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Filipe Schmidt, 21 anos de São Leopoldo é apaixonado por BMX, depois de competir um tempo e sofrer algumas lesões, ele começou a organizar campeonatos. Depois de oito anos, Schmidt contou um pouco da sua história à equipe INEMA.
"Jogava futebol numa escolinha tinha uns 13 anos, percebi que eu não era grande coisa no futebol e que aquilo não levaria a nada então busquei um esporte menos coletivo, que realmente depende só de mim", conta. Então ele comprou sua primeira BMX, que no começo lhe garantiu bastante divertimento.
Quem influenciou Schmidt, além dos programas que assistia na TV por assinatura, foram alguns rapazes que andavam numa extinta pista de concreto que ficava ao lado do ginásio de esportes em São Leopoldo: "Os caras voavam alto e aquilo me dava mais vontade!" Ele garante que o começo foi difícil, pois não tinha uma bike boa: "Era uma andada e uma peça quebrada! Também não tinha dinheiro para comprar peças boas, pois a maioria era importada e vinha de São Paulo por um preço que na época, para quem só estudava, era salgado", lembra.
Schmidt não sabe dizer ao certo como o BMX entrou na sua vida. "Parece vício, tu experimenta, gosta e não quer mais largar a sensação de liberdade e a adrenalina de estar fazendo algo que, digamos, é arriscado." Para ele, o BMX Freestyle é um esporte que está em crescimento, hoje a televisão já mostra alguns eventos, promove outros, mas ainda não dá a verdadeira importância que o esporte merece. "Queria ver o BMX ser conhecido como uma cultura, um estilo de vida, assim como é conhecido o Skate, o Surf", declara.
Ele já participou de inúmeros campeonatos e afirma que todos são marcantes, pois os pilotos querem mostrar as manobras que treinam: "Mas os campeonatos são mais que isso, são encontros, onde você vê muito BMX e ainda revê os amigos sem perder, é claro, a rivalidade", acredita. Schmidt destaca a primeira competição que participou: "É muita gente para ver você, o coração acelera quando chega a sua hora, mas a sensação é muito gostosa!" Sua modalidade favorita é o Dirt Jump, onde o atleta acelera em direção a uma rampa de terra salta a uma grande altura e aterriza em um encaixe, também de terra. "Quando o som bate no ouvido e você vê aquela rampa na sua frente, não tem explicação! É muito bom, você pedala o máximo até ela e decola, é muito legal!"
Após sofrer uma queda e por incentivo da namorada e como neste esporte, principalmente na categoria Dirt Jump, onde risco de uma queda é alto, ele começou a organizar competições. "Estava em uma Jam na cidade de Novo Hamburgo e fraturei a fíbula direita. Fiz duas cirurgias, coloquei oito parafusos e uma placa de platina. O médico recomendou que eu parasse um pouco, até ficar bem forte do estrago", recorda.
Como Schmidt não vive do BMX e precisa trabalhar, mas gosta muito deste esporte, ele reserva cerca de três meses antes do evento pra acertar os detalhes e fazer tudo rolar sem muito stress. O BMX Park de São Leopoldo já teve duas edições: "Quero fazer um projeto para que seja feito todo o ano junto com alguma feira ou evento na cidade, entrando para o calendário de eventos municipal", planeja. Ele destaca que a maior dificuldade para um organizador é arrecadar recursos. "É muito complicado, tem que ter um bom projeto, que mostre as intenções do evento e mesmo assim é muito difícil, pois não é todo o empresário que está disposto a patrocinar ou apoiar", diz.
Hoje em dia, Schmidt não anda mais de BMX, pois no momento, não tem dinheiro para investir "Uma bike boa custa uns R$ 2.000,00 reais. Se tivesse como investir, com certeza estaria andando e competindo. Faço os campeonatos para unir a galera ver todo mundo andando, se divertindo e revendo os amigos... É muito legal, não me trouxe nenhum retorno financeiro até o momento, mas eu gosto mesmo assim!"
Para ele a divulgação do esporte no país ainda é pequena: "Em alguns veículos de informação como na TV aberta o esporte é visto no máximo de seis em seis meses, sempre em conjunto com algum outro esporte que é mais valorizado. Na TV por assinatura já é possível ter programas semanais com quase uma hora de duração, mas são programas gringos!"
Continuar estudando é o conselho que Schmidt dá para quem deseja praticar BMX, pois no Brasil ainda é muito difícil se manter somente com o esporte. Outra dica é treinar bastante: "Saiba cair, levantar e ter muita humildade!" Ele agradece a sua noiva, sua família e aqueles que de algum modo ajudam a fazer este esporte crescer. "Queria mandar um abraço para a galera BMX do Skatepark de São Leopoldo e as pessoas e lojas que apoiaram e apóiam o BMX Park de São Leopoldo", encerra.
Equipe INEMA
Fonte:
Filipe Schmidt Cidade:
São Leopoldo-RS Fotos: Fabiano Luiz Garcia Publicado: Renata Machado DATA: 27/12/2006
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