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O motociclista e colaborador do INEMA, Alexandre Sampaio enviou um texto sobre a Carta Verde, necessária para circular com algum veículo pelo Mercosul. Salientamos que as informações estão de acordo com as leis vigentes atuais e que podem ser alteradas.
A Carta Verde é um seguro contra terceiros por prazo certo, válido no Mercosul (Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai) em breve devem entrar neste esquema a Venezuela, Bolívia e Peru.
Este seguro veio para proteger pelo prazo da viagem, os terceiros afetados por acidentes de trânsito, conforme acordo Internacional do Mercosul. Incentivando o turismo internacional dentro do continente. Para um período de 15 dias, custa US$ 38,00, garantindo o ressarcimento de acidentes, despesas com danos materiais a terceiros, e despesas com hospital e tratamento dos terceiros vítimas do acidente. Sempre fiz este seguro em minhas viagens pelo Mercosul.
Problemas que afetam a Carta Verde.
Os automóveis são plenamente atendidos pela Carta Verde no Brasil, porém as motos não. A maioria das seguradoras simplesmente ignora as motos, e não faz este seguro para motos. Os valores pré-estabelecidos para a Carta Verde, internacional em dólar, não fazem distinção entre automóveis e motos. Os corretores não têm muito o que fazer, pois se a seguradora não aceita fazer o seguro, o corretor não pode impor, sobre pena de sofrer represálias da seguradora.
Um corretor que participa do meu Moto Clube me explicou, que se ele fizer o seguro, e eu me acidentar dentro do Brasil, não terei nenhum tipo de cobertura, o mesmo se aplica a motociclistas de fora do Brasil que venham a se acidentar dentro do Brasil, isso é uma determinação entre as segurados, por conta dos nossos altos índices de motociclistas fazendo falcatruas contra as seguradoras. Que com o jeitinho Brasileiro iriam se aproveitar da Carta Verde.
Porém, nas estradas do Mercosul, é comum a exigência deste documento pelos Policiais, amigos meus já pagaram multas que variaram de US$ 20,00 até US$ 500,00, por não portarem tal documento. Além de perda de tempo e retenções.
Como combater o problema?
Precisa do documento, mas a maioria dos corretores não faz. Desde minhas primeiras viagens, tenho me utilizado dos Bancos. Banco HSBC e Banco do Brasil operam o seguro Carta Verde.
Passos a seguir:
1) Procure um HSBC ou Banco do Brasil que tenha conta, ou utilize um amigo que tenha conta em um destes bancos.
2) Solicite o formulário Carta Verde para veículos de 4 rodas, no número de pilotos que farão a viagem.
3) Preencha você mesmo a carta verde, a mão, com letra de forma.
4) Alguns dados que faltarão, como valor da taxa, agente, etc, deixe para preencher quando voltar a agência.
5) Volte na agência, procure o gerente e preencha os dados pendentes.
6) Nesta hora, algum gerente mais esperto perceberá que embora o formulário seja para veículos de 4 rodas, os dados são de uma motocicleta, diga que você sabe disso, mas precisa que seja assim.
7) Pague a taxa convertida em reais pela cotação do dia no caixa.
O que acontece:
Você fez uma Carta Verde para sua moto, utilizando um formulário que seria para automóveis. Você não utilizou um corretor, consequentemente não houve obstrução ao processo. Como o gerente do banco confirmou contigo que era isso mesmo que tu querias, ele deixou passar.
Aviso: Nem tente se não tiver laços com aquela agência, para o banco é muito mais fácil dizer não do que atender uma solicitação um pouco fora do padrão. Além do fato que as agências defendem os corretores de seguro, e só abrem mão da exigência do corretor para clientes que já são correntistas.
Desde minha primeira viagem internacional, em 98, e quase todos os anos, tenho utilizado este procedimento tranquilamente. Já fui parado dezenas de vezes pela polícia de estradas da Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, sempre consideraram a carta verde válida e satisfatória, embora no Brasil ela não valesse nada. Provavelmente, em um acidente fora do Brasil, esta carta deve pagar os danos, por não haver distinção entre carros e motos fora do Brasil.
Outra solução um pouco mais trabalhosa, e menos pratica:
Saia do país no seu percurso normal de viagem, sem Carta Verde, e, ao cruzar a fronteira, procure um escritório de seguros no país visitado.
Inconvenientes:
1) Têm que fazer a viagem em dia e horários úteis, para que os escritórios de seguros estejam abertos.
2) Eventualmente terá que voltar a aduana para mostrar o comprovante de que fez o seguro.
3) Não poderá escolher travessias de fronteira por locais onde não exista uma cidade relativamente desenvolvida no outro lado, sob pena de não conseguir fazer o seguro alí, e sofrer uma fiscalização nas estradas do outro país, começando mal a viagem.
Espero que estas dicas ajudem os colegas motociclistas que viajam pelo Mercosul.
Entendam que o grande culpado destas dificuldades com o seguro de motos no Brasil, são os nossos colegas motociclistas, que tem o péssimo costume de dar um jeitinho, numa coisa que é séria, por conta disso temos valores de seguros para motos altíssimos no Brasil, fazendo com que todos paguem a conta das falcatruas de alguns.
Alexandre Sampaio
Moto Clube Bento Gonçalves
asampaio@encontrosdosul.com.br
Salientamos que as informações estão de acordo com as leis vigentes atuais e que podem ser alteradas. Os interessados devem procurar o órgão responsável para terem mais informações.
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Bento Gonçalves-RS Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Renata Machado DATA: 17/01/2007
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