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O ciclista Rodrigo Hart Fagundes de Porto Alegre/RS pedala desde 1994. Em novembro de 2006, ele conversou com a equipe INEMA sobre o esporte.
Para Fagundes, o crescimento da modalidade no Brasil, aumentou nos últimos anos, mas ainda é um pouco lento. Ele acredita que em estados como Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, o esporte seja mais difundido e tenha mais adeptos: "Aqui, fora algumas exceções, nossos atletas ainda carecem de investimentos e melhores condições. Nossos melhores atletas, em geral, contam com apoio da família e dependem de renda própria", completa.
Ele destaca a dificuldade para conseguir patrocínio: "Acredito que aqui no estado seja difícil, devido ao clima, em função das épocas mais frias e mesmo os atletas não se sentem motivados. Não temos a cultura de prestigiar o ciclismo como esporte e as empresas não se sentem motivadas a investir." Geralmente, ciclistas que começam cedo, provêm de famílias que possuem algum vínculo com a modalidade, pois não é comum para as nossas famílias verem seus filhos pedalando 80 ou 100 km em estradas. "É diferente de esportes como vôlei ou futebol, onde uma bola e qualquer espaço perto de casa possibilitam a prática. Muitos atletas têm potencial, mas não têm condições de investir. Os treinos também são prejudicados para quem não têm muito tempo, diferente de um atleta patrocinado", declara.
"Porém, nos últimos dois anos, temos ouvido falar de muitas provas independentes, ou de nível amador, organizadas pelo interior do estado por grupos de ciclismo e associações, principalmente em MTB e Cross Country, modalidades mais acessíveis do que o Ciclismo (speed) ou Down Hill", conta. Ele acrescenta que a divulgação do ciclismo na mídia é fraca, o que atrapalha o desenvolvimento da modalidade, pois não podemos confundir o esporte com o simples fato de andar de bicicleta: "Esse desconhecimento faz com que o esporte não seja visto de forma interessante", afirma.
Na Internet, a divulgação é mais forte, devido ao seu crescimento e da maior facilidade de acesso, o que nos últimos anos se tornou um espaço para a formação de grupos e listas de discussão nacionais, estaduais e regionais, além de muitos sites de lojas e páginas pessoais sobre o ciclismo. "Mas se os blogs e divulgação em sites auxiliam, a imprensa formal continua não divulgando o esporte. Por isso, temos atletas olímpicos brasileiros e estrangeiros circulando pelas nossas avenidas, como acontece durante a Volta Internacional de Porto Alegre (que hoje conta pontos para o ranking da União Internacional - UCI) como meros desconhecidos", conta.
Adepto, também, do cicloturismo, Fagundes lembra a importância de diferenciar essa prática, do ciclismo como esporte. "O cicloturismo é voltado para pessoas que desejam conhecer lugares e viajar usando a bicicleta como meio de transporte. Mesmo assim, o cicloturista ainda é visto como um cidadão com alguma condição econômica e disponibilidade de tempo para investir em uma boa bicicleta e realizar viagens por muitos dias, enquanto de carro poderia ser feita em horas", explica. Ser cicloturista não exige tanto fisicamente, embora algum preparo seja recomendável e também não requer muito investimento: "Acredito que a modalidade deveria ser difundida, pois conscientiza as pessoas do uso da bicicleta, seja para o turismo ou mesmo para o deslocamento em médias e curtas distâncias, servindo como elo da função social da bicicleta com o esporte", explica.
Fagundes pensa que os benefícios desse esporte aliado ao turismo, considerando as belezas naturais do estado são muitos. "Diria que é uma área pouco explorada, mas com muito potencial. Muitos lugares, como nossa serra, ideais à prática do Mountain Bike, como turismo, como uma forma de aproximar as pessoas das belezas natureza, pouco mostradas e contribuindo com a construção de uma consciência mais respeitosa ao meio-ambiente." Existem muitos roteiros que poderiam incluir a bicicleta, permitindo um turismo diferente, mais amplo e intenso. "Uma coisa que seria necessária é a regulamentação do transporte de bicicletas em ônibus de viagem, pois isso causa muitos transtornos para quem deseja viajar intercalando ônibus e bicicleta", sugere.
Ele aconselha quem deseja iniciar essa prática, que a melhora no desempenho, seja para competições ou para cicloturismo, deve ser gradual. "Não exige grandes investimentos, depende apenas de dedicação, prática e perseverança, respeitando os limites do corpo e conciliando rotinas saudáveis de sono e alimentação. A evolução a partir desse trabalho acontece naturalmente, à medida que vamos sendo inseridos no meio, conhecendo mais pessoas e adquirindo experiência", encerra.
Equipe INEMA
Fonte:
Rodrigo Hart Fagundes Cidade:
Porto Alegre-RS Fotos: Rodrigo Hart Fagundes Publicado: Renata Machado DATA: 13/11/2006
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