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Conhecendo o Morro Santana

No dia 31 de dezembro de 2006, Marly Maravalhas aproveitou para fechar o ano pedalando pelas trilhas do Morro Santana em Porto Alegre. A ciclista nos contou como foi!

No domingo que antecedeu a virada do ano, aconteceu um pedal marcado meio de última hora, em um lugar que, embora situado em plena zona urbana, entre as Avenidas Bento Gonçalves e Protásio Alves, tem suas riquezas naturais desconhecidas da maioria dos porto-alegrenses.

O local escolhido foi o Morro Santana, uma das maiores áreas naturais do município, além de ser o Morro mais alto da cidade, com 311 metros. Em suas áreas e campos nativos, abriga animais como mãos-peladas, tatus, graxains, ouriços caixeiros, lagartos-verdes e preás, além de uma grande quantidade de espécies de aves raras, como aracuã, inhambuí, vira-folha e saíra, sendo que muitos destes já não encontram seu habitat, no caso, as matas altas. Além da rica fauna e flora, o morro possui duas cachoeiras e vários banhados, propiciando do seu topo uma visão privilegiada de vários bairros da Zona Norte e de onde também podemos ver o Lago Guaíba.

Nos últimos anos, o morro tem sofrido muito com a ação do homem, que explora os recursos naturais através da extração de madeira e caça, ambas ilegais, além da urbanização desordenada, com a proliferação de várias vilas ao redor e também com o depósito de lixos e resíduos, além da abertura de ruas e estradas. As trilhas e caminhos de chão batido, também sofrem com a prática freqüente do motocross.

Dos seus 1000 hectares, 528 pertencem à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, abrigando o Campus da Agronomia, Campus do Vale e Observatório da Universidade, que desde 1989, realiza estudos e desenvolve projeto no sentido de transformar o Morro em uma Unidade de Conservação. Este projeto ganhou vida em outubro passado, quando nasceu, de forma efetiva, o "Refúgio da Vida Silvestre", uma área de 321,12 hectares, no qual a Universidade pretende buscar o resgate do patrimônio natural do morro, ampliando as linhas de pesquisa e a prestação de serviços à comunidade.

Além de toda a biodiversidade existente, o Morro Santana também figura na história de Porto Alegre, cujas terras, no passado, foram habitadas por índios Guaranis, que se dedicavam a plantar mandioca e milho, além de caçar, pescar e criar alguns animais. Em 1740, a área do morro, (sesmaria Estância Senhora da Sant'Ana), foi concedida a Jerônimo de Ornellas Menezes e Vasconcelos, considerado por alguns autores, como marco do povoamento de Porto Alegre. Também neste mesmo século, a sede de uma das chácaras conhecida como Casa Branca, sub-divisão da sesmaria original, foi palco de outro momento da história regional: nela se reuniram os líderes farrapos para planejar as estratégias do seu movimento de independência. Mais tarde, o mesmo local foi utilizado para reuniões do grupo que se opunha aos métodos ditatoriais do líder positivista Júlio de Castilhos. Desde sua ocupação inicial, no século XVII, como morada do primeiro sesmeiro de Porto Alegre, Jerônimo de Ornellas, até o final do século XIX e início do XX, algumas áreas de matas existentes no morro foram totalmente devastadas.

Atualmente, alguns índios Caigangues buscam ali o cipó para confecção de seus produtos artesanais, porém o morro recebe muitas visitas de pessoas da comunidade, que coletam chás e outras plantas. Outros visitantes, desconhecem a importância da área e acabam não respeitando seu espaço, deixando lixo pelos caminhos e trilhas e explorando de forma indevida os recursos naturais da região.

No sentido de conhecer um pouco da beleza natural do morro e apreciar a bela paisagem deste, que é um dos pontos mais altos da cidade, decidimos subí-lo, utilizando para tanto um acesso localizado na Avenida Protásio Alves, que leva ao topo do morro por meio de uma bem conservada estrada. Parte da subida foi feita por uma trilha, a pé e após chegarmos à estrada, seguimos as antenas de alta tensão, pedalando em ritmo leve e parando para observar a paisagem e bater fotos. O brilho do sol destacava o Guaíba ao longo do horizonte e para o Norte, observamos muitos detalhes de vários bairros da Zona Norte da cidade.

A estrada seguia serpenteando por baixo de antenas de alta tensão e logo atingimos o topo do morro, onde se localiza uma sede campestre e onde encontramos alguns rapazes, moradores das redondezas que foram tomar banho em uma cachoeira, localizada, segundo eles, há meia hora (a pé) de onde estávamos. Como a tarde se fazia avançar, decidimos manter-nos na trilha principal. Soubemos que no morro também funciona uma pedreira, porém a trilha que usamos para descer nos levou a entrar em uma vila, situada na descida do morro, que por suas estreitas vielas, parte de terra, parte de calçamento e esfalto, nos levou ao final da Av. Antônio de Carvalho (nosso objetivo era descer pelo Campus da Agronomia, mas tudo bem, o importante é não se perder). Como usávamos pneus finos, tanto em algumas subidas, como nas descidas mais íngremes, tivemos que empurrar a bicicleta, mas também, como a pressa não fazia parte do nosso roteiro, isso também não fez tanta diferença...

No total, pedalamos uns trinta e poucos kms, cuidando da hidratação e alimentação, onde o sol e o calor foram nossos companheiros constantes. Em dias de calor, expor-se ao sol na prática esportiva sempre é mais complicado. Fora esses cuidados, trouxemos várias fotos e boas recordações. Certamente, voltaremos para desvendar os outros caminhos e trilhas do morro, com mais tempo e disposição!

Este texto teve como referência matérias publicadas pelo Jornal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Fonte: Marly Maravalhas Gomes
Cidade: Porto Alegre-RS
Fotos: Marly Maravalhas Gomes
Publicado: Renata Machado
DATA: 08/01/2007 <%insert_data_here%>

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