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Integrantes do Pelicano MC de Brasília/DF, Helena e Maurício, realizaram uma aventura de triciclos, de 21 a 31 de dezembro de 2006. O casal saiu de Brasília/DF e seguiu até Petrópolis/RJ. Helena relata as emoções dessa viagem. Parte I
Pelicanos voam. Mas nadam também! Ainda bem! Em novembro de 2006, resolvemos, finalmente, que iríamos viajar de triciclos. Foi um mês de correrias, pois os dois triciclos não estavam ''aptos'' a uma viagem longa.
Para facilitar, vou aqui citar os nomes dos triciclos: Anúbis-o triciclo amarelo que é o do Maurício. Hórus-o triciclo branco com detalhes em azul, o meu.
Hórus não precisava de muitos ajustes. Apenas mexemos no ângulo do garfo, pois ele estava muito pesado para pilotar, e trocamos o banco do piloto. Com isto, ele ficou maravilhoso! Parecia até ter direção hidráulica.
Anúbis, coitadinho! Foi para reforma geral. Virou um monte de parafusos, porcas, fios, para todos os lados e foi para a pintura. Levou 20 dias para voltar para casa! E quando voltou, já era dia 17 e viajaríamos dia 21! Do jeito que ele foi para a pintura ele voltou, ou seja, totalmente desmontado. Maurício passou 3 dias quase que dormindo sobre o triciclo para remontá-lo a tempo. Foi um sufoco! Mas ele conseguiu!
Devo ressaltar que eu fui pilotando um triciclo e Maurício o outro.
Outra preocupação: como levar a bagagem? Compramos mochilas. Isto me deixou muito preocupada pois como eu poderia viajar socando meu armário apenas numa mochila? Enfim, a bagagem se limitou a duas mochilas (devo salientar que eram mochilas enormes) e uma sacola. Várias roupas para chuva, várias luvas e capacetes sobressalentes para ambos. Estipulamos que rodaríamos no máximo 600 km por dia.
21/12/06Partimos às 9h30. O destino, previamente definido, seria para a região sudeste, mesmo sabendo que estaríamos sujeitos à intempéries (não precisa ser tanta chuva!). Escolhemos este destino por conhecermos as estradas, o que facilitaria nossa viagem, uma vez que éramos inexperientes em longas viagens de triciclo. O nervosismo de ''marinheiros de primeira viagem'' imperava. A preocupação com o comportamento dos triciclos e com a nossa resistência física era grande e, por via das dúvidas, já saímos de casa à base de antiinflamatório.
Primeira parada em Cristalina (GO) para abastecimento. Depois, em Catalão (GO). Antes de chegar em Catalão tivemos que colocar roupas para chuva e ensacar as mochilas com os sacos de lixo de 100 litros que levamos para isto mesmo. E este foi o pior trecho da estrada, cheia de buracos. Quando saímos do posto JK de Catalão, um rapaz se plantou diante do meu triciclo e não deixava a gente sair. Motivo: queria um autógrafo. Disse-lhe que eu não era a Rita Lee, mas ele retrucou: ''você pode enganar todo mundo, menos a mim. Eu sou seu fã e adoro todas suas músicas!''. Não teve jeito: ele me deu um papel e eu autografei: Helena Lee.
Chegamos em nossa primeira parada para pernoite em Uberaba (MG), às 19h. Achamos um hotelzinho. Tiramos tudo dos triciclos, jantamos e desmaiamos. Os triciclos agüentaram bem. Nós, nem tanto.
Para espantar o sono e a solidão, cada um foi com um aparelho de MP3 ouvindo músicas. Imagino as pessoas me vendo na estrada: só via o capacete ''dançando'', pois eu ficava cantando dentro do capacete!
Consumo: Anúbis: 10,3 km/l e Hórus chegou a 14 km/l, mas esta média caiu para 11 km/l.
22/12/06Acordamos cedo e Anhanguera (estrada no Estado de SP) nos esperava. Agora era só curtir aquele tapetão de estrada. Como o dia estava bonito, saímos de Uberaba de mangas curtas. Logo tivemos que parar para colocar casacos pois as pedrinhas que vinham dos pneus dos outros carros machucavam nossos braços. Os carros que passavam por nós diminuíam a velocidade para que pudéssemos passá-los e assim tirar fotos nossas.
Sempre que eu fazia sinal para Maurício parar no acostamento, era nas subidas (casualmente). Ele ficava uma fera, pois Anúbis não tinha muita potência no motor para subir (motor 1.6 de Brasília), já Hórus voava (motor 1.8 AP de Santana). E, coitadinho, ele estava levando toda a bagagem.
Descobrimos que pilotar na chuva cansa bem menos e nos ajuda a ficar acordados. Eu, em vários momentos, senti muito sono. Outra ''descoberta'' minha: quando ultrapassava os caminhões, na chuva, o vácuo servia como ''limpador de pára-brisas'' para capacete, ou seja, cada vez que ultrapassava um caminhão, ficava com a viseira enxuta, pelo menos por alguns instantes.
Chegamos em Campinas/SP debaixo de chuva, às 17h30. Nosso amigo Ismael, motociclista e velho amigo, pediu que o esperasse no shopping Dom Pedro. Fui à caça de banheiro e acabei tendo que entrar no shopping. Imagine a cena: eu, de roupa de chuva imunda de lama e molhada, com as mãos pretas (minha luva solta tinta) andando na praça da alimentação! Que horror! Já no banheiro, ao tentar lavar minhas mãos, empurrei, sem querer, o capacete para dentro da pia e, com isto, acionou o automático da pia. Como o pão sempre cai com a manteiga virada para o chão, então, o capacete também cai com a boca virada para cima, se transformando num balde cheio d'água. Fiquei alguns minutos tentando secar o capacete naquele secador de mãos, em vão! Chegamos, finalmente em casa (do Ismael), e, pela primeira vez, de muitas que viriam, começamos e secar roupas.
23/12/06 Passamos o dia em Campinas. Aproveitamos para ir à casa do André (irmão do Ismael) para arrumar algumas coisinhas que estavam ruins no Anúbis. Lá, o André andou nos dois triciclos e gostou muito. O Rafael, filho do Ismael, até pediu o documento do Hórus para poder dar uma voltinha mais longa. Quando terminamos, fomos até a Warrior para um churrasquinho e fazer algumas comprinhas. Para quem não é do ramo: Warrior é uma loja conhecida no meio motociclístico que vende acessórios, roupas, etc para motos e motociclistas e também é um ponto de encontro. Fiz uma comprinha básica: uma parca e uma calça de cordura-roupa impermeável. Maurício comprou um capacete aberto.
Voltamos para casa, decidimos continuar viagem, fechamos as malas, e com a ajuda do Ismael, ensacamos todas as roupas dentro da mochila. Ficou um monte de saquinhos dentro das mochilas. Devo lembrar do meu capacete que estava molhado. O problema foi resolvido: nada que um secador de cabelo não resolvesse!
Saímos de Campinas às 16h em direção à Caraguatatuba/SP, abortando nossa ida até a capital, São Paulo. E, ensacamos novamente toda a bagagem, eu me vesti de cordura e partimos em direção ao litoral. E, é claro, debaixo de chuva! Pegamos a Dom Pedro (rodovia no Estado de SP), depois a Tamoios (rodovia-SP) e descemos a serra pela Carvalho Pinto (rodovia-SP). Estradas ótimas! Mas chegamos na Carvalho Pinto já à noitinha e muita chuva! A cada 40 km tínhamos que parar para tomar café para nos esquentarmos um pouco, torcer as luvas, ir ao banheiro. Aliás, ir ao banheiro merece um destaque. Pela média que Maurício fez, eu queria parar a cada 50 km e isto atrapalhava bastante a viagem, ou seja, preciso aprender a usar fralda! Mas, eu ia ao banheiro tão rápido que nem tirava o capacete da cabeça. Nem dava tempo de fumar um cigarro inteiro!
Numa das paradas, encontramos um casal de moto completamente encharcado. Demos a eles sacos de lixo de 100 litros (aqueles que usamos para ensacar a bagagem para protegê-las da chuva) e eles seguiram viagem, felizes da vida, vestidos de saco de lixo. Continuamos descendo a serra do mar e os últimos quilômetros foram os mais difíceis pois já havia escurecido por completo, a pista era estreita, não conhecíamos a região, carros e caminhões corriam muito, a chuva já havia virado um temporal, muita neblina, não se enxergava mais nada-fato que nos obrigou a andar com a viseira do capacete aberta e curvas acentuadíssimas e intermináveis e muito frio. Num determinado momento eu tive acesso de riso. Dava gargalhadas dentro do capacete. Precisava urgente de banheiro. Consegui fazer sinal para Maurício parar, precisava fazer pipi, na chuva, na curva, na descida, no escuro, e foi assim mesmo e de capacete (para ninguém me reconhecer).
Só que os carros continuavam passando com seus faróis a iluminar tudo e eu ali, encharcada, morrendo de frio, agachada, de capacete. Conseguem imaginar a cena? Até agora não sei se fiz pipi na roupa ou em mim. Enfim, eu, a esta altura do campeonato, já estava totalmente molhada, a roupa impermeável, de cordura, chique e cara não agüentou temporal de mais de 6 horas!
Chegamos a Caraguatatuba às 23h e em Ilha Bela/SP à meia-noite. Ficamos no primeiro hotel que encontramos. Pedimos cordinhas para fazer varal, mas não tinham. Então, dessa vez batemos o record de roupas penduradas. Tinha roupa, luvas, meias, etc penduradas até no forno de microondas. Não podemos esquecer, na próxima viagem, de levar cordinhas para fazer varais.
Desmaiamos, merecidamente!
24/12/06Dia reservado a passeio por Ilha Bela. Tiramos muitas fotos. Ilha Bela é realmente Bela! Aproveitamos para conhecer um amigo virtual do clube do Puma-o Alemão. Passamos uma tarde agradabilíssima com ele e seus funcionários da pousada. À noite, nossa ceia de natal foi pão com queijo e presunto no quarto mesmo. E, após a ''ceia'', arrumar malas. Ver o que secou, o que não secou, enfim, socar tudo novamente dentro das mochilas. Ai, ai, ai. Acho que isto estava começando a me encher!
Continua...
Fonte:
Helena Castello Branco Rangel Cidade:
Brasília-DF-Brasil Fotos: Helena Castello Branco Rangel Publicado: Fabiane Castro Date: 16/01/2007
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