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O Moto Grupo Vida Mansa partiu de Itapoá/SC no dia 02 de fevereiro de 2007 numa aventura em direção ao Ushuaia na Argentina. Acompanhe a 6ª parte dessa aventura.
19/02/07 - 00:38 - 18° dia - Bariloche(ARG) - Temuco(CHILE) rodados 815 km totalizando 10031kms. Ontem à noite fomos para o hotel em Bariloche imaginando que iria amanhecer chovendo e fazendo muito frio, pois o tempo estava fechado e fazendo muito frio. Deixamos prontos nossos equipamentos de chuva e frio. A propósito, na foto em que apareço sentado com o lago ao fundo, não estou cansando, e sim com muuuuito frio.
A última coisa que queríamos era atravessar as Cordilheiras com o tempo fechado, pois sabíamos que as Cordilheiras sempre nos oferecem paisagens lindíssimas. No entanto, nossas previsões foram erradas, amanheceu um dia lindo e ensolarado, mas fazendo um pouco de frio, tudo o que queríamos.
Saímos de Bariloche e seguimos costeando o Lago Nahuel Huapi por mais de 50 km. A cada km tínhamos um visual diferente de encher os olhos, tanto que fizemos hoje mais de 800 km e nem vimos o tempo passar.
Durante todo o caminho até a fronteira com o Chile tem uma grande quantidade de cabanas e hotéis no meio dos bosques. Como disse um Uruguaio que encontramos junto com os amigos ainda na cidade de Rio Grande/RS. Da vontade de ficar por aqui mesmo, pena que o patrão deu poucos dias de férias para nós, assim poderíamos desfrutar um pouco mais do que essa região tem para oferecer.
Tem uma vila no caminho para a fronteira chamada Vila Angostura, é uma comunidade muito interessante por suas construções em madeira de arquitetura característica da região. Na passagem deu para perceber um grande número de turistas que ficam nessa Vila simplesmente para contemplar a natureza.
Pelos 200 km que percorremos de Bariloche a fronteira com o Chile, passamos por muitos lagos, uns pequenos, outros com cores diferentes e alguns que mais pareciam um espelho, com a água parada e refletiva. Depois de andarmos por quase 1000 km de rípio (estrada de cascalho), hoje andamos por uma Rota que também mais parece um espelho, km e km margeada por árvores lindas.
Já estávamos até com saudades de carimbar nossos passaportes, chegamos a aduana Argentina para dar saída na migração. Logo que chegamos e vimos o interior da Aduana comentamos novamente sobre como os Argentinos trabalham muito bem a madeira para fazer as obras.
Encontramos cada lugar interessante, como uma casinha no meio da mata convidando para ficar e assar uma costela, que a muito não vemos. Chegando à Aduana Chilena, também deixamos as Cordilheiras dos Andes para atrás. À reencontraremos novamente em Los Andes depois de Santiago.
Já no Chile chegamos a Osorno, pegamos a nossa velha conhecida Rota Panamericana que corta o Chile de Norte a Sul, andamos por ela no norte do Chile passando pelo Deserto do Atacama em direção a Machu Picchu em 2006.
Em Osorno descemos para o Sul para conhecermos a Cidade de Puerto Montt e Pureto Varas. Chegando a Puerto Montt nos encontramos novamente com o Oceano Pacifico. O visual do Porto é muito bonito. Daqui muitos turistas pegam barcos para ir a Puerto Natalles e ao Ushuaia.
A cidade de Puerto Varas é mais turística que Puerto Montt, e tem muito para se desfrutar por aqui, pena não termos muito tempo, andamos um pouco pela cidade e pela costa e seguimos viagem de volta para Osorno. A praia aqui é de cascalho e a água deve geladíssima. Difícil ver alguém de sunga ou biquíni, mais fácil de pijamas.
Na região sul do Chile existem muitos vulcões. Saindo de Puerto Varas, pegamos novamente a Panamericana em direção a Osorno, por onde passamos reto e chegamos a uma cidade chamada Temuco, onde resolvemos passar a noite.
Amanhã cedo seguiremos em direção a Capital Santiago.
20/02/07 - 11:41 - 19º dia - Temuco - Santiago - 745 km rodados sendo uns 20 km de túnel mais uns 50 andando em círculo dentro da capital Santiago. Amanhã vamos a Mendoza, aí vou fazer o diário de hoje, vou relatar também o porquê não foi feito hoje.
21/02/07 - 12:16 - 19º e 20º dia - Temuco-Santiago-Mendoza - 380 km rodados. Como prometi ontem, a explicação de eu não ter feito o diário ontem, foi culpa, da malvada cerveja. Normalmente fazemos o diário e depois que jantamos, mas ontem bateu a fome mais cedo e resolvemos jantar. Ai pedimos uma jarrinha de dois litros de Pitcher, foi a perdição. Aí foi difícil fazer o diário. Mas depois dos labirintos da capital Santiago foi mais do que merecido matar a sede dos gurizinhos da dona Odila.
Pois bem, saímos de Temuco e logo pegamos a Panamericana novamente que nos levaria até Santiago. Vai ser difícil algum pardal me pegar, a placa ainda esta com os efeitos da Rota 40. Na verdade não é só a placa e sim a moto inteira. Logo na saída já começamos a ver as grandes plantações de videiras, pessegueiros, cerejeiras e muitas outras árvores frutíferas.
Enrolamos o cabo do acelerador das motocas pela Panamericana para chegar cedo a Santiago, pois pretendíamos trocar o óleo das belezuras e também o pinhão, coroa e corrente da moto do Ita, que não sabemos como chegou a Santiago. Fica aqui uma dica para os amigos motociclistas. Jamais utilizem lubrificação a óleo nas correntes em viagens longas, Acabamos com as correntes das 4 motos por cometermos esse erro.
Demoramos tanto para encontrar a agência da BMW para comprar a corrente que não deu tempo de trocar, ficou para o outro dia. Fomos então procurar um hotel. A Capital Santiago tem um trânsito muito louco, já sabíamos que era assim, pois já estivemos aqui em 2005. Por sorte e sem saber, o primeiro hotel que vimos foi justamente aquele em que ficamos em 2005, o Monte Carlo, ao lado do Cerro de Santa Luzia, um dos pontos turísticos do centro de Santiago.
Saímos então para jantar, no calçadão encontramos uma figura, ficamos alguns minutos nos divertindo com ele, e um mundaréu de gente se divertindo com agente. O camarada é muito engraçado e sacana. Depois da diversão encontramos um restaurante em que o garçom Chileno Já havia trabalhado na Bahia. Ai o atendimento foi vip.
Nos programamos para de manhã ir conhecer o Mercado Central, depois o Cerro San Cristobal e em seguida arrumar algum lugar para trocarmos as peças da moto. Levantamos cedo, as 7h30min já estávamos no Mercado Central, famoso por seu restaurantes e uma grande variedade de frutas e pescados, também não poderia ser diferente, é a especialidade Chilena. Pena não podermos almoçar no Mercado, pois teríamos ainda de arrumar a moto e seguir viagem para Mendoza.
A variedade de peixes e outros frutos do mar no mercado é incrível, os Chilenos não deixaram de nos tirar uma casquinha em relação ao Lula. Ai eles falavam que essa Lula era da boa, nos tirando uma. É a conversa de sempre, o Lula, o Pelé, o Maradona e as mulheres brasileiras. Esse sempre é o inicio da conversa com policias e outros sem assunto.A grande variedade e qualidade das frutas também são de encher os olhos.
O que nos chamou a atenção na capital, desde a primeira passagem em 2005, é o grande contraste entre as edificações centenárias misturadas com as de arquitetura moderna. No geral podemos dizer que Santiago é uma das capitais que conhecemos com melhor avanço tecnológico.
Logo que saímos do Mercado Central e estávamos indo para o Cerro San Cristobal, passamos por um Auto Center, paramos e pedimos autorização para que nós mesmo trocassemos as peças da moto. Precisávamos apenas de um macaco e uma chave grande que não tínhamos junto, pois tivemos que desmontar toda a suspensão traseira da Dakar para trocar a corrente sem emenda. Foi rapidinho, cada um fazia uma coisa, em 40 minutos estávamos prontos para seguir o passeio.
Fomos então conhecer o Cerro San Cristobal, parada obrigatória para os turistas que vem a Santiago. De cima do Cerro tivemos uma visão panorâmica de todos os lados da cidade, já que o Cerro fica no meio de Santiago. Tem um teleférico que pode ser usado para chegar ao topo do Cerro, no entanto, preferimos subir com nossas motocas. E lá fomos nos até chegar aos pés da estátua da Virgem.
O Cerro era nosso último passeio a ser feito em Santiago, seguimos então para Los Andes e Portillo, a fronteira com a Argentina. Santiago fica ao lado da Cordilheira dos Andes, sendo assim, já saímos andando pela pré cordilheira. Não demorou muito e já estávamos mergulhando nas imponentes montanhas. Apesar de já termos passado por aqui, e ter feito mais de 300 fotos nesse trajeto, é difícil de se conter e novamente fiz muuuuitas fotos. Os caracóis chilenos são de arrepiar.
Logo deixamos mais uma vez o Chile para entrarmos na Argentina. Dessa vez a natureza não foi tão generosa assim conosco. Em 2005 quando passamos por aqui pegamos muita neve, e estávamos torcendo para pegar novamente, já que era a primeira passagem do Renan por aqui, e seria o seu primeiro contato com a neve. Mas infelizmente ficou para a próxima, neve somente no topo das montanhas.
No meio desse túnel, o cristo redentor, é a divisa entre o Chile e a Argentina. Parei para fazer a foto e os manos passaram. A metade Chilena é iluminada, no entanto a Argentina não é. Aí como fiquei para traz fiquei no escuro dentro do túnel, pois tirei todas as lâmpadas da minha moto para consumir menos bateria.
Passamos pela fronteira e logo chegamos ao Pico Aconcágua, nossa idéia era chegar de moto até a base do pico, no entanto, quando chegamos tivemos a notícia que a estrada estava em obras e não poderíamos ir, somente a pé. Ai deu dózinha de deixar as motocas para atrás e desistimos.
Seguimos então até a Ponte Inca onde já conhecíamos, menos o Renan, por isso resolvemos parar novamente. Para nossa surpresa, a visita sobre a ponte e abaixo dela estava interditado desde julho de 2005 por perigo de desmoronamento. Visitamos a ponte inca no final de março de 2005, ainda bem que ela não caiu. Caso queiram ver as fotos do interior da ponte é só visitar a expedição pacífico 2005, as fotos estão lá.
Seguimos viagem e em certos lugares parecia que a Cordilheira ia cair sobre nossas cabeças tamanha a inclinação sobre a estrada. O degelo forma vários rios, um deles é o rio Mendoza, no qual alguns malucos praticam Rafting. Digo malucos não pelo Rafting, mas sim por enfrentar as águas geladas do degelo.
Chegamos a Mendoza, uma de nossas cidades preferidas em nossas andanças pela América do Sul. Aqui é bem movimentado, muita diversão, os Argentinos dão um banho de cultura nas praças apresentando teatros, músicas entre outras coisas todos os dias. Já conhecemos bem por aqui, e fomos a uma rua que serve só Parilladas. O Renan não conhecia o prato típico dos Argentinos, e falou que preferia não ter conhecido.
E por falar em Renan, acho que se não pisar no tomate até chegar em casa conseguiu o seu lugar no Vida Mansa. Pois esta se mostrando um excelente piloto e acima de tudo um bom companheiro.
Amanhã pretendemos chegar até a cidade de Santa Fé, se tudo der certo estaremos lá amanhã a noite.
Hasta la vista.
Toco Dal Molin
Fonte:
Moto Grupo Vida Mansa Cidade:
Bariloche(ARG) - Temuco(CHILE)-EX-Chile Fotos: Moto Grupo Vida Mansa Publicado: Kenia Almeida Ferraz Date: 22/03/2007
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