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Encarando desafios e longas cavalgadas

O advogado Cleonilton Moraes Almeida, de Porto Alegre/RS sempre gostou de cavalgadas. Aos 40 anos, é coordenador do Piquete Aporreados do 38 e organizador da Cavalgada Limites e Fronteiras Gaúchas, que em fevereiro de 2007 completou mais uma etapa.

Desde os oito anos de idade que Almeida tem o hábito de andar a cavalo. Ainda na infância ele costumava passar as férias em fazendas na fronteira do estado. Com 19 anos, foi um dos fundadores do Piquete Aporreados do 38, criado no dia 20 de setembro de 1986 no acampamento do Parque Harmonia. Hoje, ele é a atual coordenador do Piquete, escolhido através de uma eleição que concede um mandato de três anos. Em 2006, o Aporreados do 38 foi premiado pela Associação dos Piquetes e Comissão municipal e estadual de Cultura, pela replica da Charqueadas São João, que levaram para o Parque Harmonia.

As cavalgadas sempre estiveram presente na vida desse admirador da cultura gaúcha, tanto que em 1987 ele organizou sua primeira cavalgada que saia de Porto Alegre e seguia até Capão da Canoa, no litoral norte do estado. "Naquele tempo as cavalgadas não eram tão comuns quanto hoje" lembra. Ele cita a tradicional Cavalgada do Mar como uma das pioneiras, onde ele participou quando o evento contava apenas com 200 participantes: "Era bem diferente, havia apenas um acampamento." Acostumado a cavalgar todo o final de semana na região de Viamão, onde é proprietário de um hotel para cavalo, que oferece passeios pela região e aulas de montaria. Almeida conta orgulhoso, que a família também se integra com as cavalgadas: "Meus filhos de 13 e 10 anos cresceram me acompanhando!"

Adepto e organizador de longas cavalgadas, entre as incríveis aventuras que ele já organizou, está a cavalgada que cruzou o estado, saindo de Porto Alegre e indo até Itaqui, o município mais distante da capital. Ousado e empreendedor, Almeida não parou por aí. Num passeio em Dom Pedrito/RS, quando conversava com alguns amigos, teve a idéia de fazer uma cavalgada passando por todos os municípios que fazem estão no limite do Rio grande do Sul.

Almeida confessa que poucos acharam que a idéia desse certo, mas com a ajuda de dois amigos, ele seguiu com o projeto e em 2004, a Cavalgada Limites e Fronteiras Gaúchas teve sua primeira edição realizada, partindo de Torres. Promover o encontro das pessoas com a cultura gaúcha, que difere muito de região para região, é o mais gratificante para ele. "O Rio Grande do Sul tem lugares lindos e muitas vezes nós não conhecemos! Fora o prazer e o orgulho de fazer parte desse passeio histórico, passar essa lição. Ás vezes as pessoas tem medo de fazerem cavalgadas longas e para lugares distantes, mas queremos incentivar e mostrar que é possível. Despertar esse interesse!"

A grande cavalgada

A única cavalgada que vem contornando o estado tem suas edições realizadas todo o mês de janeiro, durante 10 dias os cavalarianos percorrem 400 quilômetros com uma média de 8km/h, através das cidades selecionadas. "Já passamos pela Serra, Missões, agora estamos entrando na região da Campanha", explica. O ritmo da cavalgada também é destacado por Almeida: "É puxado, percorrer toda essa quilometragem, mas sempre conseguimos. É necessário ter objetivo!"

Segundo ele, a maior dificuldade é encontrar pessoas dispostas a encarar esse ritmo, por isso é importante ter disciplina. "Além de gostar de andar de cavalo é interessante ter técnica. Eu diria que essa é uma cavalgada bastante técnica", acredita. Cada edição conta com cerca de 20 participantes, mais 30 pessoas que fazem parte do apoio. Almeida acredita que o número reduzido de cavalarianos facilita a realização dessa aventura. "Claro que um número maior tem mais impacto, mas para a nossa proposta, estamos com o número ideal." Dos 20 cavaleiros, quatro participam de todas as etapas.

Ao total, a cavalgada passará por mais de 70 cidades e em cada localidade recebem uma bandeira do município. Os cavalarianos sempre são recebidos com festa pelos tradicionalistas locais e pernoitam em fazendas, clubes comunitários, paróquias... Durante o percurso, a maior dificuldade é fugir das estradas asfaltadas: "O cavalo nos possibilita escolher o melhor caminho, chegar a locais que de carro não é possível. Dos 1.600 quilômetros que já percorremos, apenas 250 foram no asfalto", conta.

Além de passar pelos municípios, os organizadores fazem questão de conhecerem os pontos turísticos das cidades, como teatros e museus: "Nessa última etapa passamos pelo teatro Prezewodowski que fica junto à praça central de Itaqui. Na elaboração desta etapa fiz questão de colocar esta visita no nosso plano de viagem, pois sabia que muitos iriam gostar e realmente todos ficaram impressionados com o teatro municipal de Itaqui, ainda mais pela sua história", lembra.

Dos lugares por onde a cavalgada já passou, Almeida conta os que mais chamaram sua atenção: "A passagem pelos Aparados da Serra foi fantástica, em pleno janeiro pegamos uma temperatura de 3 graus! Em Marcelino Ramos, cavalgamos na beira do Rio Uruguai e em Quaraí, conhecemos o Cerro do Jarau, que é muito lindo. São imagens que vão ficar para sempre na memória!" Com todas as suas andanças pelo estado, Almeida acredita que o Rio Grande do Sul tem lugares belíssimos que precisam ser explorados.

Por ter um ritmo mais puxado que a maioria das cavalgadas, o cuidado com os cavalos é fundamental desde o transporte dos cavalos. "É uma preocupação constante. Os cavalos são levados em caminhões adaptados com uma temperatura amena e se alimentam de pasto verde. Durante a cavalgada, sempre repomos os sais minerais necessários para eles, além de fazermos o duchamento nas articulações." Ele acrescenta que por causa desse cuidado, os animais se mantêm saudáveis e não perdem peso.

Almeida acredita que o mês em que é realizada a cavalgada, janeiro, facilita para as pessoas se organizarem. "Eu me programo para cavalgar e depois viajar de férias, já com a alma lavada", garante. Hoje, a cavalgada já tem o reconhecimento de vários órgãos oficiais, como o Secretária da Cultura, mas no começo muitos não acreditam nessa jornada: "Achavam que não passaríamos da segunda edição, com o passar do tempo ficou mais fácil acharmos colaboradores, mas não temos patrocínio", declara. O organizador destaca o apoio dos Postos Pódio que sempre fornece combustível para os carros do apoio.

O encerramento do evento será em 2011, em Torres, mesmo local da partida, onde uma grande festa será realizada. "Queremos ter a participação de bandas e de pessoas das localidades por onde passamos", planeja. Almeida já tem idéias para as cavalgadas que pretende realizar, como fazer o desenho da cruz missioneira dentro do estado e promover cavalgadas internacionais. O organizador agradece a todas as pessoas e autoridades das comunidades por onde já passou pelo apoio que recebe. Com um largo sorriso, Almeida finaliza dizendo que sempre acreditou que seria possível realizar uma grande e histórica cavalgada.

Fotos: Janice Cabral

Equipe INEMA

Fonte: Cleonilton Moraes Almeida
Cidade: Porto Alegre-RS
Fotos: Cleonilton Moraes Almeida
Publicado: Renata Machado
DATA: 08/03/2007 <%insert_data_here%>

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