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Nos dias 26 a 30 de novembro de 2006, Alexandre Sampaio esteve na China, em viagem de trabalho. Confira algumas de suas impressões sobre o país.
A China é um país que impressiona pelo seu contraste frente ao Brasil. Embora seu território não seja muito maior que o nosso, a maior parte é montanhosa ou deserto, impossibilitando seu aproveitamento econômico, menos de 20 % do território da China são aproveitáveis economicamente, ao contrário dos mais de 60 % do Brasil.
Nesta área aproveitável, muito menor que o Brasil, está uma população 7 vezes maior que a nossa, 1,4 bilhões de pessoas. Seu idioma, o Mandarim, o mais falado do mundo, é irreconhecível para os latinos, e sua escrita, idem. Achar um chinês que fale inglês é muito difícil e os poucos que falam, normalmente tem um sotaque muito forte, distorcendo as pronuncias.
A viagem leva de 40 a 60 horas, fizemos a rota Porto Alegre - São Paulo - África do Sul - Hong-Kong - Changai. Changai é uma grande planície a beira mar, com um grande rio, equivalente na América do Sul a região do Rio da Prata, mais da metade das industrias chinesas estão nesta região e uma boa parte da produção agrícola também.
Fomos visitar várias empresas do ramo metalúrgico, levamos dois intérpretes, ou tradutores, uma moça que falava bem o inglês, um Chinês que falava razoavelmente o inglês, porém os dois não eram técnicos ou engenheiros, tornando difícil qualquer conversa mais técnica ou detalhada, devido a morosidade do sistema e ao desconhecimento dos intérpretes sobre assuntos do ramo metalúrgico. Fazer a pergunta, falar em inglês para o Chinês falar em Mandarim e obter uma resposta em Mandarim, para depois fazer o caminho contrário.
Várias vezes, eles falavam até 5 minutos em Mandarim, que depois na tradução se resumia em poucas palavras, com certeza se perdendo várias informações aí no meio. Em futuras viagens, o ideal é dispor de alguém que fale Português e Mandarim, já existe o curso na UCS.
Mas o que valeu a pena na viagem, foi conhecer o que torna os produtos chineses tão competitivos na economia mundial. Não podemos nunca esquecer que eles são Comunistas, embora pratiquem alguns atos de economia de mercado, o planejamento e execução das ações de infra-estrutura e indústria de base cabe ao estado, em um regime de governo imposto pelo partido comunista, numa ditadura que não aceita oposição, e os inimigos são mandados para a Sibéria, ao norte do país. Podemos abordar a questão por tópicos:
A Questão do Emprego e da rede de segurança social: O emprego na China é o mais simples possível, você trabalha, você recebe um salário médio de R$ 150,00. Seu chefe é um cara que deve ser muito respeitado e o dono da empresa é reverenciado. Não trabalha, não recebe.
Não existe nenhum tipo de pagamento indireto ou agregado ao salário, não existe 13º, férias remuneradas, fundo de garantia, salário desemprego, seguro saúde ou aposentadoria, também não existem sindicatos ou justiça do trabalho. Conseqüentemente o valor pago mensalmente é o único benefício do trabalhador, dali terá de separar o necessário para sua aposentadoria, sua saúde, sua perda de emprego, etc...
O trabalho normalmente começa às 6h, pára as 12h, recomeça as 14h e encerra as 20h, algumas empresas que trabalham 24 horas, dividem o trabalho em 2 turnos de 12 horas, mantendo o intervalo de 2 horas para o almoço. Sete dias por semana. Mais de 300 horas por mês. O trabalhador deve providenciar, com seu salário, sua roupa de trabalho e equipamentos de proteção individual, por isso as pessoas não vestem uniformes padronizados nas fábricas e o uso de EPIs é abaixo do mínimo. As empresas não investem no ambiente fabril, os ambientes normalmente são sujos, mal iluminados, o piso é simples, a limpeza acontece raramente e os banheiros usam bacias turcas ao invés de vasos sanitários.
Não existe o calendário gregoriano, com semanas de Segunda a Domingo, eles se guiam pelo calendário Chinês, lunar, que começa com o equinócio em fevereiro. Por este calendário, só existem alguns feriados para descanso e as empresas e comércio trabalham cerca de 345 dias por ano, existem alguns meses que os chineses trabalham todos os dias, sem nenhuma parada de descanso. Seu mais longo feriado acontece na semana que antecede o ano novo Chinês, quando a população viaja para visitar os parentes.
O governo dá para a população todo o apoio para que possa estudar até os 18 anos e uma boa casa de alvenaria, com toda a infra-estrutura, rua calçada, etc. É entregue aos trabalhadores por R$ 1.000,00. Resumindo, o governo dá o estudo e as condições para viver com dignidade, porém se ficar doente e não tiver recursos, provavelmente você irá morrer. Se ficar sem trabalho, provavelmente irá passar fome.
Eles não ligam as luzes na parte externa da casa, para não gastar, também não há iluminação pública em ruas fora da região central das cidades. Nos canteiros se planta comida, saladas, batatas, vagens, não existem canteiros com grama ou flores. Uma cultura secular, de receber e pagar o justo, sem ajuda do governo e com muito trabalho e dedicação. Não vimos atividades desportivas durante nossa viagem, afinal não se tem final de semana, não acontecem corridas, partidas desportivas também não, só 10 % da população têm religião, para 90 %, a religião é o partido e o trabalho.
Continua...
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
China-EX-China Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Renata Machado Date: 08/02/2007
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