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De 22 a 29 de maio 2007, Carlos Simões e sua esposa, Maria Lúcia Simões realizaram um Raid de Carro a Vela no Deserto do Sahara, junto com demais participantes. Confira a tradução da narrativa de Jean Pierre Berthet, organizador do evento.
Demais participantes: Alemães: Schweiger e Andreas Wilhelm; ingleses: Roger Blake e Greg Chilvers; franceses: Jean Claude, Bernard, Michele e Marie; irlandeses: Harry Harron, Kurt Savage e Cris Beck; espanhóis: Nacho, Chema e Fernando. Diretores: Jean Pierre Berthet e Ivan Guiot.
Para chegar não foi fácil: 40 horas de viagem, distribuídas em três etapas com 16 horas de avião, mas lá estava eu no Marrocos. O sonho de participar de um raid de carro a vela no deserto do Sahara estava se iniciando. Forte espírito de grupo, vento no primeiro encontro, prazer assegurado. É a 5ª edição internacional que reúne 16 participantes vindos da Alemanha, Inglaterra, Brasil, Espanha, França e Irlanda do Norte.
É no aeroporto de Ouarzazate que o evento se inicia, no sábado 22 maio de 2004. Chegada bem marcante dos ingleses e sobretudo dos Irlandeses, com seus 150 kg de material, mas já com um saco extraviado por Kurt Savage: uma turista pegou o saco errado por engano. Carlos Simões, o piloto brasileiro já estava no Hotel fazia algumas horas. (Tinha vindo de carro de Casablanca.) 6h da madrugada e nós pegamos a estrada em direção a Erfoud, a bordo de nossos Land Rover Defender, bagagens amontoadas no teto. Ivan, um dos organizadores, ficou no aeroporto para recuperar a bagagem extraviada.
É quase 12h30min quando chegamos finalmente a Erfoud onde encontramos os três pilotos espanhóis, dois pilotos alemães e um piloto francês: Jean-Claude Lafarque, o mais decano dos pilotos 2004 com seus 60 anos. Últimos preparativos, carregar o material sobre os Lands, almoço em Erfoud e em seguida tomamos a estrada e a pista para encontrar o primeiro lugar de bivac na borda das grandes dunas do "erg". Os pilotos trabalham ao redor de seus materiais. Os buggys estão fortemente representados este ano e os speed-sails (skates) ausentes.
Um vento forte se levanta no momento em que o pessoal do bivac monta a grande tenda árabe. Nós jantamos sobre sua proteção: hors-d'oeuvre, taginas, sobremesa e passamos uma primeira noite sob as estrelas... Mas com a cabeça coberta de areia. A manhã da primeira etapa, e o vento não enfraqueceu. Café da manha sob o abrigo da tenda, briefing sobre as regras de segurança, últimos preparativos.
Partimos com ventos de mais de 20 nós. Os pilotos ficam surpreendidos pelo espaço: eles atingiram o deserto, eles imaginavam mas não tinham real consciência do que encontrariam no seu seio. Jean-Claude roda um pouco rápido sobre as pedras com o seu carro a vela e recolhe um pouco a vela. Ele conserta e junta-se ao grupo que se distribui já sobre diversos quilômetros. As orientações são claras: um veículo na frente orienta os pilotos e freia os mais rápidos, vários veículos intermediários vigiam, um veículo atrás fecha o grupo... Todos interligados pelo rádio.
Perto do meio dia, nós paramos ao pé de uma grande árvore para almoçar: grande salada mixta, pão, sobremesa. Passamos as horas mais quentes na sombra, Siesta, discussões e os primeiros curativos: Kurt sofreu uma bela queda e esfolou o braço. O entendimento é excelente no meio do grupo e todos estão contentes com esta primeira jornada que partiu muito forte. Agora o vento se aclamou. Nós repartimos por volta das 15h, mas fazemos apenas 2 km antes de parar. Vento muito fraco. Nós carregamos os carros sobre o teto dos Lands e partimos a procura de gravuras rupestres que sabemos existir neste setor. Nós encontramos finalmente apenas uma só gravura representando um animal. Como ontem, o vento aumenta na hora de montar a grande tenda. Jantamos sobre o abrigo e passamos a segunda noite sob o vento quente do deserto.
Segunda etapa: café da manha às 6h, tentamos aproveitar ao máximo o vento da manhã. Este esta sempre presente, cerca de 15 nós, mas orientado para o leste. Ideal para o setor que nós iremos hoje. Nós rodamos toda a manhã. Depois, perto do meio dia, o vento enfraquece, e nós carregamos os carros sobre os lands para alcançar um albergue, onde nós almoçamos e tomamos uma ducha. Depois nós trocamos de zona de rodagem, não sem antes aproveitar para refazer os estoque de água mineral e as primeiras compras em Rissani. Chegamos por volta das 18h ao ponto do bivac. Somos então acolhidos por um vento forte e uma pequena chuva. Jantamos sob a tenda grande e noite com vento é o nosso programa. A equipe da cozinha é aplaudida esta noite pelo couscous que prepararam durante o dia.
Terceiro dia: Despertar sob um vento forte e frio que desce da Cordilheira do Atlas (montanhas ao norte, com picos de 4.000m). Rapidamente a chuva começa. Nacho, piloto espanhol , faz um teste com sua mais pequena vela, mas é ejetado de seu buggy por rajadas de vento de mais de 30 nós. Decidimos esperar. Por volta das 10h, o vento se regulariza e enfraquece. Ele se estabelece por volta dos 15 nós, com uma pequena chuva fina. Não passa de 10 graus Celsius... Harry e Kurt, os irlandeses, se sentem em casa. Paramos para almoçar e repartimos para aproveitar as boas condições. O vento aumenta e em seu meio desta tarde e nós rodamos sobre um imenso plateau de fino cascalho. Os buggys atingem a mais de 55 km/hora. Nós terminamos nossa etapa em frente a um albergue encravado em uma rocha 93km percorridos em linha reta, provavelmente mais de 120km contando as bordejadas. Esta noite o ambiente é excelente: jornada ideal, um albergue com charme, ducha, noite sem vento.
Quarto dia: Acordamos às 6h, café da manhã farto. O céu é de um azul puro, a temperatura é agradável. Nos passamos em uma noite de um extremo ao outro. Esta manhã não tem vento, e nós carregamos os carros sobre os Lands para alcançar um outro setor. Uma meia hora de 4x4 através de pequenas vilas e palmeirais. Nós chegamos sobre um grande lago seco. O vento se levanta e nos montamos rapidamente o material. Algumas idas e vindas sobre esta superfície lisa, puro prazer e depois nos partimos para uma nova etapa. Vento de traz, 15 nós, o grupo avança tranqüilamente no coração de seus relevos negros salpicados de areia vermelha. Nós estamos muito próximos da fronteira da Algéria.
Após uma quinzena de quilômetros, nós trocamos de direção e o ritmo acelera. Decidimos parar sob uma grande árvore no momento que o vento se acalma. Com muito trabalho, Greg e Roger chegam ao ponto de encontro: vento fraco de frente. Almoço seguida de uma siesta. Depois nos esperamos desesperadamente o vento da tarde. Alcançamos o ponto do bivac conforme o programa: doce noite, sopa quente e nada de vento. Todo mundo saboreia esta última noite sob as estrelas.
Quinto dia: A caravana se desloca para um ponto destacado no meio de um grande plateau e aguarda o vento. Por volta das 10h30min guardamos o material por que as térmicas não apareceram. Fizemos uma tarde de turismo em direção a Ouarzazate. Após 2h de pista atingimos Zagora onde saboreamos um último chá com menta enquanto a maioria dos pilotos fazem as compras a procura de souvenirs. As compras são fortes. Fomos em seguida a estrada e percorremos durante 170 km o maravilhoso vale do Draa: pequenas vilas típicas, palmeiras a perder de vista! Última noite no hotel, últimos aperitivos juntos, última janta... Os pilotos sofrem ao terminar esta aventura.
Fonte:
Carlos Maya Simões Cidade:
Deserto Sahara - Marrocos-EX Fotos: Carlos Maya Simões Publicado: Renata Machado DATA: 16/02/2007
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