05/02/07 - 12:16 - 4º dia - Colonia(URU) - Mar Del Plata(ARG) - 450 kms rodados e 60km navegados.Uufaa! Acho que as rezas da mamãe nos ajudaram. Como falamos ontem, tinha passagem apenas para quarta-feira. Compramos os Tickets para quarta-feira com embarque para às 5h30min da manhã e ainda entramos na lista de espera de alguma desistência.
Levantamos as 4h da manhã, o corpinho nao queria ir, mas sabíamos que deveríamos ir, se não teríamos que ficar até na quarta no Uruguai. Fomos ao Porto de Colônia, estava chovendo, e acho que isso nos ajudou para que houvesse desistência, pois chegamos ao Porto as 4h30min e tivemos a notícia que poderíamos embarcar. Foi uma alegria só.
Fizemos então os trâmites da migração e embarcamos as motocas.
O Buquebus tem uma capacidade para 120 automóveis e 1200 pessoas. Um gigante de 5 andares, com cassino, restaurantes, heliporto, mirantes, freeshop e elevadores. Muito interessante, parecia estarmos dentro de um shopping. Os carros são estacionados tão juntos um do outro que fica praticamente impossível circular entre eles.
A travessia de 60 kms do Rio da Prata tem uma duração de 3h30min em média. Como tínhamos ido dormir tarde e acordado cedo, não conseguimos ficar em pé, e acabamos deitando no chão do 4º andar do Buquebus para dar uma dormidinha. O chão tem um carpete grosso e bem fofo, uma maravilha para quem está atordoado de sono.
Depois de 3h30min de viagem sobre o Rio da Prata que mais parece o Oceano, chegamos ao Porto Madeira em Buenos Aires. A chuva havia parado e as 9h30min seguimos viagem então para Mar Del Plata.
Acima o Buquebus rápido, faz a travessia em uma hora.
Paramos para abastecer as motos e ajustar as correntes na saída de Buenos Aires. Até Mar del Plata são 450 kms. E o sono nos perseguindo, estava ficando difícil de pilotar, o sono era tanto que chegamos cochilar pilotando a motoca.
Paramos em Maipu para almoçar, coisa rara nos últimos dias. Colocamos as Motos na sombra e na hora de sair não resistimos, deitamos na grama e dormimos uns 30 minutos e seguimos viagem.
Ainda era 4h quando chegamos a Mar Del Plata, podíamos seguir viagem para adiantar uns kms, mas achamos mais prudente ficar e descançar um pouco, para nao judiar muito do corpinho.
Chegando já procuramos um hotel. Achamos logo e saímos para conhecer Mar del Plata. A principal Praia Argentina. Ficamos surpresos, uma cidade com mais de 600 mil habitantes e com muitas praias.
Pegamos um taxi para conhecer a cidade, por sorte, pegamos um taxista gente boa que mais parecia um guia que nos mostrou a cidade.
Nas praias vimos algo interessante, uma centena de gazebos ou barracas colocados lado a lado como um loteamento, tomando praticamente todo o espaço da praia. Muito estranho, as praias são privadas e as barracas são alugadas.A cidade é muito linda!
Deixamos o Taxi e fomos passear a pé no calçadão central da cidade. Muito bonito, muitos cafés, lojas e muita gente circulando. Quando nos demos conta, tínhamos perdido o Nenan(Renan), o filhote da Clairê. Que desespero, colocamos a placa de procura-se, chamamos a polícia com os cachorros farejadores de cuecas em estado de decomposição. Aí foi moleza apareceu rapidinho. Hoje jantamos em uma cantina de massas para repor os carboidratos perdidos, para amanhã cedinho estarmos em forma para seguir viagem até Bahia Blanca ou até onde o vento nos levar.
06/02/07 - 12:36 - 5º dia - Mar Del Plata - Viedma - Rodados 769
Hoje saímos mais tarde do hotel, ainda fomos abastecer para depois seguir viagem. Na saida de Mar del Plata aproveitei para tirar mais umas fotos. Como não poderia faltar, em Mar Del Plata também tem a praça San Martin.
Ontem quando o taxista passou pela praça comentou que aquela era a Praça principal. Na hora matamos a charada, San Martin é claro. Lá esta o Mártir sobre seu Cavalo.
45 kms depois de Mar Del Plata se encontra mais uma cidade litorânea chamada Miramar, bem menor que Mar Del Plata, mas tão bonita quanto, e com um bonito portal.Depois passamos por Necochea, uma região que predomina as plantações de Girassol.
Nesta região começamos a ter uma prévia do que encontraremos na região sul da Patagonia. Pegamos ventos fortíssimos que insistiam em nos colocar para fora da estrada, aí lembrei o que o amigo Lima de Apucarana falou para nao brigar com o vento. Mas é complicado e perigoso, em um momento de desatenção uma rajada de vento pode nos colocar fora da pista. Mas segundo um amigo motociclista que encontramos retornando de Ushuaia, isso não é nada perto do que encontraremos mais ao sul. Que consolo! Ventos de até 140 km por hora. Vamos amarrar umas pedras nos pés do Renan para o vento não levar.
Desde a saída de Buenos Aires começamos a escutar barulhos anormais na relação das motos. Começamos a observar melhor e percebemos que estava ocorrendo um desgaste excessivo do pinhão. Continuamos nossa viagem fazendo de conta que nada estava acontecendo. No entanto, quando chegamos à cidade de Tres Arroyos paramos para abastecer, aí resolvi abrir a tampa lateral para tirar a dúvida. E o susto, tinha só a metade dos dentes do pinhão, o resto já tinha quebrado.
Como tínhamos um de reserva, fomos até uma borracharia perto do posto para pegar uma chave emprestada e fiz a troca do pinhão ali mesmo. Observamos que pinhão do Ramir também estava desgastado e que não duraria muito tempo. Rapidamente resolvemos ligar para a Yamaha em Curitiba para nos enviar um pinhão de via sedex para o Ushuaia.
Passando em frente a uma loja de motos e quadriciclos paramos para perguntar de alguma agência da Yamaha em alguma cidade próxima (a mais próxima estava à 1226 kms), e não sabíamos se íamos encontrar.
No entanto, com o pinhão da Xt na mão começamos a comparar com algumas peças que tinha na loja. Por sorte achamos um de XR600 que deu certinho (dica para quem precisar).Trocamos o pinhão da moto do Ramir ali mesmo para evitar aborrecimentos na viagem, agora temos um de reserva.
Gracias Facundo por su empeño e dedicacion en ayudarnos en nel concierto de la motocicleta. Le deseamos mucha suerte si.
Outra coisa que perseguimos por aqui são os postos da Petrobrás, são os melhores da Argentina, com lojas de conveniência, ótimas para se fazer um lanchinho. E para o Nenan tomar todinho para ficar fortinho.
Passando por Bahia Blanca observamos um número muito grande de indústrias e refinarias. Mas acabamos não entrando na cidade devido ao atraso anterior da troca do pinhão.
Enfim chegamos, estamos na Patagonia Argentina, que compreende 20% do território Argentino.
De cara já encaramos os fortes ventos, em algumas situações as motos ficavam inclinadas contra o vento. A sensação era de que a qualquer momento o vento faria com que os pneus se soltassem do chão e o pacote seria certo. Mas era só sensação mesmo, por enquanto.
Essa é uma região de retas gigantescas de dar sono, se não fosse o vento. Por isso as poucas fotos, não tem muito o que se ver nesse trajeto. Mas não deixa de ser interessante aos nossos olhos.
Enfim chegamos a Viedma para mais uma noite de descanso merecido, amanhã devemos andar em torno de 1000 kms até Comodoro Rivadavia, vai ser uma tanto puxado, mas não temos outra escolha.
07/02/07 - 12:29 - 6º dia - Viedma a Trelew - 720 KMS rodados.
Saímos mais cedo do Hotel hoje, com intenções de chegar a Comodoro Rivadavia a mais ou menos 1.200 kms.
Ontem quando paramos abastecer em Bahia Blanca, encontramos e conversamos com um motociclista Espanhol que estava subindo de Ushuaia. Pensamos o que ele estava fazendo com tanta roupa. À noite em Viedma a temperatura já havia caído bastante e como saímos de shorts passamos um friozinho.
Hoje quando saímos de Viedma e andamos uns 100 kms tivemos a resposta do que pensamos do Espanhol. A temperatura caiu muito e tivemos que parar em um posto de combustível para abastecer e colocar roupas de frio. Havíamos esquecido que ja tínhamos entrado na Patagonia. A Patagonia ocupa grande parte do território Argentino e compreende as províncias de Neunquem, Rio Negro, Chubut e Santa Cruz. A maioria dos habitantes vivem perto dos vales Rio Colorado e Negro. Nessas regiões se encontram muitas plantações de frutas como pêra e maçã, e ainda alfafa e criação de ovelhas.
Geograficamente, Patagonia pode ser dividida em duas áreas muito distintas, a Patagonia Atlântica, onde estamos e a Andina onde passaremos daqui uns 8 dias.
Aqui na Patagônia Atlântica observamos uma vegetação rasteira e muitos arbustos pequenos tipo cerrado, uma região muito desértica que nos fez lembrar o Deserto do Atacama. As estradas seguem por kms e kms no meio do nada. No entanto, a parte oceânica da Patagonia Atlântica é considerada a maior concentração de animais marinhos do planeta. Pinguins, baleias, leões marinhos e lobos do Mar.
Chegando a Puerto Madryn, saímos 100 kms da nossa rota para visitar a Península de Vales, um dos lugares de maior concentração de animais marinhos do Planeta.
Junto ao Portal existe um museu com inúmeros fósseis, nos chamou atenção o esqueleto de uma Baleia Franca Austral que morreu na Península em 1985.
Seguindo pela Península chegamos ao Porto Pirâmide, o único local de abastecimento e que se pode fazer uso da Praia. Um lugar muito bonito com uma paisagem deslumbrante.
Havia alguns turistas tomando banho no mar, a água devia estar geladíssima.
Seguindo pegamos uma estrada de ripio (um asfalto perto da estrada do inferno) para chegar até a Ponta Pirâmide para ver se conseguíamos ver alguma coisa da Fauna da Península.
Alguns segundos após ter feito uma bela foto quase beijei o solo da Península. Estava pilotando com uma mão e fotografando com a outra, e nao percebi um banco de areia, quando vi estava dentro dele, por pura sorte nao caí.
Falando em cair, tivemos um efeito dominó hoje. Parei para pagar a taxa de entrada na Península, o Ita no meu lado logo à frente e o Ramir no meu lado logo atrás. O camarada pediu para que eu olhasse a placa do Renan que estava à frente, fui olhar e me desequilibrei, eles tentaram me segurar, mas caí em cima deles derrubando os dois. Pena não ter tirado uma fotinha do mico.
Chegamos a Ponta Pirâmide esperançosos de ver algum bichinho. Por sorte vimos uma centena de Leões marinhos que estavam tomando sol e banho nas águas do Atlântico.
A paisagem é muito linda, o mar parece ter várias cores. Alguma coisa parecida com uma pirâmide. Por isso chamam de Ponta e porto pirâmide. Para dar a volta na Península são em torno de 400 kms de ripio (cascalho e areia).
Voltando a Rota 3 que deixamos anteriormente para visitar a península, seguimos viagem em direção a Comodoro Rivadavia, já um tanto atrasados e com o vento nos segurando.
As motos que faziam em torno de 20 kms por litro, agora estão fazendo em torno de 15 km por litro. Parece que estamos rebocando outra moto de tanta força que o vento exerce sobre as motos.
Chegamos ao Vale do Chubut, na chegada uma visão do vale do alto.
Nesse ponto está a cidade de Trelew, faltavam ainda 450 kms para Comodoro Rivadavia, atrasados devido a entrada na península. Daqui para frente até Comodoro não há nenhuma cidade ou comunidade. Apenas um posto de abastecimento no meio do trajeto.
Conversamos e pedimos algumas informações. Achamos muito arriscado seguir viagem numa região tao desértica e sem combustível. Optamos então por pernoitar na cidade de Trelew e seguir viagem amanhã.
Hasta la vista.
Toco Dal Molin
Fonte:
Moto Grupo Vida Mansa Cidade:
Colonia-UR - Mar Del Plata-AR-EX-Uruguay Fotos: Moto Grupo Vida Mansa
Publicado: Kenia Almeida Ferraz
Date: 02/03/2007
<%insert_data_here%>