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12 de janeiro de 2007 foi a data escolhida por Alexandre Bochi Brum para o início de uma aventura de moto pelo Brasil. Ele nos contou como foi, confira!
No dia 12 de janeiro de 2007, Alexandre Bochi e sua esposa, Renata saíram de Santiago/RS rumo a uma aventura de moto pelo Brasil. No ano passado, o casal queria conhecer o Brasil, mas sem depender de agências de turismo, queriam conhecer o país da maneira deles.
Alexandre, que é advogado, começou a preparar-se para a aventura comprando uma V-Strom de um grande amigo em Esteio. "O mais engraçado é que quando começamos a preparar a viagem o único que não tinha moto era eu", diz Alexandre. Ele estava construindo e por isso teve que vender sua moto. Na verdade, Alexandre estava procurando uma moto zero km, mas em Ijuí/RS, em uma revenda da Suzuki uma moto com 1000 km. Ele ficou interessado, mas quis saber quem era o dono da máquina. Para sua surpresa o dono era seu ex-colega de faculdade, Alex. A principal preocupação do advogado era comprar uma moto nova, garantida e que tivesse assistência técnica por todos os lugares que ele pretendia passar. Após conversar com Alex, ele fechou negócio e saiu com a moto sem mudar nenhuma peça, inclusive os pneus.
A princípio uma galera faria a viagem, que estava prevista para iniciar dia 4 de janeiro de 2007. Mas nos dias 12 e 13 de janeiro de 2007 foi marcado o 2º EBA (Encontro dos Bodes do Asfalto), em Caxias do Sul. Alexandre decidiu ficar para comparecer ao encontro. No fim, ele e sua esposa saíram sós de Caxias do Sul rumo à aventura! Renata, que nunca havia viajado de moto, hoje diz que nem quer mais viajar de carro. O casal apaixonado por aventuras queria conhecer o Brasil de ponta à ponta, então saíram do sul, seguiram em direção ao oeste e em seguida ao norte. Após retornaram pelo leste até o sul novamente. E eles estavam conscientes que durante o percurso encontrariam vento, sol, chuva, frio, calor... mas também estavam realizados porque teriam um contato fantástico com o povo brasileiro.
A viagem de Santiago até Porto Velho em Rondônia não teve muitos problemas. Alexandre se preocupou em usar pouco dinheiro e muito cartão de crédito. Vários postos de gasolina em Rondônia não aceitavam cartão. Devido à isso, o casal procurou saber onde podiam embarcar a moto (e os dois junto!), mas ninguem sabiam dar tal informação. Falaram para Alexandre que eles precisavam pegar a balsa, atravessar o Rio Madeira, andar no asfalto 200 km até Humaitá. O único problema é que não havia asfalto após Humaitá, ou seja, eles teriam que percorrer 800 km até Manaus contando com apenas um posto de abastecimento. Finalmente, quinta-feira ele conseguiu embarcar a moto, com a promessa de que segunda-feira ela estaria em Manaus. O casal não conseguiu pegar um barco, então ficaram mais dois dias em Porto Velho e pegaram um avião até Manaus. Para o desespero de Alexandre, na segunda-feira prometida, a moto ainda não havia chegado, chegou apenas terça-feira.
Cuiabá à Cáceres e Manaus a Boa Vista foram trechos complicados, com muitos buracos, mas tudo deu certo, porque "a moto se comportou bem", segundo Alexandre. A informação de que eles teriam até às 18 horas para passar por uma reserva indígena preocupou o casal, pois não sabiam se teriam tempo para isso. Passados os 130 km da reserva indígena, eles ficaram mais tranqüilos.
A 200 km de Boa Vista, ao parar para abastecer a moto, o frentista do posto disse que não tinha energia elétrica para tocar a bomba de combustível. Alexandre teve que esperar até que um homem, que é responsável pelo motor diesel que produz energia elétrica para a pequena cidade aparecesse. Devido ao incidente, o casal pegou estraga à noite, mas felizmente os buracos diminuíram. Mas a 40 km de Boa Vista, ao passar por um buraco mais profundo o aro da moto entortou e o pneu furou. Mesmo balançando um pouco, eles conseguiram chegar no trevo para Boa Vista, onde o pneu soltou do aro. Ao chegar na cidade, Alexandre trocou o aro, mas não achou um pneu da V-Strom, então aconselhado por Miguel (professor de pilotagem que mora no Cassino, em Rio Grande/RS) colocou outro pneu e começou a diminuir a velocidade da moto.
A grande expectativa do casal era conhecer a selva amazônica. Eles queriam conhecer e curtir a sensação de liberdade que a moto proporciona. Andaram pelo cerrado, pela selva amazônica e pela savana. O que mais impressionou os aventureiros durante a viagem foi a diversidade cultural do povo brasileiro. "Nossa, esse Brasil é muito grande", comenta Alexandre.
Um dos melhores momentos da viagem foi a viagem de barco de Manaus a Belém. Eles já tinham viajado do sul ao norte e esse foi um intervalo muito interessante. Eles admiraram o encontro das águas (Rio Solimões com o Rio Negro), a selva e os botos. Esse "descanso" serviu para dar mais energia e motivar o casal. Quando chegaram a Belém, a vontade de pilotar a Nazira (nome que Renata batizou a V-Strom).
Na bagagem pouca coisa foi levada, apenas três mudas de roupas íntimas, bermudas, camisetas, calças e jaquetas de Cordura. O roteiro da viagem foi o seguinte: Santiago, Santa Maria, Caxias do Sul, Cascavel, Campo Grande, Cuiabá, Porto Velho, Manaus, Boa Vista a Manaus, Belém, Imperatriz, Araguaína, Paraíso do Sul, Gurupi, Porangatu, Goiânia, Itumbiara, São José do Rio Preto, Cascavel e Santiago novamente.
Segundo Alexandre, o crescimento intelectual de uma viagem com essa é sensacional. Tem muito aprendizado, momentos de reflexão, tranqüilidade... e ao mesmo tempo, de uma hora pra outra tem que ultrapassar, acelerar, frear, tomar um outro rumo, estar alerta para placas, para o mapa... de uma hora pra outra tem que decidir! O que a viagem representou para o casal? Descanso, paz e muita alegria, além do conhecimento. "Com muita reflexão pelo caminho acabei vendo que com 45 anos acho que finalmente aprendi a escutar. Vi que o ser humano é capaz de tudo, de passar por cidades desconhecidas, de comunicar-se, de se superar", fala Alexandre.
Para quem quer realizar uma viagem como essa, Alexandre dá a dica: planeje-se, previna-se. Mas pegue sua moto e vá, não pense muito.
"Quero agradecer ao INEMA que incentiva muito a todos nós com suas reportagens, ao Geraldo e o Hiragamis que foram os companheiros de parte da viagem, a minha companheira inseparável a Renata, aos meus dois cachorros que ficaram cuidando a casa (Tango e Cão), ao Fredy e o Marcelo que são meus sócios e ficaram tomando conta do escritório. Ao Miguel do Cassino que ligava sempre para saber onde e como eu estava. Aos meus pais, meus irmãos, aos Bodes do Asfalto e aos TTTs, todos amigos motociclistas.E a o inventor da motocicleta", encerra.
Equipe INEMA
Fonte:
Alexandre Bochi Brum Cidade:
Santiago-RS-Brasil Fotos: Alexandre Bochi Brum Publicado: Daniela Silveira Farias Date: 26/02/2007
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