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Nos dias 26 a 30 de novembro de 2006, Alexandre Sampaio esteve na China, em viagem de trabalho. Confira algumas de suas impressões sobre o país.
A Questão dos Impostos: Lembremos que eles são comunistas, por isso, não existem impostos embutidos nos produtos, nenhum tipo. Uma grande parte das empresas mais antigas, as de base, pertencem 100 % ao governo. Ao ser implantada uma nova fábrica, provavelmente o empresário será membro do partido comunista, e a localização desta fábrica, será próxima a outras fábricas do mesmo tipo de produto, e a área, definida pelo planejamento do partido.
Resumindo, fábricas de arame ficam vizinhas entre si, fábricas de móveis com fábricas de móveis e em uma cidade haverá pouca variação de produtos produzidos ali, por isso terá de ir para as cidades que fabricam o produto que lhe interessa. Onde precisará de um amigo para apresentá-lo as pessoas certas. As redes de amizade são à base da negociação entre as diversas empresas.
A empresa, embora seja do empresário, tem o governo como sócio em 50 %, por isso são fornecidas linhas de crédito para alavancar o surgimento de fábricas, com juros irrisórios, pois o governo ganha na divisão dos lucros destas fábricas.O investimento em automatização é insignificante, pois a mão de obra é muito barata, não justificando máquinas caras, que tiram o emprego de pessoas, pois eles precisam muito dar estes empregos para o povo, dentro da política do partido comunista.
Questão do meio Ambiente: Os Chineses não usam pneus recapados, não desenvolvem combustíveis alternativos, não se preocupam com a geração de gases do efeito estufa. Algo parecido com os americanos, porém muito mais pobre, os problemas do meio ambiente não são prioridade nos processos da economia chinesa, exemplo maior é a inexistência de pneus recapados na enorme frota de caminhões que vimos pelas ruas. Para nossa sorte, a grande maioria, 97 % dos chineses, não têm condições de ter um automóvel.
O que faz sucesso por lá são as bicicletas, mas as motos também estão aumentando muito, o equivalente da nossa Biz, é uma moto elétrica, que se vê por todo lado. Os serviços de moto frete são comuns e se utilizam de triciclos, elétricos ou a gasolina, alguns com capacidade para até 2 toneladas.
O Custo Brasil X Custo China: Como já devem ter entendido, como comparar os nossos custos? Onde um trabalhador ganha R$ 350,00, com mais R$ 400,00 de custos indiretos, para trabalhar 170 horas por mês. Além de sobrecarregar o governo com aposentadoria, seguro saúde e seguro desemprego. Onde uma empresa paga imposto na matéria prima e imposto sobre imposto no faturamento, em um sistema selvagem de tributação, complexo e caro, equivalente a 40% do produto interno bruto do país. Exportamos impostos!
Qualquer produto da China será mais barato que o nosso. Por conta disso, o Brasil hoje é responsável por 2 milhões de empregos na China. Acho que comprar um produto chinês é imoral. Pois os nossos princípios de proteção ao trabalho implantados na época de Getúlio Vargas, não fazem parte da cultura do emprego chinês. O emprego de baixa qualidade da China está tirando o emprego de excelente qualidade do Brasil, onde uma ampla rede social cuida até demais do sustento do povo.
Porém comprar da China propicia grandes lucros aos comerciantes e importadores. Tudo bem que vendemos minerais e grãos para os Chineses, mas estamos comprando muito mais do que vendendo e o custo social destes empregos perdidos não é um resultado aceitável.
Tenho a opinião que o governo do Brasil deveria interromper o comércio com a China, até que os trabalhadores da China não tivessem uma garantia de direitos mínimos. Afinal não temos um governo de trabalhadores? Por que perder um emprego com direitos e garantias sociais em troca de um emprego precário no outro lado do mundo?
Mas a solução não será tão simples assim, teremos de nos superar por outros caminhos, criar novas oportunidades no turismo e prestação de serviços, indústrias com altíssimo nível de automatização, produtos exclusivos e a redução dos impostos.
Coragem povo Brasileiro, pois os chineses estão só começando a chegar em nossas terras, alguns setores industriais foram poupados nestes primeiros anos, mas veremos nos próximos anos produtos Chineses em todo lugar, desde carros, tratores, até utilidades e alimentos industrializados.
Alexandre Sampaio
asampaio@encontrosdosul.com.br
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
China-EX-China Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Renata Machado Date: 08/02/2007
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