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Pedal pelo Parque Natural Morro do Osso

No dia 5 de novembro de 2006, Marly Maravalhas e Rodrigo Hart Fagundes, realizaram um passeio ciclístico pelo Parque Natural Morro do Osso. Confira o relato de Marly!

Uma prova de que nem sempre é necessário ir longe para conhecer belos lugares. Assim podemos definir o passeio que realizamos no dia 05/11 passado, quando, em função de ocupações pessoais e do tempo, que prometia chuva para a tarde, decidimos fazer um passeio curto, indo até o Parque Natural Morro do Osso, situado entre os bairros Tristeza, Camaquã e Ipanema.

Já havíamos passado pelos arredores em outra ocasião, porém não chegamos a subir o morro, que do seu topo, propicia um visual muito bonito incluindo Rio Guaíba, Ipanema e mesmo o Centro. Além de outros morros da cidade, como Morro do Sabiá, Santa Tereza, Teresópolis, Agudo,Tapera, Abertas e o da Ponta Grossa.

Com 57 hectares e 143 metros de altitude, é um dos últimos redutos da Mata Atlântica no Rio Grande do Sul, sendo habitado por animais como pica-paus, sabiás, gaviões, lagartos e serpentes, além de ouriços e bugios, tendo a vegetação distribuída entre floresta alta e trechos com arbustos baixos.

Seu nome deriva, possivelmente, do fato de ter sido um cemitério de índios Guaranis, sendo que alguns de seus descendentes ainda habitam a região. Observando os bairros vizinhos do morro, percebe-se nitidamente o claro contraste das áreas urbanizadas com as áreas de preservação, que aos poucos vão perdendo sua característica e se tornando mais raras em função da presença do homem.

Por ser uma área estratégica do ponto de vista ambiental e visando sua preservação, o local é sede de atividades educativas e programas de educação ambiental e existe a possibilidade de se agendar visitas orientadas. Estudos do Centro de Ecologia da UFRGS revelam a necessidade de uma melhor distribuição das trilhas na região, uma vez que estas geram impacto direto sobre a fauna e flora, gerando sua fragmentação e conseqüente diminuição ou mesmo desaparecimento.

Como sabemos, a preservação de locais como esse, depende diretamente de políticas e comprometimento da Administração do Município, através de políticas ambientais e também da conscientização da própria população, no sentido de preservar as belezas naturais do parque.

Hoje o morro, que tem acesso fácil pelas Avenidas Cavalhada e Cel. Marcos convive com muitos condomínios de luxo instalados ao seu redor, já que a região é um recanto natural muito bem localizado, porém bem oposto ao violento, poluído e por vezes frenético ritmo característico dos grandes centros urbanos.

Nosso roteiro começou pela manhã, não muito cedo, percorrendo parte da Avenida Ipiranga, ingressando na Avenida Beira Rio, onde percorremos boa parte da orla, até o Bairro Tristeza, de onde nos dirigimos via Otto Niemeyer até a Avenida Cavalhada. Logo adiante, onde a avenida se divide, dobramos à direita e logo tivemos acesso a algumas ruas de calçamento, por sinal, muito tranqüilas, cujas placas já nos davam a indicação do parque. Pedimos informações a um senhor, morador de uma dessas ruas, que nos disse que o acesso era logo em seguida, porém deveríamos ter cuidado, pois na região moravam alguns "índios chatos"...

Seguimos em frente num ritmo calmo, parando, batendo fotos e mesmo conversando com pessoas da região. Em uma praça, um rapaz lia calmamente sua literatura predileta enquanto curtia o gostoso clima de uma sombra acompanhado de seus cães. Logo avistamos o acesso do parque, cuja rampa é um pouco íngreme. Considerando que estávamos de pneus finos, subimos uma parte empurrando e o mesmo fizemos em algumas partes mais estreitas, porém sempre nos mantendo na trilha principal de acesso.

Em alguns pontos, a vegetação é bem fechada e através dela, vemos muitos bairros ao redor. Entre paradas para fotos da paisagem florescendo em primaveras de vários tons e para tomar uma água, subimos e descemos várias vezes sem imaginar o belo visual que se revelaria ao chegar no topo do morro, este com vegetação muito baixa e várias pedras.

Na dúvida entre retornar pelo mesmo caminho ou seguir adiante, descemos por outro acesso que havia logo á frente, parte de bicicleta, parte a pé, pois as pedras soltas e a fina areia derrapavam. Logo após, entramos em outra trilha, com mata mais fechada e ao fundo avistamos algumas casas. Seria uma aldeia indígena perdida em meio ao centro urbano?

Na verdade, ali é o ponto onde residem atualmente os descendentes de índios que originalmente habitavam a região. Hoje, vemos que sua condição de vida mistura sua cultura peculiar com a desordenada vida urbana. Nos rostos, os traços típicos da etnia indígena, nas casas, instalações simples, banheiros comunitários, e a água provavelmente proveniente de um grande reservatório. Dividimos as atenções de alguns moradores com os aparelhos de televisão, ligados em quase todos os lugares. Logo, a imagem dessa aldeia se desfez, e avistamos o início de uma rua com calçamento, onde algumas crianças brincavam. As ruas seguintes mostravam acesso a outras ruas que nos levariam ao final da Avenida Wenceslau Escobar, no topo da subida da Pedra Redonda.

Estudando essas características, onde se fundem história, antropologia e ecologia, vamos adquirindo consciência sobre a importância do uso consciente dos recursos naturais, que hoje, infelizmente, limita-se a parques, muitos deles com acesso restrito para que sua condição natural seja mantida.

O que nos entristece é ver que os habitantes originais da região vão distanciando-se também da sua cultura e se perdem em meio às marcas e formas desordenadas da urbanização que o homem moderno impõe as suas cidades. As mesmas formas que aos poucos, também desfazem a diversidade natural de lugares como o Morro do Osso, as mesmas marcas que vemos em cada rosto e em cada trilha do parque.

Fonte: Marly Maravalhas Gomes
Cidade: Porto Alegre-RS
Fotos: Marly Maravalhas Gomes
Publicado: Renata Machado
DATA: 14/12/2006 <%insert_data_here%>

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