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De 02 a 17 de janeiro de 2007 W. Felippe e o amigo Emílio, acompanhado de suas esposas e filhos realizaram uma viagem 4x4 de Florianópolis/SC até San Pedro do Atacama, no Chile. W. Felippe nos relatou como foi a viagem.
Lá pelas 7h pegamos a estrada em direção a Toconao, Socaire e Lagunas Altiplânicas São quase 60 km de rípio depois de Toconao. Algumas partes bem ruins. Mas sempre vale a pena porque as Lagunas são maravilhosas. Chegamos lá e só tinha uma mulher cobrando a entrada. Visitamos a Laguna Miscanti e depois fomos até a Laguna Minique.
Aí começa a parte de aventura. Saímos da Minique, ao invés de voltar a estrada geral, seguimos pelo cânion formado pelas montanhas ao leste da Minique e fomos embora. O caminho era mais pedra do que rípio. E se chovesse a gente estava no meio do leito. Não sei quantos km deu porque não marquei achando que a estradinha logo se unia com a geral.
É claro que as paisagens são loucas de lindas. Até parece fala de gaudério, citando as prendas do fandango: "loucas de lindas, essas tiangaças, tchê!" Mas voltando praquelas "nabas" daquelas pedras, entramos em um vale muito lindo e cruzamos por alguns quilômetros até sair na estrada geral que vai para o Passo Sico. A estrada de rípio até que não era ruim. Só ficava brabo quando tinha costeleta e quase saltava a dentadura da boca. Só não saltava porque nóis usa "Coréga". De repente, a gente começa a descer uma morreba e dá de cara com um visual que parecia filme da Disney. Era um salar, com uma lagoa verde e uns picos esbranquiçados pelo sal e com manchas coloridas, que não tinha explicação. A gente ficou de boca aberta. Parecia que aquilo não existia. Estivemos na beira da água. Atirava uma pedra e subia aquela água verde, verde! Depois do deslumbre, circundamos um vulcão por vários quilômetros, apreciando o colorido da garganta. É algo que não dá pra se mostrar nem em foto nem em filme. Só indo até lá.
Para ter uma idéia, levamos 15 horas pra rodar 450 km. O Passo Sico é muito lindo. Chegamos na fronteira, trâmites rápidos e somos liberados. Seguimos em direção a Catua e Cauchari, a cidade fantasma. Cada uma delas com pontos pitorescos e coisas a fotografar. Alguns trechos estiveram totalmente alagados com as chuvas de alguns dias atrás. Talvez uns dois dias antes não teríamos conseguido passar. Não encontramos muita água, mas pequenas poças e alguma lama divertida. Gostaram da "lama divertida"? Essa, geólogo não conhece. Depois, até San Antonio de Los Cobres, paisagens lindas e cruzamentos com a linha de trem, além de uma descida de serra daquelas danadas.
Infelizmente não achamos a estrada para conhecer o famoso Viaduto La Polvorilla, por onde passa o trem a uma grande altura. Este viaduto fica na região de Alto Chorrillo, um pouco antes de San Antonio de Los Cobres. Abastecidos seguimos até Salta, já anoitecida, fomos para o Hotel Marilian, pois havíamos feito reserva. Infelizmente não anotaram devidamente ou passaram por cima. Fomos para o Hotel Ghala, muito melhor e mais barato. No dia seguinte levamos o Daniel até o aeroporto e seguimos viagem para Cafayate. Este trecho é conhecido por Circuito Valles Calchaquíes e passamos pelas cidades de Cerrillos, La Merced, El Carril, Coronel Moldes, La Viña, Alemania. Em Coronel Moldes entramos 4 km para conhecer o Dique Cabra Corral, local muito agitado pela prática de esportes radicais (Bungee Jump, Rappel, Tirolesa, Puenting, Jet Sky, etc...) No caminho almoçamos no Parador Don Juan (muito bom). Depois de passar a localidade de Alemania eles chamam o caminho de "Lo lindo" porque é uma atração após a outra.
São as formações das montanhas à beira da estrada que chamam a atenção: Garganta Del Diablo, El Anfiteatro, Três Cruces, El Sapo, El Fraile, El Obelisco, Lãs Ventanas, Los Castillos, La Punilha, El Mollar, Los Médanos. Depois disso tudo chegamos a Cafayate. Cara, tu acha que a cidade é uma coisinha perdida neste fim de mundo. Que nada, maior agito! Tivemos que correr pra conseguir um hotel porque estava tudo lotado e chegando gente pra caramba. Turista de tudo quanto é lado. Achamos o Hostal Villa Vicuña. Uma antiga casa que foi toda reformada e construída uma área nova nos fundos. Extremamente bem cuidada, nos mínimos detalhes (ex.: kit do banheiro com dois botões e linha de costura, além de dois sabonetes embalados de forma artesanal, etc...) e móveis e decoração especiais. Nota 10. A tarde tomamos um chimarrão com o Emilio e Lizete na área interna. Só meia quadra da praça central. Detalhe: não existem garagens para carros. A cidade é tão pacata que os carros ficam na rua e nada acontece!
Pela manhã, depois de um bom café, saímos para conhecer a Bodega Etchart, da qual já tinha indicação por um relato de outro aventureiro. Na saída da cidade, em direção a San Miguel de Tucuman, nosso roteiro, encontramos a Bodega. Uma construção à beira da estrada com a recepção. Nos atende um senhor e nos acompanha até o outro lado da estrada na entrada do prédio da vinícola. Lá nos recebe uma guria que nos acompanha na visita dando todas as informações. Após a visita uma degustação dos vinhos torrontés branco e tinto secos. Beleza! Saímos em direção às Ruínas de Quilmes e Santa Maria, a capital dos Valles Calchaquíes, um dos principais assentamentos dos milenários índios yokaviles.
Chegamos às Ruínas de Quilmes e fomos direto conhecer o museu local. Eu entro e começo a tirar fotos de tudo. Na saída tinha um índio me olhando meio atravessado. Passei por ele como se não fosse comigo, porque cara feia para mim é fome. Chego do lado de fora e vou tirar uma foto da Lizete e da Karine e dou de cara com uma tremenda placa: "proibido fotos e filmagens dentro do museu". Aí dei uma olhada pro cara e pedi desculpa porque não tinha visto a placa. Aí fiquei esperando o cara me pedir para deletar as fotos. Mas o índio nem foi louco de pedir...
Continua...
Fonte:
W. FELIPPE Cidade:
Florianópolis-SC-Brasil Fotos: W. FELIPPE Publicado: Renata Machado Date: 22/01/2007
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