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O Moto Grupo Vida Mansa partiu de Itapoá/SC no dia 02 de fevereiro de 2007 numa aventura em direção ao Ushuaia na Argentina. Acompanhe a 5ª parte dessa aventura.
14/02/07 - 12:48 - 13º dia El Calafate(Argentina) - Andamos hoje 190 km para visitar o Parque Glaciar Perito Moreno. A cidade de Calafate é um tanto pequena, mas a rede hoteleira é muito boa para todos os níveis. Logo que chegamos ontem a El Calafate, encontramos novamente nosso amigo Mexicano Fhernando Magno que havíamos conhecido em Ushuaia, com sua Calambres (BMW 1200).
O amigo Mexicano Fhernando Magno com sua Calambres foi sempre uma boa companhia, e foi junto conosco no passeio para Perito Moreno. Acho que agora vamos nos encontrar somente no Brasil quando for nos visitar.
O Parque Nacional Los Glaciares, é um dos maiores parques Argentinos com aproximadamente 13,5 mil km². Quase metade de sua área esta coberta por mais de 350 geleiras. Poderíamos dizer que esse parque são os Andes sobre o gelo. Quase todas as montanhas, lagos, florestas, 47 grandes geleiras e 200 pequenas, os visitantes não podem nem chegar perto devido a muitas impossibilidades.
Mas a natureza foi generosa e de tantas maravilhas existentes no Parque, deixou duas para que os turistas pudessem contemplar. Os picos de grantito Fitz Roy (3400 m) e Torre (3102 m). Há 80km de El Calafate esta a maravilha dos Glaciares de Perito Moreno, patrimônio da humanidade tombado pela Unesco desde 1981. Tem esse nome em homenagem ao pioneiro explorador da Patagônia, Francisco Moreno.
A geleira estende-se por mais de 250 km² é a terceira maior área de gelo do mundo, depois da Antártica e Pólo Norte. Além da sua imponência, é fantástico ver o espetáculo promovido pela geleira quando os paredões de gelo se desprendem.
É um dos poucos Glaciares que avançam progressivamente. O Glaciar movimenta-se quase 2 m no centro e em torno de 40 cm nas laterais por dia. É por isso que pedaços, com estrondo, dela se desprendem, gelo em excesso que se rompe e cai nas águas do canal de Los tempanos , canal dos icebergs. Em algumas partes o penhasco de gelo mede 60m de altura.
Valeu muito, o passeio é realmente imperdível. Os Glaciares de Perito Moreno são maravilhosos, existem mesmo e são grandiosos. O impacto quando avistamos pela primeira vez as paredes de gelo de 60 m de altura será inesquecível.
Já havíamos lido sobre a região, mas não cabia na nossa imaginação que uma muralha de gelo milenar existisse. Os tons de branco, de azul, de cinza e principalmente os sons que a geleira emite sons incríveis. Aquilo esta vivo, se move e emite sons. Parece um bombardeio. Ecoam pelo vale e se repetem. Incrível, muito incrível.
Voltamos para El Calafate à tarde e fomos dar uma passeadinha, tem algumas construções bem interessantes, como esse mini shopping. Totalmente construído com madeira roliça e com passarela de tábuas. No telhado são cultivados alguns capins nativos da região.
Retornando ao hotel, resolvemos limpar os filtros das motocas, dar uma revisada geral e colocar combustível de reserva sobre os bancos da motoca. Porque amanhã o bicho vai pegar! E para nos amedrontar um pouco mais, ao entrar no Hotel encontramos uma placa dizendo haver um Safári na Rota 40. Só falta encontrar um elefante no meio da estrada.
Falando em Rota 40, amanhã cedo vamos pegar ela cedinho e seguir ela por mais de 1500 km. Haja sufoco e ripio. Portanto, não sabemos se vamos conseguir fazer diário de bordo ou nos comunicar de outra forma nos próximos 2 dias. Vamos entrar em uma estrada das mais difíceis da Patagônia, não sabemos as condições atuais, até onde conseguiremos ir e nem aonde vamos ficar. Mas se tudo der certo encontraremos um bom hotel, ou uma hospedaria ou uma cocheira quem sabe.
17/02/07 - 12:18 - 14º,15º e 16º dias - El Calafate (Rota 40) Esquel - Completamos hoje 8904 km sendo uns 10 patinando. Ops! Acharam que tínhamos nos perdido? Nada disso, fomos engolidos pelos mistérios, pelos enigmas e pelas armadilhas da Rota 40. Como havíamos antecipado no diário do dia 13, passamos por alguns lugares e momentos que nos impediram de fazer os diários. No entanto, aqui estamos, e vamos redigir nossa aventura desde a saída de El Calafate no dia 15 (quinta-feira) até o dia de hoje 17 de fevereiro (sábado).
Pois bem, à noite, ainda em Calafate, os amigos motociclistas que jantavam conosco no hotel não economizaram desejos de boa sorte, pois alguns já haviam passado pela Rota 40 de El Calafate a Rio Mayo, e sabiam o que íamos encontrar. Andar pela Rota 40 sem chuva e com pneus em ótimo estado já é um tanto difícil, e estávamos com nossos pneus com quase 9000 km.
Para nosso terror, pela manhã quando acordamos e olhamos para fora, vimos que estava chovendo. Não tínhamos muito que fazer a não ser encarar, pois em viagens longas não podemos esperar a chuva passar. Conversamos e decidimos ir andando na boa até onde fosse possível.
Entramos na Rota 40 com chuva e com muito barro, para ficar no trilho era uma briga danada. Passar de 40 já era um perigo danado. Chegamos a 3 lagos, na verdade trata-se apenas de um posto de combustível. Colocamos nossos adesivos na porta para marcar passagem e seguimos viagem.
Andados mais uns 70 km com aquela chuvinha mansa e estrada traiçoeira, ai minha motoca resolveu não querer andar mais, como eu estava atrás, demorou uns 10 minutos até os manos notarem a minha falta e retornarem a minha procura. Quando chegaram a motoca já estava depenada. Dessa vez, acho que ela vai ganhar o título de Poderosa.
Mexemos em todos os lugares para ver se achávamos algum defeito mas não encontramos nada. A bateria estava mortinha. Resolvemos fazer "chupeta na bateria", isso mesmo na bateria. A motoca pegava, andava uns 5 km e parava de novo. Chegamos a conclusão que a bateria estava pifada ou não estava carregando. Enquanto estávamos mexendo na moto, no lado oeste da Rota podíamos ver a neve caindo sobre as montanhas, e a chuvinha continuava caindo sobre nós.
Foi de enjoar de fazer chupeta. O Renan é que foi o escolhido para fazer, mas como não tinha muita experiência ainda, o Pai dele e o Tio Ramir ajudavam. Andamos uns 40 km dessa maneira, uma hora resolvemos rebocar minha motoca, mas vimos que logo cairíamos e resolvemos parar. Como tinha falado no diário anterior, não sabíamos se encontraríamos um hotel, uma pousada ou uma cocheira para dormir. Não fomos de tanto azar assim, chegamos até uma estância para nossa sorte.
Tentamos acertar a moto, mas não teve acordo. A cidade mais perto de onde estávamos era Governador Gregores, muito pequena e sem recursos. Como não tinha outra saída, pedi ao Sr. Victor (o proprietário) que me levasse até a cidade. Ele prontamente se propôs a me levar. Colocamos as motos na garagem da Estância, pois sabíamos que teríamos que dormir por lá mesmo.
Logo que chegamos fizemos umas fotos da Estância La Siberia. Era umas duas horas da tarde quando sai com seu Victor para Governador Gregores atrás de uma bateria para a motoca, cheguei lá e tive a triste notícia que não tinha bateria para moto na "cidade".
Tive que encomendar a bateria de uma outra cidade, Rio Gallegos que fica a 450 km de Gregores. Chegaria apenas as 13h do outro dia. Sendo assim, teria que andar 200 km novamente no outro dia para buscar a bateria. Já era quase 11h da noite quando eu e o Sr. Victor retornamos a Estância debaixo de muita chuva. O Sr. Victor além de proprietário da Estância, é diretor de uma escola em Gregores. Fui até a escola com ele e os alunos pediram para fazer foto com eles.
Os manos e o Renan, que ficaram a tarde na Estância, resolveram ir pescar no Lago Cardiel. O lago é lindo, com uma coloração verde esmeralda. Até um tempo atrás não havia peixes nesse lago, mas o Sr. Victor me contou, que à alguns anos um avião que transportava alevinos de peixe de Bariloche para o lago Argentino em El Calafate, teve uma pane e teve que fazer um pouso forçado no lago Cardiel, tendo assim, o piloto, teve que largar os alevinos de Trutas e Salmões no Lago Cardiel, que hoje é um dos mais povoados da região.
A pescaria estava boa, mas esqueceram de olhar para o horizonte. Veio uma chuva repentina, que foi rápida, mas torrencial. Na volta do lago, a estrada tinha se transformado em um pântano. E o que era para ser um passeio relaxante se tornou um pesadelo. Teve gente sentando nas pedras para descansar, já estavam abandonando as motocas no meio da estrada de tanto que o barro empastava, impossibilitando de a moto andar. Assim encontramos uma nova espécie de tatu, tatu motociclista. Tem uns caras com barro em baixo das unhas até hoje.
Em torno da Estância tem muitos Guanacos um tanto mal educados, eles cospem e dão coices, inclusive nas motos.No outro dia saímos cedo, eu e o Ita para Gregores para buscar a bateria. Saímos cedo porque devido a chuva do dia anterior a estrada estava em péssimo estado.
Na ida para Gregores, foram 100 km andando no barro, pedras e valetas. Devido a trepidação, soltou uma peca da proteção de corrente da Poderosa do Ita. Ai fomos a uma mecânica "especializada" em Land Rover arrumar a Peca. O mecânico, acho que vai completar 102 anos o mês que vem. Pegamos a bateria às 13h, retornamos a Estância Sibéria, chegando lá montamos logo a moto e seguimos viagem.
Queríamos agradecer ao Sr. Victor Quinteiros, que foi pronto em nos ajudar em um momento que estávamos precisando muito, me levou para Gregores e me ajudou em tudo que precisei. Gracias Sr. Victor, por su dedicacion y empeño en nos ayudar. Deseamos a usted y su familla mucha suerte. Un Abrazo especial a usted y a tu hijo que se queda en Rio Gallegos.
A Estância é bem movimentada, a todo momento chegam turistas de todas as partes do mundo. Mesmo porque, não tem muitas opções por perto. Um grupo de Ingleses motociclistas chegou, as motos mais pareciam um caminhão de mudança, só faltava um cachorro e uma galinha pendurada.
Chegamos a Perito Moreno já era escuro e eu sem luz, mas deu tudo certo. Apesar de estarmos trocando as baterias a cada 100 km. Para recarregar a minha em outra moto. Foram em torno de 900 km de ripio pela Rota 40, com muita chuva, ventos fortes, pedregulhos e poeira. Deixamos a temida Rota 40 para traz em nosso roteiro, no entanto, ficara marcada para sempre em nossa lembrança.
Chegamos a Esquel, Uma cidade turística que tem uma das melhores estações de esqui do mundo. Enquanto eu estava na escola esperando o Sr. Victor, vi no muro da escola uma mensagem que descreve o momento que estávamos passando. A nossa alegria esta na luta, no esforço, na determinação, no companheirismo e na amizade que faz com que vençamos os desafios, e não na vitória.
Amanhã vamos para Bariloche.
18/02/07 - 07:42 - 17º dia - Esquel - Bariloche - 312 km rodados , totalizando 9216 km. Ontem devido ao diário ter se tornado um pouco extenso por ser de 3 dias, acabamos nos esquecendo de um acontecido no final da Rota 40. Parei para fazer uma foto no meio daquele cascalho todo, ai o Ita veio e parou no lado um pouco atrás, ai veio o Renan que deveria estar pensando na Erika e bateu na traseira do pai dele que na seqüência bateu na minha moto e nos derrubou. É mole. Não tínhamos caído nenhuma vez na Rota 40. Mas falar que cair só uma vez aqui não é tão ruim assim.
Saímos de Esquel pela Manhã e já percebemos que nossa viagem hoje teria um visual diferente ao dos últimos dias. Começamos a ver a Cordilheira dos Andes com seus picos nevados, uma flora bem diversificada e muitos lagos. A minha moto não está carregando mais a bateria, assim temos que fazer a troca das baterias a cada 2h de viagem. Enquanto a minha descarrega, a outra moto carrega a descarregada. Foi a solução que encontramos, já que por aqui não tem como consertar.
Uma das paradas foi em frente a um ponto turístico, a Cascata da Virgem. A cascata nos vimos, mas da virgem não tivemos noticia. Passamos por uma cidade chamada Bolson, tem nessa região um número muito grande de cabanas e pousadas no estilo Daniel Bonn. A paisagem é linda com as cabanas, os pinheiros nativos e a cordilheira nevada ao fundo. No trajeto de Esquel a Bariloche se encontra o Parque Nahuel Huapi, com 552 mil hectares. Seguimos por vários km costeando o lago Nahuel Huapi.
Na entrada do parque os Gendarmes nos pararam para controle de entrada e anotação do número dos passaportes. Por aqui até a casa da polícia tem estilo rústico e muito bonito. Chegamos a Bariloche e a temperatura já tinha caído muito. Bariloche foi fundada em 1895, tem hoje em torno de 150 mil habitantes. Na chegada já arrumamos um hotel e fomos conhecer o Cerro Catedral. O cerro Catedral é conhecido internacionalmente por suas estações de esqui e seus teleféricos. Mesmo nessa época que tem pouca neve e as estações de esqui não funcionam o Cerro é muito visitado.
Como não tinha neve para fazermos os bonequinhos, tiramos fotos com alguns prontos. Que bonitinhos! Na volta do Cerro fomos visitar o centro da cidade. Tem por aqui muitas construções com madeira roliça, dando a cidade um aspecto rústico maravilhoso. O centro cívico é todo construído com pedras rústicas e detalhes em madeira roliça. A cidade de Bariloche é banhada pelo Lago Nahuel Huapi. Nevou 3 dias por aqui, por isso os picos das montanhas estavam com muita neve. O Lago Nahuel Huapi tem uma coloração azul cristalino, contorna os morros nevados e margeia a cidade com inúmeros charmosos chalés de madeira.
Dessa forma, encerramos por aqui nossa viagem pela Patagônia Argentina. Agora sim podemos ver as diferenças entre a Patagônia Atlântica, por onde descemos em direção ao Ushuaia, e a Patagônia andina por onde andamos de Calafate até Bariloche. A patagonia andina nem parece a mesma região. O cenário tem montanhas com picos eternamente nevados, regiões com florestas, lagos que mais parecem pinturas, geleiras e glaciares como as de Perito Moreno. A Patagônia oceânica, desértica ou andina; gelada, ventosa ou ensolarada, fim de mundo ou não, a viagem é longa, reflexiva e inesquecível.
Para quem gosta de uma grande aventura, a Patagônia esta aqui, a sua espera, a aventura e garantida, depende de você. Não vemos o tempo passar viajando por aqui, é tudo muito bonito, a cada km vemos uma paisagem diferente que da vontade de fotografar. Amanhã cedo vamos para a fronteira com o Chile, atravessaremos a Cordilheira dos Andes em direção a Puerto Mont no Chile.
Hasta la vista.
Toco Dal Molin
Fonte:
Moto Grupo Vida Mansa Cidade:
El Calafate(Argentina)-EX-Argentina Fotos: Moto Grupo Vida Mansa Publicado: Kenia Almeida Ferraz Date: 16/03/2007
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