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O aeronauta Enio Guzinski, 65 anos de Novo Hamburgo/RS coleciona histórias nos céus. Ex-piloto, instrutor de vôo e escritor, Guzinski conversou com a equipe INEMA sobre a importância da aviação na sua vida.
Desde menino, ele sempre teve uma grande atração pela aviação e pela sensação de liberdade do vôo. I sso sempre se manifestou de uma maneira muito forte fazendo com que ainda criança, freqüentasse o antigo aeroporto São João em Porto Alegre/RS, onde nasceu e permaneceu até ingressar como voluntário aos 15 anos de idade na Escola de Pára-quedistas do Exército no Rio de Janeiro.
Segundo Guzinski, a decisão de se profissionalizar foi um caminho natural, pois sempre teve vontade de ser um piloto. Sua vontade era tão grande que se houveram dificuldades, ele as ignorou. "Sempre caminhei em direção aos meus sonhos", garante. Ser piloto e comandar centenas de aviões por muitos países, se tornando um nômade do céu, foi o resultado de ter seguido sua paixão. Ele afirma que seria difícil relatar qual o melhor vôo de sua vida, mas cita todos os vôos em que se observa o pôr-do-sol e o amanhecer como fantásticos e cheios de poesia, devido ao colorido provocado por estes momentos onde o Sol dita a sua trajetória para o nosso planeta.
Os longos anos dentro de uma cabine de comando, proporcionaram ao aviador vivenciar diversas situações, Guzinski se recorda mais de um vôo de resgate com pessoas enfermas ou vítimas de acidentes onde o avião era o último recurso para o transporte. "Como um resgate efetuado em condições meteorológicas abaixo do mínimo para o vôo transladando um empresário gaúcho de Três Barras/PR para Porto Alegre/RS que se recuperou e um ano mais tarde fui reconhecido pela esposa do mesmo no Aeroporto Salgado Filho. Fui apresentado a ele, que na ocasião não pude ver seu rosto envolvido em bandagens devido a um choque em seu automóvel com um caminhão, este reencontro para mim foi maravilhoso", afirma.
Sua maior aventura foi um vôo do Rio de Janeiro com destino a Porto Alegre/RS com péssimas condições de tempo, obrigando Guzinski pousar em Itajaí/SC para reabastecer, ali ele encontrou o amigo e piloto chamado Kruchen que além de instrutor do Aeroclube de Caxias do Sul, voava um avião Cessna 182, prefixo PT-DGV que também pousara para reabastecer, a partir deste momento houve uma história incrível: "O avião dele decolou e teve problemas de orientação, se perdendo em meio ao mau tempo, levei duas horas de vôo e consegui colocá-los no solo no Aeroporto Hercílio Luz em Florianópolis/SC, fato este relatado em meu livro 'Voando em um céu solitário' em um capítulo com o título 'Resgate sobre o mar', onde cito todos envolvidos no evento, como o Comandante Miguel Arnt ex-comadante da Varig, ainda vivo. Foi algo incrível!"
Autor do livro "Voando em um céu solitário", lançado no ano 2000, Guzinski considera a obra uma possibilidade de reviver seu passado: "Devido a políticas internacionais o Paraguai encerrou o transporte de carga aérea para a América do Sul oriunda da América Central, muitos pilotos como eu ficamos sem poder voar. Então passei a velejar na costa brasileira em meu barco Lord Jim, como uma forma de reviver meu passado resolvi escrever sobre o que passei", conta.
Vôos futuros
Atualmente, Guzinski faz vôos de teste em aviões experimentais. "Sou instrutor neste tipo de aeronaves e também faço parte de tripulações que necessitam acompanhamento em vôos, no caso de pilotos com pouca experiência, translados de aeronaves que fogem dos padrões convencionais como a distância a ser percorrida em aeroportos e regiões desconhecidas ao piloto que executa o vôo", explica. Além dessas atividades, ele se dedica a construção de uma avião experimental, semelhante ao caça Mustang P51 usado com muito sucesso na 2ª Guerra Mundial pelos americanos, porém em escala de ¾. "Este avião já tem um ano de construção, creio que dentro de mais uns 18 meses deverá fazer seu primeiro vôo de teste", planeja o aviador.
O objetivo ao realizar esse projeto é, após a conclusão dos vôos de teste, a venda em forma de Kits para o Brasil e outros países: "Já temos vários contatos em várias partes do mundo, Estados Unidos e Europa. Estamos aguardando somente o tempo necessário para concluir o que eu denominei de Projeto Mustang. Tenho também a idéia de voar para várias partes do mundo divulgando o avião e também de colocá-lo como defensor das causas ambientais", completa.
Para ele, o mais importante para ser um bom aviador é ter amor e dedicação pelos aviões e pelo vôo, assim como pelo ambiente que envolve a aviação: "Acredito que fazer o que você ama o torna um bom profissional, todos devem amar suas profissões, penso ser isso a parte principal para alguém ser feliz", acredita. Ter certeza do que deseja e seguir seus instintos buscando os caminhos que o levarão a se tornar um piloto são os conselhos que Guzinski dá para quem desejar ingressar nessa área. "Existem muitas escolas de aviação no Brasil e lógico em muitos países, o candidato deve ser persistente e ignorar os desafios, a aviação é uma bela carreira!"
O aviador afirma ser grato a aviação por lhe proporcionar e contribuir até hoje para seu espírito jovem, onde enfrentar desafios é uma constante. "Agradeço a todos aqueles pilotos e mecânicos que comigo cruzaram céus de países distantes motivados pelo desejo de conhecer novos horizontes. Agradeço, também ao INEMA pela ajuda dedicada e contínua aos projetos da minha vida", encerra o nômade do céu.
Todas as histórias do aeronauta Enio Guzinski podem ser conferidas no livro: "Voando em um céu solitáio".
Equipe INEMA
Fonte:
Enio Guzinski Cidade:
Porto Alegre-RS Fotos: Enio Guzinski Publicado: Renata Machado DATA: 16/03/2007
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