas competições, o carro que ele usa é um Volksvagem Gol. Sua melhor colocação nas provas foi uma vitória no Festival Dragster Summer Show, onde quebrou a caixa de câmbio nos treinos e não havia nenhum na reserva. "Tinha perdido a terceira marcha então na última bateria resolvi arrancar sem a terceira marcha mesmo. Larguei de segunda e pulei para a quarta marcha e acabei vencendo a competição. Essa vitória para mim foi a mais importante, inesquecível", acredita.
O Festival Brasileiro de arrancadas em Curitiba, que reúne em torno de 60 adversários e são os melhores carros do Brasil, é a competição mais importante para o piloto. Nesse evento, em 2005, Eduardo ficou em 3º lugar na categoria Turbo B e em 8º, na categoria Turbo A, onde teve muitos problemas com quebras de caixas de câmbio e mesmo sem ter conseguido acelerar nenhuma largada até o final dos 402 metros acabou alcançando essas colocações. "Fiquei muito contente com esses resultados, apesar de eu ter muitas vitórias em outras competições, essa é a mais importante do Brasil!"
O piloto integra a equipe Santa Cruz de Arrancada, que conta com cerca de 20 pessoas trabalhando direto nos carros: "Competir com esse grupo é muito bom, pois a cada resultado positivo, não sou só eu que venci uma corrida e sim várias pessoas que estão comigo merecendo o lugar mais alto do podium", acredita Theisen. Ele destaca que acidente em arrancada é uma coisa muito preocupante, pois em 402 metros o carro chega a uma velocidade de 240km/h. "Graças a Deus nunca me aconteceu nenhum acidente!"
Theisen costuma treinar apenas em vésperas de corridas para acertos finais do carro: "Isso porque nossos motores são feitos no limite e não agüentam muito. Então quando treino, só vejo se está tudo certo e não forço muito o carro." Como a arrancada toma muito tempo, geralmente o piloto acaba ficando menos tempo com a família e a namorada: "Pois o trabalho não tem como deixar de lado, por ser ele o sustento das corridas", diz.
Patrocínio é algo bastante complicado nesse esporte: "Acho que a mídia dá pouco valor para a arrancada no Brasil, pois no momento em que tivermos corridas transmitidas na televisão e todas as outras mídias abrirem mais espaços, com certeza facilitará muito para os pilotos. Eu tenho patrocínios que nos ajudam da maneira que podem", conta.
Algum apoio para as competições, Theisen sempre consegue, por mais difícil que seja: "Tem corridas que temos que ir com ônibus e com todos os equipamentos, como motores reservas, caixas de câmbios, turbinas... Para transportar o carro é preciso de uma carretinha e um carro ou caminhonete com mais força para puxar. Tem a equipe que precisa estar no evento com carro, também. Essa é a parte complicada para poder estar bem em uma corrida, não deixar de correr por quebrar qualquer coisinha e não ter como consertar na hora", explica.
Segundo o piloto, a arrancada um modo de vida: "Dentro desse esporte conheci muitas pessoas legais pelo Brasil inteiro. Hoje tenho amigos em todo país e principalmente, admiradores que fazem questão de ir conversar comigo nas corridas ou pela internet e aprender um pouquinho que vivenciamos."
Theisen acredita que a arrancada é a parte do automobilismo que mais cresce no Brasil, pois o acesso a esse esporte é muito fácil para todos amantes do automobilismo: "Cada vez mais a arrancada coloca mais público nos autódromos e carros na pista do que qualquer outra modalidade do automobilismo." Somente na arrancada é permitida a presença do público nos boxes durante a corrida, fazendo com que o contato das pessoas com carros e pilotos seja muito maior.
"Tanto é que hoje eu e meu colega, Juliano Salton, criamos a Reação Autosport uma empresa na qual tem o intuito de organizar grandes eventos. Mandamos fazer um sistema de cronometragem com painéis eletrônicos e estamos investindo para o crescimento da arrancada mais forte agora no Rio Grande, onde promovemos esse ano dois grandes eventos, onde se fizeram presentes os dois maiores nomes da arrancada nacional, Alejandro Sanches e Agenor Scort. Para o ano que vem, estamos montando um campeonato, no qual esses dragsters já estão confirmando presença."
Para quem está iniciando no esporte, ele aconselha procurar alguém que já corre a mais tempo, para tirar o máximo de informações, isso será um fator chave para que se gaste menos dinheiro. "Quando comecei a correr, nunca fiz isso, tive que descobrir tudo sozinho, o que fez eu quebrar muitos motores e colocar muito dinheiro fora em coisas erradas. Seja caprichoso e cuidadoso com seu equipamento, assim a tendência é de tudo dar mais certo. Estarei sempre diposto a ajudar quem queira iniciar e já fiz isso muito, podem me procurar que tenho muito a dizer", se disponibiliza.
Theisen encerra agradecendo: "Ao meu pai que sempre me apoiou e sem ele não teria condições de ter iniciado a correr, aos meus amigos e equipe que estão sempre ali, com o coração na mão esperando um bom resultado, minha noiva que a quase 7 anos tem que ficar, muitas vezes, longe de mim, nunca reclamou por isso e sempre me apoiou. Agradeço também ao pessoal do INEMA que apóia a arrancada e está proporcionando este espaço."
Equipe INEMA
Fonte:
Eduardo Theisen Cidade:
Santa Cruz do Sul-RS Fotos: Eduardo Theisen Publicado: Renata Machado DATA: 07/11/2006
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