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Atravessando o Brasil de moto

O advogado Alexandre Bochi Brum realizou uma viagem saindo de Santiago/RS e passando por vários estados brasileiros. Entre os dias 12 de janeiro a 4 de fevereiro de 2007. Ele conversou com a equipe INEMA sobre a aventura!

No ano passado surgiu a idéia de realizar essa viagem: "Queriamos conhecer o Brasil fazendo um turismo de contato, sem aquele turismo direcionado", conta. No dia 12 de janeiro, ele e a esposa Renata, saíram de Santiago/RS, numa V-STRUM. "Meus irmãos também são motociclistas e temos uma boa turma em Santiago. O engraçado é que quando combinamos a viagem o único que não tinha moto era eu, mas acabei viajando sozinho. Eu sairia dia 4 de janeiro, mas foi marcado o 2º Encontro dos Bodes do Asfalto para os dias 12 e 13 em Caxias do Sul. Então adiei a viajem, fui ao encontro e de Caxias saí direto, com mais cinco integrantes do Moto Grupo", explica.

Para realizar essa aventura, ele comprou a V-Strom de um amigo, pois precisava de uma moto nova, garantida e que tivesse assistência técnica por onde Brum pretendia passar. Fisicamente estava tudo em ordem, pois ele costuma fazer trilha de moto. A moto também não sofreu mudanças: "Fui com a moto completamente original, inclusive com os pneus que vieram de fábrica!" O principal objetivo era conhecer o Brasil de ponta a ponta, saindo pelo sul, subindo pelo oeste até o norte e retornando pelo leste até o sul. "Contatando com o povo, sentindo cheiro, vento, sol, chuva..."

A expectativa era curtir aventura, conhecer a selva amazônica, passando pelo cerrado, pela selva e savana, além de arejar, conhecer, curtir a sensação de liberdade que a moto proporciona. Segundo Brum, as expectativas foram totalmente superadas, pois tendo que tomar decisões, mostrar algum conhecimento, ter agilidade e pensar rápido proporciona uma experiência que, com certeza, aproveitarão no nosso trabalho.

Uma das dificuldades enfrentadas, foi em Porto Velho para embarcar as motos na balsa. "A informação era para pegar a balsa, atravessar o Rio Madeira pegar o Asfalto (200km) até Humaitá. Quando consegui embarcar a moto (era quinta-feira) e me prometeram que segunda pela manhã a moto estaria em Manaus. Nós não conseguimos embarcar de barco, só dois dias depois", conta. Outro momento tenso foi quando os aventureiros souberam que teriam que passar por uma reserva indígena e só até as 18h: "Erramos a estrada ao sair de Manaus. A preocupação aumentou porque não sabiamos se conseguiriamos chegar a tempo de passarmos pela reserva, como a estrada começou boa resolvi mandar bala. Ao chegar lá nos deparamos com muitos buracos e avisos assim: não pare, siga em frente, não filme, não fotografe... Queria que a moto andasse mais, mas os buracos não nos permitiam. Enfim passamos os 130 km da reserva."

A diversidade de culturas de nosso povo foi o que mais lhe impressionou no caminho. Um dos melhores momentos da viagem foi a travessia de barco de Manaus a Belém: "Tínhamos viajado de Sul a Norte. Com a viagem de barco, nós curtimos muito o encontro das águas do Rio Solimões com o Rio Negro, a selva, os botos, etc. Com este descanso no meio do caminho, nos energizamos e ao chegarmos a Belém já estávamos com muita saudade de pegar a estrada com a Nazira (nome que minha esposa batizou a V-Strom)", lembra.

O crescimento intelectual de uma viagem como esta é sensacional, acredita Brum, devido ao aprendizado: "São muitos momentos de reflexão, tranqüilidade e ao mesmo tempo, de definir, ultrapassar, acelerar, frear, tomar um outro rumo, estar alerta para placas, para o mapa... Nós temos que dominar o conhecimento (ou ter algum) para ajudar nas decisões e uma viagem dessas, acrescenta outros tantos. Muito bom mesmo."

As situações engraçadas fizeram parte de toda a aventura, como em Belém, onde Brum encontrou novos amigos (Geraldo e Hiragamis de São Joaquim, SC) que viajavam em duas BMW GS 1150 cc. "O Hiragamis estava com a suspensão pifada e às vezes ficava um pouco para trás. Ao chegarmos num posto de combustível no Maranhão a Renata olhou a moto dele e perguntou da mala lateral. Ele havia perdido! Sem suspensão e com a estrada com uma trepidação excessiva, caiu. Voltamos por volta de 50 km, mas não conseguimos encontrá-la. Os dois viajavam com duas malas laterais e uma na garupa. Eu e a Renata apenas com a da garupa. E olha que a Renata tinha levado duas calças Jeans e não usou uma delas!"

Descanso, paz, muita alegria, conhecimento representaram a viagem para ele. Brum destaca que levou pouca coisa de bagagem, para a moto, só as chaves que vem com ela. Mais três mudas de roupas íntimas, bermuda, camisetas e calça e jaqueta de Cordura. Como eles viajavam de dia, procuravam hotel a noite: "Tomávamos banho, caminhávamos, fazíamos uma refeição (de preferência típica, do local) e dormíamos. Na manhã seguinte tomávamos um bom café com muitas frutas e seguimos em frente. Quando parava para abastecer tomávamos um energético ou guaraná, água mineral e comíamos barras de cereais, sanduíches", explica.

Do roteiro, eles definiram apenas que queriam sair do sul, subir pelo oeste até o norte, buscando cidades maiores, capitais, lugares interessantes. O retorno seria pelo leste do norte para o sul. "Também fomos olhando o mapa e escolhendo por onde iríamos passar. Quase deixamos de ir a Boa Vista porque a balsa que trazia a moto atrasou um dia, mas deu tudo certo."

Para quem deseja realizar uma aventura como essa, ele aconselha não levar coisas que não vai usar. "Previna-se, mas não seja maniático", diz. Com muita reflexão pelo caminho, ele acredita que com 45 anos (completados na viagem) acha que finalmente aprendeu a escutar: "Vi que o ser humano é capaz de tudo, de passar por cidades desconhecidas, de comunicar-se, de se superar." As lembranças dessa incrível aventura são as mais simples e impressionantes possíveis: "A sensação de liberdade, de buscar o novo, de ver e sentir novas paisagens, lugares, da boa chuva, do sol, do nublado refrescante..."

Para Brum, todos os esforços valeram a pena, tanto que ele tem muitos planos de fazer outras moto viagens: "Encontramos no Barco o Josephe (um Italiano) que tem moto na Itália e nos convidou para darmos uma volta por lá. Quem sabe..." Sua esposa, que nunca havia feito uma viagem de moto, hoje diz: "Não gosto de viajar de carro".

Brum agradece ao Geraldo e o Hiragamis, que foram os companheiros de parte da viajem, a sua companheira inseparável Renata, aos seus dois cachorros que ficaram cuidando a casa, Tango e Cão, aos sócios Fredy e Marcelo que ficaram tomando conta do escritório. Ao Miguel do Cassino que ligava sempre para saber onde e como ele estava. Aos seus pais, seus irmãos, aos Bodes do Asfalto e aos TTTs, todos amigos motociclistas. "Agradeço também o INEMA que incentiva muito a todos nós com suas reportagens e ao inventor da motocicleta!" Encerra o aventureiro.

Equipe INEMA

Fonte: Alexandre Bochi Brum
Cidade: Santiago-RS-Brasil
Fotos: Alexandre Bochi Brum
Publicado: Renata Machado
Date: 16/02/2007 <%insert_data_here%>

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