|
Pedro Oliva Criscuolo, de São José dos Campos-SP, está na Califórnia. Participando do Green River Race, campeonato de caiaque, viveu muitas emoções. Seu retorno está previsto para o dia 22 de novembro de 2006. Confira o seu relato. Parte IV.
Últimos passos para o Green River Race
Espero que você, após ler este relato, tenha mais disposição para
seguir em frente. Finalmente embarquei, final de uma jornada de 4 meses, estou no avião rumo à Carolina do Norte. Nos últimos dois dias estive bastante concentrado nessa viagem e por muitos momentos fiz perguntas a mim mesmo. Provavelmente a maioria da sociedade também se auto-questione!
Seja bem vindo a expedição da vida! Estamos seguindo a trilha certa "
Por que estou tão determinado a ir nesta corrida" Sendo que muitas vezes a
vida me colocou obstáculos tão difíceis a enfrentar, e para chegar no Green
River Race tive que superar muitas dificuldades e ainda, de certa forma,
conto com o sacrifício de muitas pessoas.
Uma das perguntas que fiz a mim mesmo se refere à minha opção de
praticar kayak em cachoeiras. Por que gosto tanto deste esporte? Sendo que
poderia estar me dedicando a outras atividades e talvez, estar ganhando muito mais dinheiro. Escolhendo o caiaque tive também que me adaptar a diversas profissões para assim, poder complementar minha renda. Por que
tudo isso? Cheguei a seguinte conclusão: Acredito que minhas ações são direcionadas para proporcionar um futuro mehor para meu filho, pois através das vivencias que estou tendo e o que estou aprendendo, terei ferramentas para sua educação, e sem viajar isso não seria possível.
Correr o mundo é fundamental para a formação de um ser humano. Pois através do intercambio entre diferentes culturas, formas de vida, educação e
observando as características econômicas dos países, nos tornamos pessoas com mais possibilidades de crescimento e principalmente, desenvolvimento
humano e profissional. Por tudo isso, o intercambio de conhecimento é importante. Ter uma meta é fundamental para que possamos traçar nossa própria trilha rumo a felicidade profissional e familiar.
Sobre o esporte, minha opção sobre o caiaque está ligada ao elemento água, que aparece em vários momentos em estudos na minha formação e perfil astrológico. Minha paixão pela água é tamanha que me sinto melhor estando dentro da água do que no ambiente seco, ou seja, em terra firme.
Ao invés de dedicar meu tempo a remar, eu poderia estar trabalhando em
entidades beneficentes, auxiliando os menos favorecidos e doentes? Para essa questão, minha linha de pensamento é direcionada a uma única filosofia: minhas ações, através do caiaque estão ajudando a conscientizar as
pessoas de uma forma indireta sobre a importância dos rios, sobre a
importância da vida, do respeito à natureza. Respeitar a natureza é respeitar a si mesmo, e respeitar a humanidade é contemplar a vida como um
todo.
E mais que isso, encarar os obstáculos da vida, as cachoeiras, seguir em
frente, podem ainda servir de motivação para outras pessoas que podem e
devem seguir sempre com muita garra, e acreditar em si mesmas. Nos últimos quatro meses conheci pessoas que foram se unindo como elos de uma corrente e ao final desta jornada, a corrente esta tão longa que se for representar cada elo com o nome de uma pessoa que foi fundamental para tornar esta empreitada um sucesso, teria que escrever uma grande lista de nomes. Pois são muitas as pessoas que de alguma forma trabalharam para que meu sonho se tornasse realidade.
Emocionado, satisfeito, realizado! Para estar aqui muitas pessoas fizeram
dos meus sonhos seus próprios sonhos e estamos juntos compartilhando um
desafio em equipe. Apesar de neste exato momento estar sozinho, sei que há muitas pessoas que estão aqui comigo mentalmente e o melhor de tudo é que a única coisa que esperam de mim é que eu siga até o final, com muita vontade, garra, respeito e humildade! Contei com a ajuda de muitos americanos, um irlandês, muitos mexicanos e claro, com a ajuda de brasileiros.
A pessoa que vai me resgatar no aeroporto em Carolina do Norte é o
organizador do evento. Ele como outras pessoas, está dedicando muitas
horas de seu tempo para me receber. Jason Hole é a última pessoa que vou
conhecer ao final de uma etapa limitada por finalmente chegar à Carolina do Norte. Quando eu encontrar Jason Hole estarei concluindo o maior desafio de toda esta jornada: chegar na Carolina do Norte.
Após chegar estarei iniciando uma nova jornada, sendo este ponto decisivo
para meu futuro, podendo tomar diferentes caminhos que podem me levar ao sucesso, a alegria como também podem não ser tão agradáveis. Positivo tenho certeza que será, pois não importa minha classificação final e sim que estive lá e por isso, penso que já é um motivo para comemorar uma vitória. Estou preparado para as duas possibilidades e vou fazer o melhor que posso, dar o melhor de mim mesmo para ao final dos 5 minutos de sprint no caiaque estar satisfeito e completamente esgotado fisicamente.
Importante agora é lembrar de cada pessoa que se sacrificou para
que este meu sonho fosse realizado e transformar este sentimento em força
para encarar os últimos 3 dias que antecedem a prova. Ainda faltam 80 horas para a prova, procuro me manter atento com os detalhes, pois um deslize pode comprometer o trabalho de aproximadamente 50 pessoas que acreditaram no meu potencial e querem que os representem bem e com muito orgulho. Manter a humildade para mim neste momento é vital, pois estou entrando em um mundo de canoistas profissionais, manter-me em silêncio, escutando e somente aprendendo será uma ocasião comum nos meus próximos dias.
Continua...
Fonte:
Pedro Oliva Cidade:
Califórnia-Ex-USA Fotos: Pedro Oliva Publicado: Fabiane Castro Date: 14/11/2006
<%insert_data_here%>
|
|