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No dia 27 de novembro de 2005, Jorge Cainelli e alguns amigos pegaram suas motos e seguiram para o Machu Pichu. Acompanhe no INEMA a aventura!Parte I.
Não sei bem ao certo o dia, mas numa destas noites em que a conversa corre solta, Gotardo Tieppo, Álvaro Nicolau e Clair Cagliari e eu tínhamos um sonho: irmos de moto até a cidade de Machu Pichu. Outras reuniões vieram... O sonho tinha que se tornar realidade... E assim a grande data chegou.
No dia 27 de novembro de 2005 nos encontramos pontualmente às 7h, no Posto Tigrão, com as motos limpas e carregadas com nossas bagagens e nossos sonhos. A alegria da partida não podia ser melhor, a previsão do tempo indicava sol durante todo o percurso.
Seguimos em direção a São Borja e de lá, atravessando a ponte internacional, chegaríamos a Corrientes e nossa primeira parada para descanso, mais de 1.017 km do destino. O cansaço não nos impediu de, à noite, num restaurante típico montado nas barrancas do rio Paraná, comer um pescado deste tirado a pouco.
Como é comum neste tipo de viagem, o sono bate forte, e assim nos recolhemos para um merecido descanso, eis que nosso destino no dia seguinte, Salta, distava 882 km.
A travessia do norte da Argentina corria normalmente, quando, em determinado trecho, o asfalto sumiu e passamos a andar em uma estrada totalmente irregular. Esta estrada irregular causou o primeiro acidente de percurso, cortei o pneu dianteiro, bem como quebrei a roda dianteira da moto. Constatamos a quebra da roda já na saída da cidade de Salta em 29/10.
Motos na calçada, malas no tanque e o gerente do hotel nos fazendo sinal de que o pneu estava murcho. Bateu o pânico: o pneu estava cortado e a roda rachada!!!
Passamos a manhã toda na cidade de Salta tentando consertar a roda e comprar um pneu novo, fato este que nos rendeu a grata surpresa de conhecer um mecânico argentino que nos ajudou no conserto e se comprometeu de nos receber, no nosso retorno à Salta, com um suculento churrasco. A moto ficou pronta por volta de 11h e tínhamos que alcançar São Pedro do Atacama, Chile, distante 704 km de Salta. Assim, com a roda consertada, continuamos a viagem.
Andados mais ou menos 150 km senti que minha moto não obedecia nas curvas, perdi o contado com meus companheiros que seguiam em frente e me aguardariam no próximo posto, ou seja... fiquei sozinho naquele deserto.
Preocupado com a estabilidade da moto, parei para averiguar e qual não foi a minha surpresa ao verificar que o pneu estava murcho! Veio a constatação: o ar estava escapando pela rachadura do aro dianteiro. De novo, o pânico se instalou! Como poderia resolver este problema? Meus companheiros me esperando no próximo posto e eu sem socorro algum. Foi quando me lembrei de utilizar meu tairepano. Por sorte o pneu se inflou e pude retomar, com cautela, a busca do "próximo posto".
Passados uns 10 minutos do fato, meu companheiro Gotardo retornou para ver o que havia ocorrido e me escoltou até o próximo posto, local onde vivenciamos um dos piores momentos da viagem: não tinha jeito de impedir o vazamento do ar. A solução era retirar a roda e soldar por dentro, mas como naquele fim de mundo? Recolhemos todos os tairepanos que possuíamos e inflamos o pneu ao máximo, o que parece ter dado resultado, eis que imediatamente nos pusemos em marcha.
Nosso destino, naquele momento, era atravessar o Passo de Jama/Argentina o mais rapidamente possível e daí alcançar o Deserto do Atacama (é o deserto mais árido do mundo choveu no ano 400 e agora em 1971 ficando 1571 anos sem chuva) e pernoitar na cidade de São Pedro do Atacama/Chile.
A travessia do deserto foi fantástica, o visual é de encher os olhos, as montanhas, de uma cor tijolo, ao fundo, com o barulho do motor a nossos pés, representa um dos fascínios das nossas empreitadas: conhecer estas belezas intocadas.
O tempo ia passando, a noite íamos chegando, nós estávamos a 4.170 metros de altitude, falta de ar, frio, fatores locais impensados, nos pegou de surpresa. No posto fronteiriço da Argentina, o guarda de plantão me levou até um termômetro que marcava zero grau e me alertou que ao por do sol, daí a duas horas, a temperatura baixaria para 10 graus negativos. Bateu o pavor, apressamos nosso desembaraço e iniciamos o trecho final.
Quando o sol se pôs, realmente a situação se tornou insuportável. Em determinado momento, as pontas dos meus dedos já não respondiam mais. Por sorte, havíamos terminado a travessia e começamos a baixar de altitude, tanto é que chegamos a São Pedro do Atacama com uma temperatura agradável.
Já hospedados, fomos visitar a cidade histórica de São Pedro, cidade de pura história, que está preservada desde a época dos colonizadores. Não existe calçamento nas ruas, mas mesmo assim a quantidade de turistas do mundo todo, procurando aventura, é impressionante.
Por sorte o vazamento da roda parece ter se estancando, tanto é que no dia seguinte, a cidade de Iquique, Chile, distante 790 km, (nosso destino) foi alcançada com sucesso. Atravessamos o deserto sem sobressaltos.
Continua...
Fonte:
Jorge Cainelli Cidade:
Peru-EX-Peru Fotos: Gotardo Tieppo Publicado: Daniela Silveira Farias Date: 12/04/2007
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