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No dia 15 de novembro de 2006, foi realizada a travessia do Balneário Pinhal até os molhes do arroio Chuí, na divisa do Brasil com o Uruguai.
Em comemoração aos 15 anos do primeiro Raid da costa Gaúcha realizado em 15 de novembro de 1991, eu e os carrovelistas Carlos Simões, Jorge Bercht, Ricardo Ambros e Rui Braga, acompanhados por Rogério Ambros no apoio, iniciamos mais uma aventura partindo da praia do Magistério no Balneário Pinhal, no dia 15 de novembro de 2006, pela manhã, com o objetivo de atingir o extremo sul do Brasil, os molhes do arroio Chuí que divide nosso país com o Uruguai.
Esta aventura já foi realizada por nós e por outros companheiros carrovelistas, mas nunca concluída como gostaríamos, ou seja: chegar ao destino com ventos favoráveis, onde não houvesse necessidade de empurrar o carro ou ser rebocado por alguém. Mas desta vez tivemos a felicidade de tudo dar certo, data de saída, condições climáticas e o mais importante o ''Senhor Vento'' deu sua grande colaboração de nos levar ao destino. Neste breve relato descrevo as etapas percorridas pelo grupo, as condições de praia e os obstáculos encontrados.
No Primeiro dia, 15, quarta feira, com vento Nordestão, 40 a 45 Km/h, percorremos 154 Km, da praia do Magistério até a Barra da Lagoa do Peixe, que estava com uma profundidade de 1 metro, possibilitando nossa passagem com os carros sem muito esforço.
Para atravessar os carros, retiramos os equipamentos, que consiste em: barracas colchonetes, roupas, mantimentos, água, fogão, panela etc. que nos permite fazer uma boa refeição em qualquer local e por segurança, retiramos o mastro, e a vela, para torná-los mais leve para transportar nos braços sobre a água.
Toda a operação para transpor a barra da lagoa nos consumiu uma hora e meia para a travessia dos três carros. Os pilotos Carlos e Ricardo, retornaram com o carro de apoio, para fazerem a volta na lagoa por Tavares, por não ser ecologicamente correta a passagem de veículos pelo interior da lagoa. Seguimos pelo litoral rumo ao sul percorrendo mais 55 km até a praia do Bojurú, onde chegamos com um bom vento às 19:00 horas.
Cumprida a 1° etapa dentro da programação, paramos no Boicho do João da Praia, que conhecemos há bastante tempo e sempre nos recebe com sua simpatia e cordialidade. Preparamos nossa janta ainda com a luz do dia no interior do Bolicho, que ainda não possui luz elétrica, mas a bebida é gelada com refrigerados a gás.
Montamos nossos colchonetes e sacos de dormir no interior do Bolicho, aproveitando a hospitalidade do João pois o vento soprava ainda mais forte. Os companheiros que estavam motorizados e com os carrinhos no reboque, pernoitaram no hotel do Bojuru.
No Segundo dia, 16, quinta feira, às 6:00 horas fomos despertados com rajadas de vento sul e ao sair do Bolicho para conferir como estavam os carros, nos deparamos com uma grande nuvem preta deslocando-se sobre a nossa cabeça em direção ao norte, mas foi só susto, logo o vento parou e ficamos encalhados no Bojuru.
Nossos companheiros chegaram ao fim da manhã na praia onde aguardávamos o ''Senhor Vento'', mas não tiveram paciência e seguiram para São José do Norte, encerrando sua participação na aventura. As condições climáticas não permitiram nossa saída e pernoitamos novamente no Bolicho do João, mas o Rui preparou para a janta uma massa com Atum que estava maravilhosa.
No Terceiro dia,17, sexta feira, amanheceu com chuva forte, mas vento fraco do Sul, como previa a meteorologia, e com mais um pouco de paciência o ''Senhor Vento'' foi aparecendo tímido, e rondando para Leste e Sudeste , e no inicio da tarde com temperatura de 16°C e vento entre 35 a 40 Km /h mas com chuva fraca, decidimos enfrentar mais 80 Km ate São Jose do Norte. Quinze minutos de interrupção para trocar o pneu do meu carro que furou e seguir até o restaurante Caramujo dos nossos amigos Mineiro e Eloa, que sempre nos recebem bem e em troca damos um grande abraço molhado e com bastante areia, do impermeável que utilizamos para nos proteger da água e areia dos carros. Não resistimos a baixa temperatura e a roupa molhada pela chuva, e nos alojamos nas cabanas, recuperando as energias para a próxima etapa.
No Quarto dia [18 ] sábado, o vento permanecia forte do quadrante Leste Sudeste [ 25 a 30 Km/h ] e uma temperatura de 18°C partimos as 9:00 Hs rumo aos molhes do Rio Grande [ 12 Km ] com boa velocidade, chegamos até a colônia de pescadores, para conseguir uma canoa que nos atravessasse o canal de Rio Grande, transportando carros, equipamentos e Pilotos, o Sr. Café e seu filho nos conduziram até os molhes da praia do Cassino em Rio Grande, onde chegamos as 13:00 hs.
No Cassino fomos recebidos com uma grande recepção pelos amigos carrovelistas de Pelotas, que nos agraciaram com um troféu, de boas vindas, no qual estava escrita uma pequena frase de grande significado, que nos incentivou mais ainda a cumprir a nossa meta.
- Que este troféu seja o ícone de uma nova parceria-
Partimos as 14.00hs dos molhes do Cassino rumo ao Farol do Albardão, com ventos forte do quadrante Leste e Sudeste (25 a 30 Km/h) e 18°C. Os carrovelistras Pelotenses nos acompanharam por alguns quilômetros, verificando no velocimetro do carro que andávamos a uma velocidade entre 50 a 55 Km / h.
Passamos pelos Faróis de Sarita e Verga, com pequenas paradas para relatar tensão da velocidade tensão e molhar a boca seca pelo vento, chegamos ao Farol do Albardão as 18,00hs, após percorrer 130 Km. O farol fica a uns 400 m da praia, fomos procurar um local para acampar, pois o vento permanecia forte, chegamos até as casas junto ao Farol, mas devido a distancia da praia, nos alojamos em um container, existente na praia, que pelo menos nos abrigava do vento forte. Seguindo a mesma rotina, armamos a barraca no interior do container, e preparamos a janta antes que a noite chegasse e dormimos até o dia seguinte.
No Quinto dia, 19, Domingo, partimos para etapa final, Barra do Arroio Chui - Divisa do Brasil / Uruguai, após montarmos os equipamentos nos carros já eram 9:00 Hs, e tínhamos 95 Km para cumprir. Preocupados por saber que nesta etapa teríamos que enfrentar os temidos concheiros, ou conchal, que nunca se sabe o tamanho e as dificuldades a encontrar, partimos.
Este trecho é muito deserto, existe um ou dois pontos de referencia, como o telhado de um hotel abandonado, e um barraco fechado, não encontramos pássaros, animais, ou pessoas, somente areia a direita e mar a esquerda. Calculo que o trecho de conchas, foi de uns 15 Km, mas com o vento forte e a maré baixa, permitiu uma maior velocidade, mas exigiu mais concentração, pois o perigo de trancar a roda no fofo (areia fofa), e de capotar o carro aumenta consideravelmente.
Diversas vezes ocorreu de sairmos em duas rodas com o carro no limite da inclinação mas a experiência nos permitiu ultrapassar as dificuldades. Depois de vários sustos e alguns banhos para evitar os fofos, chegamos sãos e salvos no Hermenegildo as 12:00 horas. Uma rápida parada para comemorar a volta a civilização e a passagem nos concheiros, mas não contávamos da dificuldade que teríamos para explicar as pessoas que havíamos saído Cassino, no dia anterior e somente movidos pelo vento tínhamos chegado no Hermenegildo.
Voltamos a andar às 13:30, para chegarmos o destino Molhes da Barra do Chui. Mas tudo estava muito bom, e acreditem, faltando pouco mais de 500 m dos molhes, o Jorge ao passar um arroio, quebrou o parafuso que fixa o mastro, caindo tudo na praia mastro, vela ,etc . Felizmente levamos na mala de ferramentas parafusos de reserva, que nos possibilitou o conserto e finalmente concluirmos a nossa proposta. as 15.00 horas de domingo dia 19 de novembro de 2006.
Contamos mais uma vez com o nosso grande colaborador, que sem ele não teríamos como relatar as nossas aventuras.
Fonte:
Roberto Azambuja Cidade:
Balneário Pinhal-RS Fotos: Roberto Azambuja Publicado: Luciana Estudier Martins DATA: 22/12/2006
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