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Guilherme Lul da Rocha de 21 anos, de Santa Maria/RS pratica inúmeras atividades ao ar livre. Confira a entrevista que o esportista deu a equipe INEMA em janeiro de 2007.
Bacharelando em Geografia, pesquisador em geologia ambiental, fotógrafo e alpinista industrial, seu interesse em atividades ao ar livre vem desde a infância, sempre vivida fora das cidades. "A paixão pelo contato direto com a natureza e o vivenciar junto às florestas, campos e morros veio me despertou novas maneiras de desfrutá-los. Daí a vontade de caminhar por estas paisagens magníficas e de escalar as paredes de nossos morros", explica.
Suas primeiras atividades em ambientes acidentados aconteceram por conta própria e na companhia de amigos. "Comecei realizando caminhadas em lugares de extraordinária beleza com cascatas, cânions, lagos, entre outros", lembra. As cascatas despertaram o interesse no "cascading", ou seja, o rapel em cascatas, que por sua vez, lhe levou ao interesse pelo canionismo.
Não satisfeito, surgiu o interesse em atingir cumes. No final de 1998, Rocha conheceu o Grupo Bandeirantes da Serra, ao qual hoje pertence e faz parte da diretoria. "Minha vida de montanhista, propriamente dita, começou nele e após realizar um curso básico de escalada. Realizei minha primeira escalada ao sul do Morro do Carmo, na cidade de Santa Maria, em uma parede denominada Pedra do Carmo, na primeira via aberta no coração do Rio Grande do Sul, a Pioneira, aberta em 1991, dotada de compridos e espessos grampos, onde mal entra uma costura."
"Meu primeiro esporte é a escalada em rocha, sendo que o hikking é nosso meio de acesso às paredes. Nossos hikkings, aqui em Santa Maria, para o padrão geral são bastante longos e confundidos com o trekking precedido à escaladas. Foi daí que começamos a caminhar não somente em direção às paredes de prática de escalada, mas sim, caminhar por curtir as paisagens de nosso rebordo do Planalto, encoberto pela Floresta Estacional Decidual (remanescente da Mata Atlântica) e cheio de cascatas, sendo o princípio de um trekking", explica.
Há anos Rocha atua no Grupo Bandeirantes da Serra, organização com finalidades sócio-ambientais executadas a partir de diversos esportes ao ar livre. "Nossos maiores trekkings não são, para o padrão geral, longos. A maioria fica à volta dos 10, 20 e, esporadicamente, 30 km. Por aqui, em dias de chuva costumamos muito percorrer trilhas, fechando um circuito de distâncias variadas. Eventualmente, fizemos algumas travessias, como Santa Maria/Itaara. Indo para a esfera da escalada, nossas vias são essencialmente esportivas de até 20m. Há algumas com estilo clássico misturado ao esportivo, tendo até 35m. São raras as maiores, de até 100 m. Desta forma, escaladas de longa duração, por aqui não existem. As paredes altas (120-130m) mais próximas ficam em Caçapava do Sul."
Rocha já escalou em vários Estados brasileiros, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Já as caminhadas foram feitas em muitos outros como no Pará e Tocantins. De todos os locais que ele percorreu, a Serra dos Órgãos, o Jalapão, assim como os Aparados da Serra e demais cânions à sua volta, são os que ele considera mais belos.
"Já a escalada mais fabulosa foi no Dedo de Deus, na Serra dos Órgãos, pela Via Maria Cebola. É uma escalada bem fácil e é extremamente recompensadora pelo seu visual arrebatador. Ainda tenho planos de neste ano voltar à Serra dos Órgãos, realizar a travessia Petrópolis-Teresópolis, escalar a Agulha do Diabo e repetir o Dedo de Deus. Sobrando tempo, faremos outras vias. Quanto a outras montanhas, tenho pretensões de escalar várias, até mesmo o Pico da Neblina. Tão logo quanto possível, penso em realizar alguma coisa em alta-montanha", planeja.
O fato de unir natureza e esporte é o que mais atrai Rocha nessas atividades, usando harmoniosamente o meio-natural como um elemento de prática. "Temos o dever de retribuir e conservar ao máximo nossos morros, paredes, arroios, animais e vegetais, tudo o que envolve um eco-geossitema". Para ele, aproveitar cada momento de uma escalada ou trekking contemplando a paisagem e sentindo o próprio corpo é algo que liberta da usualidade do dia-a-dia. "O bem-estar é o melhor benefício de tudo!"
Segundo Rocha, o trekking é um esporte que no Brasil, está crescendo gradativamente. Pois há mais pessoas querendo este tipo de atividade, principalmente as de mais idade, ou os que o levam como um segundo esporte, por exemplo, acompanhando a escalada. O primeiro conselho que ele dá para quem desejar iniciar nessas atividades é praticar em grupo e nunca sozinho. O mais indicado a fazer é procurar um grupo de pessoas, associação ou clube e tentar se entrosar em tal meio. "Assim é possível praticar os esportes de maneira mais segura, trocar informações técnicas, sobre lugares e ter um convivência mais do que atrativa. Para os iniciantes na escalada e outros esportes verticais, o mais interessante sempre é realizar pelo menos um curso básico. Negligência e ignorância jamais podem existir. A segurança deve estar acima de tudo nestes esportes", acredita.
O Grupo Bandeirantes da Serra
Atualmente, Rocha integra parte da Secretaria e Comissão Técnica do Grupo Bandeirantes da Serra. Criado em 1991, o GBS é uma organização não-governamental, que tem por finalidades contribuir para o desenvolvimento humano através da conservação do meio-ambiente, práticas de esportes ao ar livre e consciência ambiental por meio de atividades em vales, morros, encostas e cascatas, matas de difícil acesso bem como, as próprias áreas urbanas.
"Seu principal compromisso está em zelar o ambiente de prática destas atividades, efetuando-se tanto em ações locais práticas quanto através da educação ambiental e a partir deste ano, com projetos na área ambiental. Projetos fotográficos à crianças carentes e populações dos locais freqüentados, estão em desenvolvimento. Campismo, caminhada, ciclismo e canionismo são atividades ao livre comuns desempenhadas, entretanto, é no montanhismo que está sua maior particularidade", explica.
Alguns integrantes do GBS têm mais de 10 anos de experiência, com forte embasamento em quaisquer técnicas verticais, inclusive as de resgate e auto-resgate. É através do aproveitamento desta experiência, que o grupo passou a oferecer cursos a não associados, especialização aos seus integrantes, serviços de guia e até mesmo, serviços em altura.
Rocha afirma que deve muito da sua felicidade e formação ao Grupo Bandeirantes da Serra e agradece enquanto entidade e, especialmente, ao fundador e atual Diretor, Jadir Bitencourt. "Não posso deixar de lado amigos e companheiros de escalada como Rafael Ribeiro, Glauber Paz, Lauro Alves, Samuel Schvarborn, Guilherme Copetti, bem como, Lauren Paz e minha namorada, Liege Rodrigues. Há muitas outras pessoas a quem deveria agradecer, todavia é impossível. Cada uma sabe o quanto me ajudou como montanhista e como apaixonado pelo Grupo Bandeirantes da Serra", encerra.
O crédito das fotos se encontram abaixo das mesmas.
Equipe INEMA
Fonte:
Guilherme Lul da Rocha Cidade:
Santa Maria-RS Fotos: Guilherme Lul da Rocha Publicado: Renata Machado DATA: 02/01/2007
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Alexandre Lobo
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Tânia Severo
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Lauro Alves
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Guilherme Copetti
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Lauren Paz
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Lauren Paz
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Lauro Alves
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Lauren Paz
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Liege Rodrigues
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Maximo Kaush
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Alexandre Lobo
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Lauren Paz
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Samuel Schvarborn
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Lauro Alves
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Lauro Alvez
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Lauren Paz
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Lauren Paz
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Maximo Kaush
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