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Aconteceu de 14 a 23 de janeiro de 2007, a Cavalgada limites e Fronteiras Gaúchas, em Garruchos/RS. Confira o relato de Cleonilton Moraes Almeida, organizador e responsável da cavalgada!
Falar sobre a volta no Rio Grande do Sul a cavalo realmente é um prazer para mim, ainda mais quando a viagem foi realizada dentro da perspectiva planejada. Bom! Fato é que chegamos a quarta etapa desta viagem histórica e depois de percorrermos mais de 1.200 km, passar por mais de 70 municípios, conhecer todos os limites do norte e nordeste do estado, passarmos por muitas estradas e caminhos difíceis de cavalgar com pedras, ribanceiras, cruzamento de rios a nado e com balsas chegamos na região da fronteira.
Cavalgar nesta região sempre é algo emocionante, pois é lá que vamos encontrar a marca mais forte dos costumes gauchescos, eis foram naqueles pagos que nossas fronteiras saíram delimitadas na bala de garrucha e a pata de cavalo, por isso ao relatar mais esta parte da viagem, me sinto feliz, por ter tido a oportunidade de conhecer mais alguns corredores da fronteira.
Nossa viagem começou dia 14 de janeiro de 2007 na cidade de Garruchos, porém antes da nossa partida realizamos algumas manifestações naquela cidade, como por exemplo, a visita aos bolichos de campanha que ficam na beira do rio Uruguai, onde pudemos saborear cervejas fabricadas na Argentina e ter contato com aquele maravilhoso rio que já foi letra de muitas músicas gaúchas e continua até hoje fazendo parte da vida dos municípios que o margeiam. Tivemos o prazer de ter sido convidado para participar de um programa de rádio realizado no lado Argentino, mas em virtude dos horários da travessia da balsa não pudemos comparecer.
Após realizarmos um desfile pelas ruas de Garruchos voltamos para nossa concentração e no clarear do dia 14 de janeiro de 2007, colocamos nossos pingos na estrada. O dia era muito bom e em seguida fizemos nossa primeira parada percorrendo os primeiros 10 km. Até este ponto toda a comitiva estava junto, porém a partir dali, os veículos seguiram pela estrada e os cavaleiros tomaram outro rumo em direção ao rio Manuã que fica próximo a localidade chamada de Tigra. Tivemos de enfrentar algumas dificuldades para encontrar o passo do rio, eis que o nosso suposto guia não estava mais trabalhando na fazenda onde fica a tal passagem, mas como bons gaúchos não nos apertamos e logo passamos o rio que estava baixo chegando em seguida no primeiro pouso que fica na localidade de Samburá, adentrando assim no município de São Borja. Perfazendo aproximadamente 40 km.
Pernoitamos no salão de festas ao lado da escola Osvaldina e por sinal fomos muito bem recebidos pela diretora da escola Sra. Ivania e sua família. Todos estavam muito bem, pois a gurizada ainda teve tempo de jogar basquete e tomar banho no rio Manuã restabelecendo as forças do primeiro dia de calor. Na manhã do dia 15, saltamos cedo da cama e depois do racionamento da cavalhada e tomarmos um café bem campeiro seguimos nossa viagem em direção a Sarandi, onde depois de percorrermos aproximadamente 38 km chegamos no Armazém Santo Antonio. Montamos nosso acampamento e largamos nossos cavalos num bom pastoreio no pátio da escola local. A tarde foi de descanso e boas partidas de bocha, e aí descobrimos que o companheiro Aquino não é apenas um ótimo caminhoneiro e sim um campeão de bocha. A gurizada como sempre conseguiu carona do dono do armazém para tomar banho no rio Manuã.
No amanhecer do dia 16, lá pelas 6h da matina seguimos nossa viagem em direção à cidade de São Borja, onde depois de percorrer 40 km chegamos ao Sindicato Rural daquela cidade e fomos muito bem recebidos pelo Sr. Batista que é o responsável por todo o sindicato. Logo em seguida fomos brindados com a presença do Chefe do Gabinete do prefeito de São Borja Sr. Mariovane Weis que acompanhado da Sra. Silvana Costa, diretora de turismo, nos fizeram o regalo com a bandeira municipal de São Borja e ilustrações das atividades culturais do município. Após o desencilhamento dos cavalos e um bom banho para o relaxamento da musculatura os soltamos num belo piquete com pastagem em abundância.
Depois do almoço, seguimos para a visitação do museu dos Anhangueras, o qual é muito bonito e interessante, pois apresenta peças da família de Getúlio Vargas e João Goulart, além de contar com muitas carretas de bois de diversos tipos, materiais utilizados na campanha no passado, enfim é bonito demais. Após essa visita todos rumaram para o acampamento, porém eu ainda visitei o Sr. José Bica, o qual é um dos organizadores do Festival da Barranca que acontece todos os anos em São Borja. Esta festa é realizada numa chalana dentro do rio Uruguai, onde os participantes recebem o tema para comporem num dia e tem de fazer a música até o outro dia para apresentar e diga-se de passagem que só tem música de fundamento.
A noite chegou e fomos descansar. Ainda tivemos a visita de alguns amigos que ficaram sabendo da nossa passagem pela cidade e alguns jornais também compareceram para saber os detalhes que envolvem este tipo de viagem.
Continua...
Fonte:
Cleonilton Moraes Almeida Cidade:
Garruchos-RS-Brasil Fotos: Janice Cabral Publicado: Renata Machado Date: 15/02/2007
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