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Em entrevista ao INEMA, no dia 6 de dezembro de 2006, o atleta Mário Pardo, 46 anos, de Lisboa-Portugal, falou sobre o esporte na sua vida. Confira a interessante visão do atleta sobre as aventuras realizadas.
Mário afirma que seu gosto por aventuras surgiu desde o momento que nasceu. A aventura de estar num ambiente acolhedor e protegido e derrepente sair para um mundo louco como este, ver umas criaturas gigantes que lhe deram alguns tapas e ter que desbravar toda esta vida, que é fantástica, reprsentou suas primeiras emoções.
Contudo, rapidamente o medo tomou conta de Mário e ele se tornou uma pessoa com receio de se aventurar. Apesar do apelo interior pela aventura, sentia-se muito desamparado, desprotegido e com pouca confiança em si para arriscar.
O seu primeiro contato com a queda-livre aconteceu quando ele foi para a tropa e optou pelos pára-quedistas. Isso acoreu por vontade própria. O atleta, que também é empresário e psicoterapeuta, sempre sentiu uma ligação especial com o elemento Ar. ''O ar faz-me sentir mais solto e mais livre, eu queria exorcizar os meus medos'', conta.
Atualmente, Mário não participa de campeonatos, está mais dedicado aos projetos especiais. Mesmo assim, participa de alguns festivais e exibições integradas e em outros eventos, como por exemplo, o rally Lisboa-Dakar.
Para o atleta a competição mais importante foi o Campeonato Nacional de VF4 (Vôo de Formação a 4) em que participou juntamente com a sua equipe na altura, e que foi disputadíssimo. Antes do último salto, eles estavam apenas 1 ponto à frente da equipe que lhes seguia. Nesse último salto, ambas equipes, fizeram os mesmos pontos, ou seja, eles ganharam por um escasso ponto. A mãe de Mário tinha partido deste mundo havia pouco tempo e foi assim, como que um presente que ele sentiu dar à ela. ''Quando estava lá em cima sentia-me mais perto dela e mais ligado'', afirma.
Desde que iniciou na modalidade, sentiu uma certa resistência por parte de sua família, era o medo de que lhe acontecesse algo e incentivavam Mário a desistir. Mas foi no Ar e na Queda Livre em concreto que ele encontrou o seu lugar e o incentivo que precisava para ultrapassar outros obstáculos na vida. A preparação de Mário para esses desafios no ar ocorre através de informações detalhadas de todos os perigos existentes e de intensos treinos.
Mário tem uma rotina diária de fazer alguma preparação física que lhe dá a condição necessária para melhor se aventurar na Queda Livre. Além disso, dependendo do que deseja fazer no Ar, visualiza o treino repetidamente, concentrando-se no seu objetivo até que saia tão bem quanto deseja. O segredo para ele é acreditar que é possível chegar lá, seja lá onde for esse ''lá''. Perceber o que é preciso fazer para ''lá'' chegar, preparar-se em vários níveis, treinar e nunca desistir. Mário cita o que leu na Zona de Lançamento onde treinou na Espanha: ''Felizes são aqueles que sonham sonhos e estão dispostos a pagar o preço para os tornar realidade''.
Para iniciar esse esporte, o atleta conta que foi difícil e comenta que pelo menos em Portugal, a Queda Livre era um desporto de elite, o qual não era facilitado o acesso, pelo contrário. Além disso, o dinheiro era curto e ele comenta que saltar é algo caro. ''Cheguei a empenhar-me e ficar devendo dinheiro a um amigo da minha equipe para poder fazer os treinos necessários'', conta. Tamanho esforço foi para tornar-se mais competitivo e conseguir vencer, o que veio a acontecer.
Além do vôo Livre, Mário pratica outros esportes, entre eles, natação, andar de bicicleta, ginástica e alguns desportos de aventura como mergulho, escalada, parapente, etc.
A idéia de mesclar queda livre com motociclismo surgiu porque Mário queria saltar de uma montanha, mas a pé não era possível, pois mesmo com uma rampa que em determinada altura construiram para tentar viabilizar o salto, não foi o suficiente para lhe afastar o necessário da montanha. Outra razão foi o fato de um amigo dizer que deixaria de fumar se um dia fizesse um salto com uma moto. ''A moto permitiu-me o necessário afastamento da escarpa rochosa, para conseguir realizar este salto que foi absolutamente fantástico'', afirma.
Entre tantas emoções, sentindo a adrenalina a cada realização e contabilizando 3 mil e 100 saltos, Mário afirma que a maior aventura é o desafio de estar vivo e crescer como pessoa ao mesmo tempo que se liberta.
Ele já sentiu medo,mas nunca pensou em desistir. Mário comenta que por vezes é imprescindível ser capaz de dizer não, quando não estão reunidas as necessárias condições de segurança. ''A idéia não é o suícidio, mas sim ultrapassar obstáculos e viver intensamente. Prezo muito a vida''.
Seus amigos lhe acompanham nessas aventuras. Além disso, seu filho que desde criança compartilha dessas emoções, hoje, com 17 anos já tem 300 saltos contabilizados.
Esse esporte é na vida de Mário uma inspiração e lhe proporciona momentos de pleno gozo. ''Quando estou no céu, estou no céu'', afirma. Não em relação à queda livre em particular, mas em relação a tudo no geral, o lema de vida de Mário é o seguinte: ''Há que curtir e desfrutar''.
As dicas que ele dá para quem gosta e deseja um dia praticar queda livre é
procurar alguém ou uma escola credível e fazer um curso. ''É bom demais!'', incentiva.
Mário agradece aos seus patrocinadores Red Bull, Playstation e apoio da Salomon. E a todos os que têm acreditado em sua capacidade e ajudado a conseguir chegar onde está. Agradece também, àqueles que colocam obstáculos de várias ordens, porque assim, tornam os desafios mais interessantes e lhe fortalecem.
Finalizando, Mário deixa um recado: ''Curtam todas as aventuras e desafios que consigam, mas nunca se esuqeçam que a maior aventura de todas é aquela que se faz para dentro, a descoberta de si próprio''.
Equipe INEMA
Fonte:
Mário Pardo Cidade:
Lisboa-Portugal-Ex Fotos: Mário Pardo Publicado: Fabiane Castro DATA: 06/12/2006
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