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Rodrigo Fagundes e a paixão por pedalar

Rodrigo Hart Fagundes de Porto Alegre/RS começou a andar de bicicleta em 1994, aos 17 anos e nunca mais parou! Doze anos depois, o ciclista conversou com a equipe INEMA sobre a importância das pedaladas na sua vida.

Fagundes só aprendeu a andar de bicicleta aos 17 anos, depois que ganhou uma bicicleta num concurso de redações das escolas de Guaíba, onde ele morava: "Nessa época é que fui aprender, com a ajuda de amigos. Eu tinha pouco tempo para andar, mas era uma das coisas que eu mais gostava de fazer", lembra. Em 1997 se mudou para Porto Alegre, onde usou a bicicleta para ir conhecendo o bairro e arredores. "Morava no Morro Santana e vinha para o Centro ou Ipanema todos os finais de semana. Mas achava o trânsito uma coisa muito insegura. Nas primeiras vezes, empurrei a bicicleta em muitas subidas..."

Quando o ciclista começou a pedalar era mais uma brincadeira, uma curiosidade e também, para perder peso. "Conhecia pouco sobre bicicletas, vestimentas, equipamentos de segurança e comportamento. Andei muito na contramão também, as pessoas de um modo geral, defendiam que é melhor ver o que vem ao nosso encontro. Um dia fui atropelado na contramão por um motorista que convertia e não me viu, mas sem maiores conseqüências. Deixei a bicicleta na garagem por mais de dois anos, depois, nunca mais andei na contramão", recorda.

Após trocar a velha bicicleta, Rodrigo começou a participar de passeios, onde conheceu vários amigos e amantes do ciclismo. "O Eliseu aos 59 anos pedalava todos os finais de semana até Itapuã e com ele e outros amigos, fui conhecer o lugar. Pedalamos para lá quase todos os finais de semana por quase um ano." Por indicação de amigos, ele conheceu a lista do Bike-RS e construiu um grupo de sete ou oito amigos que sempre se juntava para viagens, foi quando começou a conhecer a serra gaúcha.

Entre os passeios mais interessante que já fez, ele destaca o seu favorito: "A Rota Romântica, passando por Gramado, Canela e terminando o dia em São Francisco de Paula ou os caminhos de Morungava também até São Francisco, onde tenho alguns amigos. Já subimos até lá à noite. É bem diferente, a cidade encanta pela beleza rústica, autêntica, diferente de Gramado e Canela, onde as belezas naturais se mesclam à ação do homem. Guardo boas recordações de outras viagens, como Caxias do Sul, Cambará do Sul e Três Coroas."

Viagens para o litoral em épocas de baixa temporada também estão na lembrança do ciclista, embora considere grandes retas, monótonas. E na alta temporada o trânsito é mais complicado. "Sob o aspecto trânsito, os melhores lugares para se pedalar no verão ficam na serra. Ano passado, fiz uma viagem com um amigo, onde fizemos parte no pedal e parte de ônibus entre as serras gaúcha e catarinense, passando pela Serra do Rio do Rastro, terminando em Florianópolis." Rodrigo conta a reação das pessoas: "Quando você fala que foi pedalando até Gramado ou Caxias do Sul, ficam perguntando se você é louco ou está lhe contando uma mentira!"

A sensação de liberdade e o movimento que esse esporte proporciona é o que mais atrai Rodrigo nas pedaladas: "Além de ter perdido um bom peso, ganhei muito em saúde. Desde que comecei a pedalar, minha saúde se mostrou bem melhor, sem contar o bom condicionamento físico e a disposição para outras atividades do dia-a-dia. Fora isso, conheci muitos lugares aqui do Estado e em Santa Catarina. Uma viagem feita de bicicleta se torna única, você repara mais em detalhes da paisagem que passam despercebidos para quem vai de carro ou ônibus. É uma forma diferente de ver a si mesmo, ao outros e o mundo ao seu redor. A bicicleta em mostrou que podemos romper os limites do nosso corpo e mente, com perseverança e boa vontade. Unir esses dois sentimentos é muito bom", acredita.

Além dos passeios, ele já participou de desafios ciclísticos, como Audax 200/300. "Já tive vontade de participar de provas, mas como gosto de andar em estrada e uso uma Mountain Bike, ficaria muito limitado. A rotina de treinamentos, o investimento e a dedicação teriam que ser mais intensos também. Logo, tenho me dedicado a praticar cicloturismo, que me leva a ter uma vida mais regrada e cuidar do corpo, da alimentação e a colher os benefícios do esporte sem muitas cobranças", explica. Geralmente, Fagundes costuma fazer o trajeto de 6km até o trabalho, de bicicleta: "Mal dá para aquecer", reclama. Pela manhã, ele gosta de pedalar até o centro de Viamão, cidade vizinha ou Ipanema, na Zona Sul de Porto Alegre, todos na faixa de 45 km, o que o ciclista considera ideal. Nos finais de semana, quando pode, ele faz alguma viagem, geralmente com sua namorada, que também gosta de pedalar.

Fagundes pensa que o esporte, deve ser visto com responsabilidade e disciplina, mas jamais como obrigação. "É preciso conciliar cada situação da nossa vida e planejar bem nosso tempo, para poder investi-lo da melhor forma. Se desejarmos fazer um esporte, temos que organizar cada área da nossa vida, para que haja o tempo necessário. Essa dedicação genuína, sem cobranças, é que traz os melhores resultados. E mais do que isso, é preciso apoio e incentivo de amigos e familiares", declara.

As amizades e a possibilidade de conhecer lugares e caminhos de forma singular é o mais gratificante desse esporte para o ciclista: "O condicionamento físico também é muito benéfico. Sem contar que faço o que gosto!" Ele afirma que nunca teve muita desenvoltura em esportes como vôlei, futebol, basquete, apesar de gostar deles. Quanto ao futuro, Fagundes pretende continuar viajando: "Busco condicionamento para que percorrer uma longa distância seja prazeroso. Isso também permite aumentar os roteiros e os lugares a conhecer. Seria um 'cicloturismo esportivo', sem bagagem desnecessária, apenas o importante", explica. Mesmo sem objetivos de competir, ele não se negaria a tentar, se tivesse oportunidade, embora acredite que a cobrança por resultados seja, de certa forma, estressante.

O ciclista agradece a todas as pessoas que lhe ajudaram no crescimento e na prática do esporte, não apenas de forma física ou técnica, mas humana. "Não cito nomes para não correr o risco de esquecer alguém, mas cada amigo que me apoiou sabe que sou grato e que pode contar sempre. O mesmo procuro fazer com quem me procura pedindo alguma dica ou ajuda. Graças ao incentivo dessas pessoas e dos novos parceiros que fazemos a cada jornada, que se justifica a vontade de fazer tudo de novo! Agradeço em especial à minha namorada, que tem me incentivado a pedalar e me acompanha em muitas viagens, sugerindo roteiros e registrando os melhores momentos de cada pedal", encerra.

Equipe INEMA

Fonte: Rodrigo Hart Fagundes
Cidade: Porto Alegre-RS
Fotos: Rodrigo Hart Fagundes
Publicado: Renata Machado
DATA: 21/11/2006 <%insert_data_here%>

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