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Conversamos com Pauline Lee Polin, uma chinesa que Nei conheceu durante a sua viagem ao continente gelado. Ela está realizando uma viagem pelo mundo, e Porto Alegre faz parte do seu roteiro. Confira!
Durante sua viagem na Antártica, a bordo do quebra gelo Kapitan Khlebnikov, Nei conheceu muitas pessoas de diferentes lugares do mundo, entre elas ela conheceu Polin, uma chinesa que está dando a volta ao mundo. No dia 20 de fevereiro ela chegou no Brasil e terça-feira, dia 20 de março ela desembarcou em Porto Alegre. No dia 21 de março ela conheceu a Sinema e o Inema e aproveitamos para conversar um pouco com Polin.
Quando era criança, Polin adorava ir em livrarias e bibliotecas e ficava horas olhando livros com fotos sobre vários lugares do mundo. Gostava de todos eles, mas seus preferidos sempre foram aqueles que falavam sobre a Antártica. A Antártica para ela sempre foi um lugar diferente de todos os outros do mundo, ela sempre se encantou com as fotos repletas de gelo. "Eu gosto de lugares diferentes, a Antártica sempre foi linda pra mim, o céu bem azul e o gelo...", fala. O ambiente quieto, a paz que isso proporciona, as belas paisagens e o desejo de tirar belas fotografias a motivou a ir duas vezes para o continente gelado. "É muito lindo ver os albatrozes voando, o vento soa como música e a neve parece que dança... é tudo muito maravilhoso, só estando lá pra saber", diz.
Polin viaja sozinha, não tem marido nem filhos, mas diz que em cada lugar que vai ela conhece uma família. Em cada país ela encontra "pais", "irmãos" e "filhos". Todas as pessoas que conhece são muito legais, sempre estão dispostas a ajudar. Muitas vezes quando precisa de qualquer coisa, as pessoas fazem o máximo que podem para ajudá-la. E isso faz valer a pena o fato de viajar sozinha. Desde pequena, da época que ficava nas bibliotecas vendo os livros, ela sempre dizia que um dia viajaria pelo mundo, mas todos diziam que ela jamais faria isso. "Sempre falei que quando alguém tem um sonho tem que realizá-lo. E eu dizia que eu ia conseguir viajar pelo mundo. Hoje todo mundo acha muito legal o que eu faço", diz.
Na primeira vez que esteve na Antártica Polin ficou lá por 29 dias e na segunda vez por 19 dias. Ela gostou tanto de estar no continente gelado que já pensa em retornar ao local, daqui a uns 2 ou 3 anos. Quase todas as suas fotos mostram a neve, passam para quem está olhando a sensação de frio. Ela adorou o gelo, e os melhores dias foram aqueles que fizeram muito frio, que nevaram e ventaram muito. Apaixonada pelo inverno, diz que não tem nada melhor do que presenciar o forte frio do continente gelado. O melhor momento foi quando eles subiram em uma montanha, "a gente via tudo lá de cima, muito lindo... o branco do gelo, o céu muito azul, é fantástico ver tudo de cima", diz.
Para ela, a sensação de estar em um navio "no meio do nada" é maravilhosa, todas as pessoas são muito legais, estão sempre conversando e trocando experiências. Durante a viagem Polin conheceu muita gente, inclusive Nei. Também fez um amigo que mora no Canadá e é músico. Esse tocava violão e na primeira vez que ela o viu tocando pediu na hora pra que lhe ensinasse. Na mesma hora ele disse que não a ensinaria. Primeiro ela ficou chateada com a situação, mas ele acabou cedendo e prometeu que a ensinaria a tocar. "Ele disse que eu sou uma boa aluna, que devo continuar aprendendo a tocar violão, que tenho futuro", brinca. Fora os amigos que ela fez, também é importante lembrar a presença de ótimos profissionais, que a cada dia ensinavam uma coisa diferente para o pessoal do navio. O melhor segundo ela era tirar fotos e conversar sobre os costumes dos países das outras pessoas, a troca de experiências é muito gratificante. Durante a viagem as pessoas trocam e-mails e telefones para continuarem se falando. "Em cada viagem que eu faço eu conheço pessoas de vários lugares, e sempre que quero ir para um desses lugares falo com elas e a gente sempre se vê", fala.
Polin está realizando um sonho de fazer uma viagem ao redor do mundo. Seus planos são de ficar 2 anos conhecendo o mundo. Além de conhecer pessoas e culturas diferentes, as pessoas que viajam adquirem muita experiência e conhecimento. Isso tudo é muito útil para a próxima viagem. Ela diz que em uma viagem roubaram seus pertences. Claro que na hora Polin ficou muito chateada, mas agora ela pensa que tudo isso serviu como experiência, ela já sabe o que fazer nas próximas viagens. "Agora tento manter as minhas coisas comigo para evitar que aconteça novamente", diz. E não são só as experiências vividas por ela que são úteis, o que as pessoas contam sempre serve de alerta.
Com as suas viagens, Polin acaba conhecendo costumes de lugares diferentes, o que sempre ajuda se ela decide retornar. O mundo é muito grande e as pessoas e os lugares muito diferentes uns dos outros. Ninguém imagina quanto lugar bonito existe no mundo, quanto lugar que pouca gente visitou. "Quando as pessoas estão acostumadas a viajar, entram em um restaurante e conseguem deduzir de qual lugar do mundo cada pessoa é", afirma. Já entrei em lugares onde eu olhava para uma pessoa e pensava: 'ele é da Espanha' ou 'ela é da Itália'", complementa. "É muito bom andar de táxi ou de ônibus nos lugares que eu vou, dentro do ônibus tem muitas pessoas diferentes, dá pra tentar adivinhar de onde elas são, se estão felizes ou tristes, se são ricas ou pobres... e além disso eu posso tirar muitas fotos legais", fala.
No dia 20 de fevereiro, Polin chegou ao Brasil, e ainda pôde aproveitar o último dia de Carnaval no Rio de Janeiro. O clima de festa do Carnaval a deixou maravilhada. "É muita alegria, gente bonita, as pessoas com fantasias, a música boa... eu amei o Carnaval, quero voltar outra vez. Já falei pra vários amigos meus que eles têm que ir pro Rio aproveitar essa festa", comenta. O Brasil está sendo um lugar muito diferente, segundo ela. Está adorando a comida brasileira, mas afirma que quer provar mais tipos, pois ainda não comeu muitas comidas diferentes. "Tem tanta comida diferente, tanta coisa pra tentar que eu nem sinto muita falta da comida chinesa", fala rindo.
Em 20 de março Polin chegou em Porto Alegre. O Nei e a Ayumi a levaram para jantar em um restaurante árabe, e Polin diz que adorou. Quando foi conhecer o centro da cidade, algumas pessoas perguntaram se ela estava perdida, e tentaram ajudá-la, mostrando o caminho. "As pessoas foram boas comigo, viram que eu estava precisando de ajuda... gostei muito disso", afirma.
Ter aulas de tango, conhecer as praias gaúchas, conhecer a serra e andar à cavalo são algumas das suas vontades que pretende realizar no Rio Grande do Sul. Polin não conteve sua empolgação quando disse que tem muita coisa que quer fazer em Porto Alegre e que às vezes parece que não vai ter tempo pra fazer tudo. O mais difícil, segundo ela, é entender a língua portuguesa. "O português é muito complicado, as pessoas falam muito rápido... eu fui em um restaurante que tudo estava escrito em português no menu, não entendi nada. Mas eu estou tentando aprender algumas coisas", fala rindo.
Polin diz que nem tem muito tempo de sentir saudades da China, pois todos os dias ela tem um lugar para conhecer ou alguma atividade diferente para fazer. "Por isso existe o computador e a internet, todo mundo sabe onde eu estou. Sempre mando e-mails e fotos para os meus amigos. Além da internet, no meu telefone eu enxergo as pessoas e as pessoas na China me enxergam, eu sempre mostro o lugar onde estou", diz.
"Não sei quanto tempo vou ficar em Porto Alegre, tenho muito tempo ainda", fala rindo. Depois que sair da capital gaúcha, Polin vai para o Rio de Janeiro novamente e de lá segue para Nova York, continuando sua viagem pelo mundo. Mas ela garante que em novembro estará em Porto Alegre. Durante a nossa conversa, Polin fez questão de mostrar para mim e para a Renata, apontando para o mapa do Brasil todos os lugares que quer conhecer. Em seguida, falou de todos os países que já foi e os que estão nos seus planos de viagem. "Em todos os lugares que eu fui e vou eu tenho amigos, isso é muito bom", falou após citar nomes de alguns amigos.
Equipe INEMA
Fonte:
Pauline Lee Polin Cidade:
Antártica-EX-Antartica Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Daniela Silveira Farias Date: 21/03/2007
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